Deputada Júlia Zanatta reforça defesa da escala 6×1 após ouvir trabalhadores da construção civil em Santa Catarina

A deputada federal Júlia Zanatta divulgou nesta semana um vídeo gravado em Anchieta, no Extremo-Oeste catarinense, no qual dois operários da construção civil manifestam apoio à manutenção da escala 6×1, posicionamento que reacende o debate sobre a proposta de emenda constitucional que reduz a jornada semanal de trabalho no país.

Registro em obra catarinense expõe opinião de trabalhadores autônomos

No vídeo publicado nas redes sociais em 19 de março, Júlia Zanatta (PL-SC) aborda os pedreiros Marcos e Jeferson em um canteiro de obras localizado no município de Anchieta. Questionados sobre o eventual término da escala 6×1 — regime em que o empregado labora seis dias consecutivos e folga um — ambos se posicionam contra a alteração. Marcos argumenta que “quanto mais a gente trabalhar, mais a gente ganha”, enquanto Jeferson observa que “não há empresa que suporte dois dias de descanso com a atual carga tributária”.

A gravação, de pouco mais de dois minutos, foi editada com legendas e publicada simultaneamente no Instagram, Facebook e X (antigo Twitter) da parlamentar, alcançando, até a noite de 21 de março, aproximadamente 240 mil visualizações e 18 mil interações, segundo métricas públicas das plataformas.

Reações nas redes destacam representatividade e jornada legislativa

Nos comentários, parte dos internautas elogiou a iniciativa de ouvir “quem está na linha de frente”, entretanto outra parcela questionou a escolha de trabalhadores que não possuem vínculo celetista. Usuários sugeriram que a deputada entrevistasse profissionais regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CL​T), que garante direitos como férias remuneradas, 13.º salário e depósito de FGTS.

Também foi lembrado que as sessões deliberativas da Câmara dos Deputados ocorrem, em regra, de terça a quinta-feira. Críticos argumentam que o ritmo de votações contrasta com a defesa de jornadas mais extensas no setor privado. O gabinete de Zanatta respondeu, em nota publicada nos “stories”, que a parlamentar “cumpre agenda no Estado nas segundas e sextas e utiliza o fim de semana para atender bases eleitorais”.

Tramitação da PEC da escala 6×1 e impactos projetados

A PEC n.º 231/1995, conhecida como “PEC da jornada”, propõe reduzir a carga semanal de 44 para 40 horas e ampliar o descanso semanal remunerado para dois dias. O texto está em análise na Comissão Especial da Câmara, onde Zanatta integra a ala contrária à mudança. Durante audiência no dia 19 de março, a deputada afirmou que “a conta não fecha” para micro e pequenas empresas.

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Imagem: juliazanattasc

Entidades patronais, como a Confederação Nacional da Indústria (CNI), projetam alta de até 10,7 % no custo da folha de pagamento caso a proposta seja aprovada sem compensações. Já centrais sindicais, entre elas a CUT e a Força Sindical, sustentam que a medida pode gerar 2 milhões de novos empregos formais pela necessidade de reposição de mão de obra.

O relator da matéria, deputado Vicentinho Júnior (PL-TO), informou que apresentará parecer até o início de abril. Para avançar ao Plenário, a PEC precisa de 308 votos em dois turnos.

Conclusão técnica

O vídeo de Júlia Zanatta reforça a estratégia parlamentar de alavancar narrativas contrárias à redução da jornada antes da votação do parecer na Comissão Especial. A repercussão evidencia um ponto de fricção: enquanto trabalhadores autônomos apoiam a continuidade da escala 6×1 por expectativa de ganho direto, setores celetistas reivindicam mais representatividade no debate. Caso o relatório seja protocolado no prazo, a apreciação em Plenário poderá ocorrer ainda no primeiro semestre. Se aprovado, o texto seguirá ao Senado, onde também exigirá dois turnos de votação qualificada. Até lá, segmentos empresariais e sindicais devem intensificar campanhas para influenciar o posicionamento de lideranças partidárias.