Super El Niño em 2026: veja as empresas da Bolsa que podem lucrar ou perder com o fenômeno climático

Previsão da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica indica que o segundo semestre de 2026 será marcado por um Super El Niño, alteração climática que redistribui chuvas no território brasileiro e, segundo a Genial Investimentos, reconfigura custos operacionais e receitas de setores como energia, mineração, agronegócio e crédito.

Super El Niño: extensão do fenômeno e impacto regional

De acordo com a National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), a temperatura da superfície do Pacífico deve ultrapassar em mais de 1,5 °C a média histórica entre julho e dezembro de 2026, classificando o evento como Super El Niño. A consequência direta é a seca acentuada no Norte e Nordeste e o excesso de chuva no Sul. Esse padrão pressiona o regime hidrológico, afeta rotas logísticas e modifica projeções de safra. A Genial Investimentos compilou os principais vetores de risco para empresas listadas na B3, classificando-as em potenciais ganhadoras ou perdedoras.

Energia elétrica: localização das hidrelétricas define ganhadores e perdedores

No setor de geração, o relatório destaca que 64 % dos ativos da Axia Energia (AXIA3) estão nas regiões mais suscetíveis à estiagem. Com menor afluência hídrica, a empresa pode enfrentar redução de geração e necessidade de comprar energia no mercado de curto prazo, pressionando margens. Em contrapartida, a Copel (CPLE3), cuja capacidade está concentrada no Paraná, pode ser beneficiada pelo aumento do volume nos reservatórios do Sul, mantendo despacho elevado e diluindo custos fixos.

No mercado de distribuição, chuvas fortes podem elevar incidentes na rede, porém o ganho para companhias localizadas ao Sul tende a superar o custo adicional de manutenção. A Genial ainda ressalta que um cenário de nível de reservatório crítico em outras regiões tende a elevar o Preço de Liquidação de Diferenças (PLD), ampliando a receita das geradoras com excedente de energia.

Mineração e siderurgia: chuvas interrompem operações, energia cara comprime margem

As mineradoras listadas, especialmente Vale (VALE3) e CSN Mineração (CMIN3), podem sofrer com paralisações temporárias. A intensidade de chuva eleva o risco de deslizamentos, limita o acesso a minas a céu aberto e provoca interrupções em ferrovias que ligam os complexos produtivos aos portos. A consultoria estima que dias parados correspondem a perda potencial de até 1 Mt de minério por semana em ativos críticos.

Nas siderúrgicas, o desafio central é o custo incremental de energia. Com reservatórios baixos em grande parte do país, a tarifa aumenta e afeta unidades intensivas em eletricidade de Gerdau (GGBR4) e Usiminas (USIM5). Cada alta de R$ 10/MWh reduz em aproximadamente 1 % a margem Ebitda das produtoras, conforme cálculos da Genial.

Agronegócio e crédito: produtividade em risco e possível alta na inadimplência

Produtoras de grãos como SLC Agrícola (SLCE3) e BrasilAgro (AGRO3) dependem de regimes pluviométricos regulares para soja, milho e algodão. A estiagem prolongada no Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) e no Centro-Oeste pode comprometer a produtividade por hectare. Embora ambas utilizem hedges climáticos e seguros agrícolas, a Genial alerta para o risco operacional de colheita até 15 % menor em áreas não irrigadas.

Nesse contexto, bancos com forte exposição ao crédito rural — Banco do Brasil (BBAS3), ABC Brasil (ABCB4) e Banrisul (BRSR6) — podem enfrentar crescimento no índice de inadimplência. O relatório projeta alta de 0,3 p.p. a 0,5 p.p. na carteira agrícola caso a quebra de safra se materialize.

Conclusão técnica: monitoramento contínuo ante cenários climáticos extremos

O prognóstico de um Super El Niño em 2026 reposiciona o perfil de risco das companhias listadas na B3 ao longo do segundo semestre. Empresas com ativos localizados no Sul, geradoras de energia ou prestatárias de serviço hídrico podem capturar ganhos táticos, enquanto mineradoras, siderúrgicas e agroexportadoras enfrentam maior volatilidade operacional. Gestores de portfólio e analistas devem acompanhar os boletins semanais da NOAA, as atualizações do Operador Nacional do Sistema Elétrico e os relatórios de safra da Conab para recalibrar estimativas de resultado. A Genial Investimentos reforça que a adaptação a eventos climáticos extremos tende a permanecer no centro da avaliação de risco corporativo nos próximos ciclos.