Labaredas de alta intensidade destruíram, na madrugada de 23 de maio de 2026, ao menos quatro estabelecimentos nas proximidades do Mercado de São José, no Centro do Recife, obrigando o Corpo de Bombeiros Militar de Pernambuco (CBMPE) a acionar 10 viaturas para conter o fogo; não há registro de vítimas.
Dinâmica inicial do sinistro e extensão dos danos
Relatórios preliminares do CBMPE indicam que o foco surgiu por volta das 03h40 em um corredor comercial adjacente ao Armarinho Ivo Comércio e Representações, no bairro de São José. Em menos de 15 minutos, as chamas avançaram para edificações vizinhas, formando uma cortina de fumaça visível em diversos pontos da região central. Testemunhas relataram estalos de rompimento de materiais inflamáveis e a rápida propagação do fogo em estruturas predominantemente compostas de madeira e alvenaria antiga.
Segundo a corporação, quatro lojas foram integralmente consumidas, enquanto imóveis lindeiros apresentaram danos em fachadas e forros. Vídeos compartilhados em redes sociais exibem labaredas ultrapassando o segundo pavimento das construções atingidas, sinalizando temperaturas suficientes para comprometer telhados e instalações elétricas.
Ação de combate: recursos, táticas e tecnologia empregada
A operação mobilizou 10 viaturas, distribuídas entre unidades de combate direto, resgate, comando operacional e supervisão. O primeiro grupamento chegou ao local às 03h55, estabelecendo perímetro e interrompendo o trânsito nas vias de acesso. Foram utilizados aproximadamente 60 mil litros de água, com apoio de hidrantes públicos e reforço de caminhões-pipa particulares.
Para avaliação em tempo real da propagação térmica, a equipe lançou um drone equipado com sensores ópticos e infravermelhos. A coleta de imagens aéreas auxiliou na identificação de focos ocultos e na definição de pontos de ventilação estratégica, reduzindo o risco de reignição. Além disso, cilindros de espuma AFFF foram aplicados em depósitos suscetíveis a combustíveis e solventes, minimizando a emissão de partículas tóxicas.
Às 06h20, o comando informou situação “sob controle”, iniciando-se o rescaldo para eliminação de brasas persistentes. O procedimento se estendeu pela manhã, com rotação de equipes a cada 40 minutos para mitigação de fadiga térmica.
Vistoria estrutural e risco de colapso
Em nota oficial, a Defesa Civil do Recife confirmou o deslocamento de engenheiros e técnicos ao quadrilátero atingido. A vistoria preliminar não identificou indícios imediatos de colapso, mas recomendou a manutenção do isolamento até a conclusão do laudo detalhado. Serão examinados:
Imagem: Divulgação
- Integridade de vigas e pilares expostos a temperaturas superiores a 800 °C;
- Estado de fiações e quadros elétricos afetados por calor radiante;
- Condições de telhados metálicos deformados.
Somente após a emissão do parecer final será definida a liberação parcial ou total das atividades comerciais no entorno.
Impacto econômico imediato e próximos passos
O corredor comercial abriga lojas de confecções, armarinhos e pequenos depósitos que funcionam como suporte logístico para o Mercado de São José, importante polo de abastecimento de artigos populares. Estimativas preliminares de associações de lojistas apontam prejuízos que podem ultrapassar R$ 3 milhões, considerando estoque, mobiliário e estruturas. Seguradoras iniciaram levantamentos individuais para validar apólices de incêndio.
O CBMPE instaurou inquérito para apurar a causa, com coleta de amostras de material carbonizado e análise de circuitos elétricos. Já a Prefeitura do Recife anunciou a criação de um gabinete emergencial para articular suporte a comerciantes, incluindo linhas de microcrédito e orientações sobre reconstrução conforme o Código de Obras municipal.
Conclusão técnica
O incêndio de grandes proporções no Centro do Recife foi controlado sem vítimas graças à rápida mobilização de 10 viaturas e ao emprego de tecnologia de monitoramento aéreo. A área permanece isolada para rescaldo e perícia estrutural, enquanto órgãos municipais e estaduais avaliam danos econômicos e definem protocolos de recuperação. A divulgação do laudo técnico sobre as causas e a estabilidade das edificações é aguardada para os próximos dias, condicionando a reabertura comercial e eventuais medidas de reforço preventivo na região histórica.




