Gasolina sobe nesta sexta: Petrobras adiciona R$ 0,48 por litro e governo banca parte do aumento

Petrobras reajustará em R$ 0,48 por litro o preço da gasolina A entregue às distribuidoras a partir de 29 de maio de 2026; porém, um subsídio federal de R$ 0,44 por litro limitará o repasse ao consumidor a até R$ 0,03 nas bombas.

Detalhes do reajuste e participação da Petrobras na composição final

A estatal comunicou que o valor médio cobrado pelas refinarias passará de R$ 2,57 para R$ 2,61 por litro, variação residual de R$ 0,04. Considerando a obrigatoriedade de 27% de etanol anidro na mistura que origina a gasolina C, a estimativa é de acréscimo máximo de R$ 0,03 para o motorista.

Com a mudança, a fatia da Petrobras no preço final alcançará R$ 1,83 por litro, ainda 27,6 % abaixo do patamar de 31/12/2022. A empresa reforçou que o ajuste cobre menos da metade da distância observada em relação aos valores internacionais, calculada em R$ 1,37 por litro pela Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom).

Estrutura da subvenção econômica anunciada pelo governo

A compensação financeira de R$ 0,44 por litro foi oficializada em edição extra do Diário Oficial da União nesta semana. A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) ficará responsável por repassar o subsídio diretamente a refinarias e importadores, conferindo o desconto na seção “Informações complementares” das notas fiscais eletrônicas.

O programa terá duração inicial de dois meses e custo mensal estimado em R$ 1,2 bilhão. Segundo o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, o dispêndio será compensado pela maior arrecadação associada à receita de petróleo, sem impacto imediato nas projeções orçamentárias.

Cenário internacional e defasagem de preços

O conflito em curso no Oriente Médio pressionou as cotações do barril de petróleo e, por consequência, os derivados negociados no mercado externo. Dados da Abicom indicam que, no fechamento de 27 de maio, a gasolina brasileira apresentava defasagem de 55 % em relação à paridade de importação, abrindo margem potencial de ajuste de R$ 1,37 por litro.

Mesmo após o aumento, a diferença permanece significativa. A adoção da subvenção busca evitar repasse integral ao consumidor, preservando o poder de compra interno enquanto mantém algum alinhamento gradual aos preços globais.

Impacto orçamentário e possíveis desdobramentos

A previsão de R$ 2,4 bilhões para cobrir o subsídio ao longo de dois meses não consta no relatório bimestral de receitas e despesas, divulgado em maio. A equipe econômica sustenta que a expansão da arrecadação decorrente das altas de petróleo fornecerá a contrapartida necessária, evitando a abertura de crédito extraordinário.

Caso o cenário externo permaneça pressionado, o governo poderá optar por prorrogar a medida ou recalibrar o valor da subvenção. A alternativa implicaria nova avaliação fiscal, sobretudo se o preço do Brent permanecer acima da média de US$ 90 por barril.

Conclusão Técnica

O reajuste de R$ 0,48 por litro anunciado pela Petrobras entrará em vigor em 29 de maio de 2026 com amortecimento de R$ 0,44 via subvenção federal, restringindo o aumento percebido pelo consumidor a cerca de R$ 0,03. A medida equilibra, temporariamente, a necessidade de reduzir a defasagem internacional sem provocar choque imediato de preços. A continuidade ou eventual ampliação do subsídio dependerá da evolução das cotações globais de petróleo e do espaço fiscal resultante da arrecadação adicional prevista pelo governo.