O Banco Central do Uruguai autorizou nesta quinta-feira, 11 de junho de 2026, a aquisição de 100% do HSBC Uruguai pelo BTG Pactual (BPAC11), eliminando a última barreira regulatória e permitindo que o banco brasileiro avance na consolidação de sua estratégia de crescimento internacional na América Latina.
Processo regulatório concluído
A aprovação emitida pelo Banco Central do Uruguai (BCU) encerra um trâmite iniciado em julho de 2025, quando o acordo de compra foi anunciado. Desde então, a operação passou por análises de órgãos reguladores locais e internacionais, culminando no sinal verde definitivo desta semana. O aval do BCU permite a abertura do período de transição operacional, etapa em que serão definidos cronogramas de migração de sistemas, adequação de produtos e comunicação aos clientes.
De acordo com nota enviada à imprensa, o CEO do BTG Pactual, Roberto Sallouti, classificou a decisão como “um passo importante na consolidação da vocação regional do banco”. O executivo ressaltou que o Uruguai é considerado hub estratégico para atendimento de clientes latino-americanos, justificando a relevância da aprovação.
Detalhes financeiros e estrutura da transação
O contrato prevê a aquisição integral do capital do HSBC Uruguai, incluindo instrumentos adicionais, por aproximadamente US$ 175 milhões. O valor cobre participação acionária, direitos conexos e reservas de capital regulatório previstas na legislação uruguaia. Segundo fontes próximas à negociação, o acordo também abrange a manutenção temporária de determinadas equipes executivas para assegurar continuidade operacional durante a transição.
Concluída a liquidação financeira, o BTG Pactual assumirá ativos, passivos e carteira de clientes do HSBC Uruguai, incorporando linhas de negócio nos segmentos de wealth management, corporate banking e serviços de mercado de capitais. A integração contábil deve ocorrer ao longo dos próximos trimestres, sujeita a auditorias de closing e eventuais ajustes de preço previamente pactuados.
Expansão geográfica do BTG Pactual
A aquisição no Uruguai reforça um ciclo de expansão que incluiu, em janeiro de 2026, a compra do M.Y. Safra Bank nos Estados Unidos, passo que concedeu ao banco brasileiro licença bancária própria em território norte-americano. Na América Latina, o BTG já opera estruturas em Brasil, Chile, Colômbia, México, Peru e Argentina, posicionando-se como uma das maiores plataformas de serviços financeiros da região.
Imagem: Internet
Internamente, a estratégia é segmentada em três frentes: aumento de base de clientes institucionais, ampliação da oferta de produtos de investimento transfronteiriços e fortalecimento da distribuição digital. A presença no Uruguai deve funcionar como ponto de apoio logístico e regulatório para produtos internacionais oferecidos a investidores do Cone Sul.
Impacto no mercado uruguaio e próximos marcos
Para o sistema financeiro uruguaio, a entrada do BTG Pactual representa aumento de concorrência em segmentos de alta renda e impulso a produtos estruturados, tradicionalmente concentrados em poucas instituições. Em comunicado, Constantino Gotsis, CEO do HSBC Uruguai, afirmou que a autorização “abre um novo capítulo para o fortalecimento e crescimento do mercado local”. Até a conclusão formal, o HSBC Uruguai permanecerá operando com marca e governança atuais, assegurando continuidade de serviços a correntistas e investidores.
Os próximos passos envolvem: assinatura dos atos societários de transferência de controle; submissão de relatórios de compliance ao BCU; migração progressiva de contas correntes e aplicações para a plataforma tecnológica do BTG; e unificação de políticas de risco e governança. A expectativa oficial é finalizar a consumação do negócio antes do término do quarto trimestre de 2026.
Conclusão técnica
Com a aprovação definitiva do regulador uruguaio, o BTG Pactual está autorizado a incorporar o HSBC Uruguai, reforçando sua malha regional e acrescentando aproximadamente US$ 175 milhões em ativos estratégicos ao portfólio. A operação eleva a capacidade da instituição de oferecer soluções integradas a clientes latino-americanos e sustenta o plano de internacionalização que incluiu, no mesmo ano, a entrada no mercado bancário norte-americano. O processo segue agora para as fases de assinatura, liquidação financeira e integração operacional, com conclusão estimada para os próximos meses.




