A Monte Capital firmou acordo para adquirir 100% da Takoda, operadora brasileira de data centers com faturamento anual de R$ 240 milhões, e projeta investir R$ 2 bilhões em novas unidades em Sumaré (SP) e Rio de Janeiro, marcando sua entrada na infraestrutura digital e ampliando o portfólio que já inclui rodovias, aeroportos, saneamento e portos.
Detalhes da transação e perfis corporativos
A assinatura do contrato ocorreu entre a Monte Capital, gestora especializada em ativos de infraestrutura, e fundos assessorados pela Apax Partners, controladores da Takoda desde 2021. O valor financeiro da aquisição não foi divulgado, mas inclui a totalidade das ações ordinárias da empresa-alvo. Com a incorporação, a Monte Capital ganha presença imediata em quatro data centers já operacionais, que somam 14 MW de capacidade instalada e atendem clientes de telecomunicações, nuvem pública e serviços financeiros.
Segundo Fábio Bonini, CEO da Monte Capital, o movimento reflete a evolução dos data centers para “ativos essenciais da economia digital”. A estratégia amplia a atuação da gestora, que administra concessões rodoviárias, terminais portuários e sistemas de saneamento distribuídos por oito estados.
Plano de expansão: 160 MW adicionais em polos estratégicos
A fase inicial de crescimento prevê a construção de dois novos campi. Em Sumaré, município da Região Metropolitana de Campinas, o projeto contempla 96 MW, com entrega de 16 MW já na primeira etapa. No Rio de Janeiro, estão previstos 64 MW, também iniciados por 16 MW. Esses parques serão conectados por rotas de fibra redundantes aos principais pontos de troca de tráfego (IXs) do país, reforçando a capilaridade de rede oferecida pela Takoda.
Os investimentos de R$ 2 bilhões abrangem aquisição de terrenos, obras civis, sistemas de resfriamento de precisão, subestações de energia e contratos de geração renovável. A Takoda opera, desde 2022, com matriz energética 100% limpa — fator mantido como pilar estratégico na nova fase, de acordo com o CEO da empresa, Eduardo Sodero.
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Demandas do mercado e implicações regulatórias
O consumo de dados no Brasil cresce em média 25% ao ano, impulsionado por streaming, serviços em nuvem e 5G. Estudo da Associação Brasileira de Data Centers indica que a capacidade instalada no país deve dobrar até 2027, criando espaço para novos operadores e expansões de players existentes. A entrada de um gestor de infraestrutura tradicional sinaliza maior interesse de capitais institucionais no segmento, elevando a competição com companhias como Ascenty, ODATA e Equinix.
A conclusão da compra depende do aval do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE). Analistas de mercado avaliam que a aprovação é provável, dada a pulverização de participação no setor. Após o sinal verde regulatório, a Monte Capital pretende captar financiamentos estruturados e buscar eventuais parcerias com empresas de nuvem pública para ancorar parte da demanda dos novos sites.
Conclusão Técnica
Com a aquisição da Takoda, a Monte Capital inaugura uma vertical de infraestrutura digital e se posiciona para disputar um mercado cuja demanda por capacidade computacional cresce de forma exponencial. O plano de agregar 160 MW aos atuais 14 MW coloca a empresa entre os maiores desenvolvedores de data centers no curto prazo, condicionado apenas à aprovação do CADE e ao cumprimento do cronograma de construção. A gestora passa a deter ativos críticos para serviços em nuvem e telecomunicações, diversificando receitas e alinhando-se à tendência global de integração entre infraestrutura física e digital.




