Companhias aéreas dos EUA elevam gasto com combustível em 78% e projetam tarifas mais altas

Transportadoras norte-americanas desembolsaram 78% a mais com querosene de aviação em abril de 2026, de acordo com o Departamento de Transportes dos Estados Unidos (DOT); o aumento reflete a escalada do petróleo desde o início da guerra no Oriente Médio e pressiona resultados, rotas e preços de passagens.

Escalada do petróleo eleva custo por galão e comprime margens

Dados divulgados pelo Escritório de Estatísticas de Transporte (BTS) mostram que as companhias consumiram 1,573 bilhão de galões de combustível em abril, retração de 2,6% ante março. Apesar do menor volume, o valor pago avançou US$ 0,94 por galão na comparação mensal e US$ 1,81 frente a abril de 2025. O encarecimento acompanha a cotação do Brent, que permanece distante dos níveis pré-conflito no Oriente Médio. Para o setor, combustível já representa mais de um quarto das despesas operacionais e tende a ultrapassar esse patamar caso a pressão sobre o barril persista.

Companhias respondem com reajustes, cortes de rotas e revisão de serviços

Para mitigar o choque de custos, empresas têm adotado múltiplas frentes. A American Airlines anunciou a suspensão temporária de rotas internacionais durante o verão do hemisfério norte. Na Europa, o Grupo Lufthansa planeja eliminar 20 mil voos de curta distância até outubro, enquanto a Air Canada interrompeu operações no hub do Aeroporto Internacional John F. Kennedy, em Nova York. Além do redesenho de malha, cresce a aplicação de sobretaxas de combustível e a redução de benefícios a bordo, estratégia que busca preservar fluxo de caixa sem recorrer apenas ao aumento direto das tarifas-base.

Projeções da IATA indicam queda de lucratividade em 2026

A Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA) revisou para baixo a estimativa de lucro líquido conjunto das companhias, de US$ 41 bilhões para US$ 23 bilhões em 2026. O diretor-geral Willie Walsh atribui a redução principalmente ao avanço do combustível, cujo preço médio deve alcançar US$ 152 por barril, quase 70% acima do ano anterior. Com isso, a conta global de querosene pode chegar a US$ 350 bilhões, equivalendo a mais de 31% das despesas operacionais, ante 25% em 2025. Mesmo com demanda aquecida, a entidade alerta que o poder de repasse de custos tem limites, especialmente em rotas altamente competitivas.

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Conclusão técnica

O avanço de 78% no gasto de combustível pelas companhias aéreas dos Estados Unidos consolida uma tendência global de pressão sobre custos em meio à volatilidade do petróleo. A combinação de tarifas mais altas, ajustes de capacidade e estratégias de eficiência operacional deve permanecer enquanto persistirem tensões geopolíticas e preços elevados do barril. Analistas acompanham os desdobramentos no mercado de energia e eventuais intervenções regulatórias que possam influenciar oferta e demanda por voos nos próximos trimestres.