Entre 15 de abril e 1º de junho de 2026, a carteira recomendada Crypto Momentum, da Empiricus Research, acumulou 4,81 % de retorno, superando o Bitcoin (BTC), que recuou 0,82 %, e o índice NCI, com queda de 1,21 %, mesmo em um ambiente de mercado predominantemente lateral e marcado por aversão ao risco.
Mercado cripto em 2026: lateralização após o rali de 2025
Após atingir a máxima histórica de US$ 126 mil em 6 de outubro de 2025, o Bitcoin sofreu correções e era negociado em torno de US$ 65 mil no encerramento do pregão de 3 de junho de 2026. O semestre ficou caracterizado por:
- Aversão global ao risco decorrente dos conflitos no Oriente Médio;
- Ritmo mais lento nas discussões regulatórias sobre ativos digitais nos Estados Unidos;
- Movimento de realização de lucros após o forte avanço de preços registrado em 2025.
De acordo com Valter Rebelo, head de pesquisa em criptoativos da Empiricus Research, o cenário atual permanece “na bacia das almas do bear market”, expressão que resume o sentimento predominantemente cauteloso do investidor.
Estratégia sistemática: seleção de líderes por momentum
Lançada em 15 de abril de 2026, a carteira Crypto Momentum opera com um modelo quantitativo que identifica, a cada 30 dias, os ativos com maior força relativa. O processo baseia-se em três pilares:
- Acompanhamento de tendências de preço : o algoritmo privilegia criptomoedas que já demonstram trajetória de alta consistente, partindo do princípio estatístico de que movimentos tendem a se prolongar;
- Dissociação em relação ao Bitcoin: o portfólio considera oportunidades que possam se valorizar mesmo quando o BTC se move lateralmente ou em baixa, evitando correlação excessiva;
- Rebalanceamento mensal: ativos que perdem momentum são retirados; novos líderes entram, garantindo aderência ao sinal predominante do mercado.
Esse modelo caracteriza-se como não discricionário; ou seja, decisões são tomadas a partir de critérios pré-definidos e replicáveis, reduzindo o impacto de vieses subjetivos.
Gestão de risco: volatilidade equivalente ao Bitcoin
Para conter oscilações excessivas, a Empiricus estabelece um limite de volatilidade por ativo semelhante ao do BTC. A alocação segue etapas táticas:
Imagem: Internet
- Quando Bitcoin apresenta tendência de alta confirmada, a carteira eleva a exposição para capturar retornos adicionais;
- Em cenários neutros, o portfólio mantém parte relevante em dólar, reduzindo sensibilidade ao risco de mercado;
- Diante de quedas prolongadas, a estratégia pode migrar majoritariamente para 80 % de caixa dolarizado, preservando capital.
Rebelo observa que “crescimento, inflação e liquidez” permanecem variáveis-chave para ativos de risco, sobretudo criptomoedas, que tendem a reagir de forma aguda às mudanças no ciclo de liquidez global.
Contexto macroeconômico e variáveis de liquidez
O ambiente externo continua permeado por incertezas. A pressão inflacionária decorrente do conflito no Oriente Médio e a perspectiva de ajustes nos juros de economias centrais influenciam o fluxo de capitais para criptoativos. A despeito dessas variáveis, a carteira Crypto Momentum se estrutura para:
- Concentrar recursos em ativos com alta liquidez e profundo volume de negociação;
- Migrar para posições defensivas quando indicadores macro apontarem restrição de liquidez;
- Reentrar em criptoativos líder sempre que os sinais de força de mercado forem restabelecidos.
Conclusão técnica
No intervalo de 45 dias, 4,81 % de retorno frente a um recuo de 0,82 % do Bitcoin demonstra a eficácia preliminar do método sistemático de seleção por momentum. A continuidade do desempenho dependerá da persistência ou reversão das tendências identificadas pelo modelo, bem como da dinâmica macro que envolve liquidez global, inflação e eventos geopolíticos. Enquanto permanecer aderente a critérios quantitativos e à disciplina de risco, a carteira tende a manter capacidade de ajuste rápido em diferentes regimes de mercado.




