Pescador de 79 anos é encontrado morto em Laguna; polícia trabalha com hipótese de latrocínio
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Francisco Henrique Simplicio, 79 anos, conhecido como “Kiko”, foi encontrado sem vida dentro de sua residência no bairro Cabeçudas, em Laguna, na manhã de 31 de março, com sinais de agressão e indícios de furto de pertences, quadro que levou a Polícia Civil a tratar o caso como possível latrocínio.
Cenário do crime e primeiros levantamentos
Equipes da Polícia Militar foram as primeiras a chegar ao imóvel após acionamento para verificar um suposto encontro de cadáver. No local, os agentes observaram porta arrombada, cômodos revirados e a ausência de objetos pessoais e valores em dinheiro. A avaliação preliminar do corpo registrou lesões que sugerem violência física, reforçando a suspeita de que o idoso foi agredido antes de morrer.
Com base nos protocolos de preservação de cena, a área foi isolada até a chegada do Instituto Geral de Perícias (IGP). Técnicos do órgão coletaram impressões digitais, vestígios biológicos e possíveis ferramentas de arrombamento. O laudo cadavérico, que incluirá estimativa do horário do óbito e tipo de lesões, tem prazo médio de liberação de 10 dias úteis.
Linha investigativa e estratégia da Divisão de Investigação Criminal
O inquérito está a cargo da Divisão de Investigação Criminal (DIC) de Laguna, dirigida pelo delegado Rubem Teston. Até o momento, a principal hipótese operacional é roubo seguido de morte, mas a autoridade policial mantém outras linhas em aberto, a exemplo de possível desavença pessoal vinculada à rotina profissional da vítima como pescador artesanal.
Entre as diligências já confirmadas pela DIC estão:
- Entrevistas a familiares, vizinhos e colegas de trabalho de Kiko para mapeamento dos últimos deslocamentos do idoso;
- Solicitação de imagens de câmeras de segurança instaladas em vias públicas, residências próximas e comércios no raio de 500 metros da cena do crime;
- Rastreamento de transações financeiras recentes em busca de saques ou compras anormais vinculadas aos cartões da vítima;
- Cruzamento de dados com ocorrências de furtos a residências na região de Cabeçudas nas últimas quatro semanas.
Segundo o delegado Teston, “os elementos colhidos até aqui sinalizam para latrocínio, mas a confirmação depende de perícias e oitivas em andamento”. Teston também enfatizou que qualquer denúncia anônima pode ser encaminhada ao canal 181, preservando o sigilo do informante.
Imagem: Reprodução
Repercussão na comunidade e detalhes do velório
Francisco Simplicio vivia há décadas em Laguna e era figura presente na colônia de pescadores local, onde participava de mutirões de limpeza de praias e da romaria marítima anual. Nas redes sociais, vizinhos lamentaram a morte e destacaram a “alegria constante” do idoso. O velório foi marcado para 1.º de abril, na Capela da Pax Funerária, seguido de sepultamento no Cemitério da Glória, bairro Maria da Glória, ainda na manhã da mesma segunda-feira.
Representantes da Secretaria de Pesca e Maricultura de Laguna emitiram nota oficial classificando o fato como “perda irreparável para o setor artesanal” e cobrando rápida elucidação do crime. Já a Prefeitura Municipal colocou à disposição da família atendimento psicológico e assistência social.
Próximos passos e expectativas processuais
Com base nos procedimentos adotados, a investigação deve avançar em três frentes: conclusão do laudo necroscópico, análise de vestígios digitais e genéticos e identificação de movimentações financeiras suspeitas. Se confirmada a tipificação de latrocínio, o caso será encaminhado ao Ministério Público para eventual oferecimento de denúncia com pena prevista de 20 a 30 anos de reclusão, conforme o artigo 157, § 3.º, do Código Penal.
Até a formalização do laudo e o cruzamento de todos os elementos probatórios, o delegado descarta divulgar nomes de suspeitos para não comprometer o sigilo investigativo. A população pode colaborar com informações pelo Disque-Denúncia 181 ou pelo 190, reforçando o caráter comunitário do combate a crimes patrimoniais violentos.
Enquanto isso, a morte de Kiko permanece como ponto de alerta para a segurança de idosos que moram sozinhos em áreas urbanizadas de Laguna, tema que tende a mobilizar debates em fóruns municipais sobre proteção social e prevenção a delitos contra a terceira idade.




