Santa Catarina registra 50 óbitos por influenza em 2026 enquanto apenas um município atinge a meta de vacinação; a Secretaria de Estado da Saúde intensifica ações para elevar a cobertura antes da chegada do inverno.
Cobertura vacinal estagnada e disparidades regionais
A campanha contra a gripe, iniciada em abril e prevista para encerrar em 31 de maio, apresenta média estadual de 39,8 % de cobertura entre os grupos prioritários. O percentual supera o índice nacional de 35 %, porém permanece distante da meta de 90 % preconizada pelo Ministério da Saúde. Entre os 295 municípios catarinenses, somente São Miguel da Boa Vista, no Oeste, alcançou o patamar desejado, com 93 % de sua população-alvo imunizada. Em contraste, 137 municípios operam com cobertura inferior a 40 %, cenário que amplia o risco de surtos localizados.
A análise por faixa etária revela 41 % de adesão entre idosos, enquanto o grupo infantil — crianças de 6 meses a 5 anos e 11 meses — soma apenas 25 %. Gestantes, puérperas e pessoas com comorbidades mantêm índices semelhantes, segundo a Diretoria de Vigilância Epidemiológica.
Agravamento de casos e impacto hospitalar
Entre 1.º de janeiro e 20 de maio, a rede estadual notificou 600 internações por influenza, das quais 125 exigiram suporte em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs). O resultado acumulado é de 50 mortes, distribuídas majoritariamente entre idosos e crianças com fatores de risco. A SES aponta correlação direta entre baixa cobertura vacinal e aumento das complicações respiratórias, sobretudo no período de maior circulação viral motivado pelas temperaturas mais baixas.
Histórico epidemiológico de anos anteriores demonstra padrão semelhante: em 2025, o estado totalizou 37 óbitos por influenza; em 2024, foram 29. A elevação de 35 % em comparação ao último ciclo anual reforça a necessidade de ampliação da procura pela vacina.
Estratégias emergenciais e logística de distribuição
Para reverter o quadro, o secretário de Estado da Saúde, Diogo Demarchi, determinou a intensificação da busca ativa dos públicos elegíveis. A medida inclui ligações telefônicas, visitas domiciliares realizadas por agentes comunitários e horários estendidos nas unidades básicas. Paralelamente, o estado aguarda a chegada de 328 mil novas doses nesta semana, volume que elevará o total recebido em 2026 para 2 milhões, quantidade suficiente para cobrir 100 % da população prioritária estimada em 1,9 milhão de pessoas.
Imagem: Marcelo Camargo
A Secretaria reforça que a vacina é gratuita e está disponível em todas as salas de imunização, mesmo fora do período oficial da campanha. O diretor de Vigilância Epidemiológica, João Augusto Fuck, explica que a proteção tem início cerca de duas semanas após a aplicação, sendo crucial que a população procure as doses antes do pico de circulação viral, previsto para junho e julho.
Perfil dos grupos prioritários e recomendações técnicas
Integram o público-alvo definido pelo Programa Nacional de Imunizações: idosos a partir de 60 anos, crianças de 6 meses a menores de 6 anos, gestantes, puérperas até 45 dias pós-parto, pessoas com comorbidades crônicas, profissionais da saúde e professores da rede pública e privada. A vacina utilizada neste ciclo é trivalente, contemplando as cepas Victoria / Austrália / 2022 (H1N1), Darwin / Austrália / 2021 (H3N2) e Wisconsin / EUA / 2022 (linhagem B), conforme recomendação da Organização Mundial da Saúde.
Estudos recentes indicam eficácia global superior a 60 % na prevenção de hospitalizações por influenza grave entre indivíduos vacinados. Em idosos, a redução da mortalidade pode chegar a 75 % quando a imunização é administrada antes do início do inverno.
Conclusão Técnica
A combinação de 50 mortes, cobertura vacinal abaixo de 40 % e aproximação de baixas temperaturas consolida um quadro de atenção máxima para a saúde pública catarinense. A chegada de 328 mil doses adicionais tende a suprir demanda imediata, mas o êxito depende da mobilização dos municípios e da adesão da população prioritária. Mantida a tendência atual, projeções da SES indicam possibilidade de novo aumento de internações nas próximas oito semanas. A continuidade da oferta da vacina nas unidades básicas após o término oficial da campanha e a intensificação da busca ativa são consideradas as principais medidas para mitigar o impacto da influenza no inverno de 2026.




