Relatório médico entregue nesta sexta-feira (22) ao Supremo Tribunal Federal indica que o ex-presidente Jair Bolsonaro permanece clinicamente estável, embora apresente instabilidade crônica de equilíbrio e episódios de dor no ombro direito decorrentes da cirurgia artroscópica realizada em 1º de maio; o documento atende à exigência semanal fixada pelo ministro Alexandre de Moraes durante o período de prisão domiciliar humanitária.
Evolução clínica após a cirurgia no ombro direito
O laudo protocolado pelos médicos responsáveis detalha a fase pós-operatória de Jair Bolsonaro, submetido a uma intervenção artroscópica para reparo de lesões do manguito rotador. O procedimento, executado em centro cirúrgico de alta complexidade e concluído em aproximadamente cinco horas, resultou na fixação de estruturas tendíneas e no tratamento de lesões associadas na mesma articulação.
Desde então, o paciente realiza fisioterapia diária em regime domiciliar. O documento ressalta a persistência de dor localizada no ombro direito, intensificada após o aumento da frequência dos exercícios de reabilitação. Para controle analgésico, foi introduzido adesivo transdérmico de liberação contínua aliado a analgésicos orais administrados nos últimos três dias.
Apesar do desconforto musculoesquelético, os especialistas referem quadro geral estável, sem alterações sistêmicas significativas. Pressão arterial permanece controlada por medicação específica, frequência cardíaca encontra-se dentro de parâmetros de normalidade, e há apenas alteração residual na base do pulmão esquerdo, monitorada por exames de imagem seriados.
Instabilidade de equilíbrio e sintomas associados
Um dos pontos centrais do relatório é a instabilidade crônica do equilíbrio corporal. Os profissionais descrevem episódios de desequilíbrio sem queda, atribuídos ao período de recuperação pós-operatória e à redução de mobilidade do membro superior direito. A recomendação terapêutica inclui fortalecimento de musculatura estabilizadora e acompanhamento fisiátrico contínuo.
Também foram registrados episódios esparsos de soluços com curta duração, manifestação considerada comum em pacientes com histórico de intervenções abdominais ou torácicas, embora, no caso, não haja correlação direta com a cirurgia no ombro. Não foram observados sinais de infecção, febre ou complicações hemodinâmicas.
Os médicos mantêm monitoramento de sinais vitais e parâmetros laboratoriais em regime domiciliar. Qualquer alteração relevante deverá ser imediatamente comunicada ao STF, conforme determinação judicial.
Imagem: jairbolsaro
Condições legais da prisão domiciliar e cronograma de reavaliação
O envio semanal do laudo obedece à medida cautelar fixada pelo ministro Alexandre de Moraes, relator dos inquéritos que apuram a conduta do ex-mandatário. A prisão domiciliar humanitária temporária vigora por 90 dias, período que se encerra no final de junho.
Nesse intervalo, o ex-presidente deve permanecer em residência previamente informada, submetido a vigilância eletrônica e acompanhado por equipe multidisciplinar. Relatórios médicos, prescrições e registros fisioterápicos compõem o dossiê clínico remetido ao tribunal.
Concluído o prazo inicial, o Supremo Tribunal Federal avaliará a continuidade, substituição ou revogação da modalidade de cumprimento, levando em conta laudos atualizados, pareceres do Ministério Público e manifestações da defesa.
Conclusão técnica
O laudo de 22 de maio confirma que Jair Bolsonaro apresenta estabilidade clínica geral, com controle de sinais vitais e sem intercorrências sistêmicas graves. Persistem, entretanto, dores no ombro direito e instabilidade de equilíbrio, efeitos esperados da cirurgia artroscópica recente e do processo de fisioterapia intensiva. Até o término do prazo de 90 dias, novas atualizações médicas serão encaminhadas ao ministro Alexandre de Moraes, que decidirá sobre a manutenção ou revisão da prisão domiciliar, considerando a evolução do estado de saúde e a necessidade de acompanhamento presencial ou hospitalar.




