Ações da Petrobras recuaram nesta segunda-feira, 25 de maio de 2026, pressionadas pela queda de 6,78 % no Brent após sinais de avanço diplomático entre Estados Unidos e Irã, enxugando R$ 16,5 bilhões do valor de mercado da companhia e levando a capitalização para R$ 598,7 bilhões, o menor nível em dois meses.
Impacto imediato nas cotações e no valor de mercado
Os papéis PETR3 encerraram o pregão em R$ 48,69, queda de 2,91 %, enquanto PETR4 recuou 2,43 %, para R$ 43,40. O volume financeiro somou R$ 1,155 bilhão em 47,2 mil negócios, consolidando a Petrobras como o ativo mais negociado da B3 no dia. A capitalização, que havia superado R$ 680 bilhões em 14 de abril durante o pico de tensão no Oriente Médio, rompeu o piso técnico de R$ 600 bilhões, patamar observado pela última vez em 11 de março.
Desde 28 de fevereiro, início do conflito envolvendo o Irã, a ação acumulava sucessivas máximas graças à disparada do petróleo. A reversão de hoje devolve parte desses ganhos e reabre questionamentos sobre a resiliência do fluxo comprador em cenários de alívio geopolítico.
Geopolítica do petróleo: avanço EUA–Irã e reflexos no Brent
A possibilidade de um entendimento preliminar entre Washington e Teerã gerou expectativa de aumento da oferta global de petróleo, derrubando o contrato Brent para US$ 93,42 o barril na ICE Londres. O movimento foi amplificado por operações de stop-loss e realização de lucros após a forte valorização recente, que levara o benchmark a oscilar em torno de US$ 104 no início do segundo trimestre.
Para a Petrobras, cujos resultados exibem alta correlação com o Brent, variações superiores a 5 % no preço de referência costumam provocar reprecificação quase imediata dos ativos. Além disso, a estatal opera com beta elevado em relação ao índice de energia global, tornando-a sensível a qualquer sinal de distensão nos principais focos de conflito que afetem a balança oferta-demanda.
No horizonte de curto prazo, analistas monitoram três variáveis críticas: (1) ritmo de retomada das exportações iranianas, (2) postura da Opep+ diante de eventual excesso de capacidade e (3) evolução dos estoques comerciais nos EUA, divulgados semanalmente pela EIA.
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Recomendação do BTG Pactual e fundamentos operacionais
Em relatório publicado após o fechamento, os analistas Bruno Henriques, Gustavo Cunha e Rodrigo Almeida, do BTG Pactual, reiteraram recomendação de compra para PETR4 com preço-alvo de R$ 62 até dezembro. A equipe projeta Ebitda robusto no 2T26, sustentado por produção elevada, captura plena dos preços médios de US$ 104 por barril entre abril e junho e benefícios provenientes do novo programa de subvenção ao diesel.
O subsídio, estimado entre R$ 0,32 e R$ 0,45 por litro, foi desenhado para amenizar o repasse da volatilidade internacional sem alterar a política de preços da Petrobras. Segundo o BTG, o formato preserva a governança corporativa e dilui riscos de intervenção direta, o que contribui para a manutenção do prêmio de valuation conquistado após a recente série de recordes de market cap.
Além disso, a estatal já confirmou planos de manter o ritmo de investimento em E&P, com ênfase em ativos do pré-sal. O custo de extração médio inferior a US$ 6 por barril oferece proteção considerável mesmo em cenários de Brent abaixo de US$ 80, parâmetro que baliza as simulações de sensibilidade divulgadas pela própria companhia.
Conclusão técnica e próximos marcos
A correção de 2,5 % a 3 % nas ações da Petrobras, catalisada por alívio geopolítico e retração abrupta no Brent, retirou R$ 16,5 bilhões de capitalização em uma única sessão, mas não alterou as premissas de resultado defendidas por casas como o BTG Pactual. O mercado agora acompanha: (1) confirmação de avanços nas tratativas EUA–Irã, (2) eventuais ajustes de produção pela Opep+ e (3) divulgação das regras operacionais do subsídio aos combustíveis pelo Ministério da Fazenda. Esses gatilhos definirão a trajetória de curto prazo do papel e calibrarão as expectativas de investidores institucionais até o balanço do 2T26.




