Um incêndio registrado às 3h30 desta sexta-feira, 22 de março, na Clínica Renal do Oeste provocou a suspensão imediata dos atendimentos de hemodiálise e desencadeou a transferência emergencial de aproximadamente 100 pacientes para unidades de apoio em São Miguel do Oeste e Xanxerê.
Operação madrugada adentro: da detecção das chamas ao fechamento da unidade
De acordo com o Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina, as primeiras chamas foram percebidas em uma lavanderia situada no corredor central da clínica, instalada no bairro Santa Maria. Um segundo foco foi identificado na sala de diálise 2. A guarnição utilizou cerca de 1 000 litros de água pressurizada para extinguir o fogo e realizar o rescaldo em uma estrutura de 750 m². Após o resfriamento, as equipes executaram inspeção minuciosa para descartar riscos de propagação oculta e efetuaram ventilação mecânica a fim de remover a fumaça remanescente.
Informações preliminares colhidas no local apontam para curto-circuito na fiação elétrica como causa provável do sinistro. A perícia técnica irá confirmar ou descartar essa hipótese nos próximos dias, conforme protocolo de investigações de incêndios estruturais.
Logística de realocação: cem pacientes redirecionados em menos de seis horas
Com o estabelecimento interditado, a equipe administrativa iniciou às 6h00 — horário habitual do primeiro turno de hemodiálise — um plano emergencial de comunicação com usuários que já se deslocavam em transporte sanitário intermunicipal. A secretária Cristiane Mezzalira e a assistente social Elizane Caresia centralizaram a coleta de contatos telefônicos, viabilizando o redirecionamento dos tratamentos em tempo real.
Até o fim da manhã, 34 pacientes foram confirmados para atendimento na clínica parceira em São Miguel do Oeste, situada a 104 km de Chapecó, enquanto 66 pacientes foram distribuídos para a unidade de Xanxerê, a 45 km. O transporte foi efetuado por ambulâncias do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e veículos das secretarias municipais de saúde.
A Clínica Renal do Oeste costuma operar em dois grupos fixos de sessões: segundas, quartas e sextas; e terças, quintas e sábados. Diante da paralisação, usuários agendados para sábado, 23 de março, receberam orientações para confirmar seus novos locais de terapia pelos telefones (49) 98435-0669 e (49) 99947-8174.
Imagem: Vinicios Ranzan
Impacto assistencial e protocolos de continuidade terapêutica
A interrupção inesperada de hemodiálise representa risco clínico relevante, pois pacientes com doença renal crônica necessitam remover cerca de 700 a 1 000 mL de líquido excedente e resíduos tóxicos a cada sessão de três a quatro horas. A literatura médica descreve que um intervalo superior a 72 horas pode resultar em hiperpotassemia e descompensação cardiopulmonar.
Para mitigar esses riscos, as unidades receptoras reorganizaram a grade de horários, inserindo turnos adicionais em horário estendido. A Secretária de Saúde estadual monitora os fluxos para assegurar que cada usuário complete, no mínimo, três sessões semanais, conforme diretrizes do Ministério da Saúde para Terapia Renal Substitutiva.
Em paralelo, técnicos de manutenção especializados em equipamentos de osmose reversa e monitores Baxter iniciaram inventário dos dispositivos recuperáveis. A seguradora da clínica já foi acionada para avaliação estrutural e levantamento de prejuízos.
Conclusão Técnica
O incêndio ocasionou a paralisação total dos serviços de hemodiálise na Clínica Renal do Oeste, exigindo transferência imediata de cem pacientes para municípios vizinhos. Corpo de Bombeiros extinguiu os focos e isolou a área, enquanto perícia avalia curto-circuito como causa provável. Autoridades de saúde mantêm supervisão contínua para garantir a frequência terapêutica mínima recomendada. A reabertura da unidade dependerá de laudos estruturais, reposição de equipamentos e liberação da Vigilância Sanitária, sem prazo definido até o momento.




