Startup de gestão assume bastidores de restaurantes e já fatura R$ 100 mil por mês

A.S. Gestão e Treinamento, empresa fundada em 2023 pelo chef e administrador André Silva, incorporou rotinas administrativas de nove restaurantes paulistanos e registra faturamento médio de R$ 100 mil mensais ao atacar um ponto crítico do setor: a ausência de processos de gestão profissionalizados.

Trajetória do fundador: da cozinha ao backoffice financeiro

André Silva iniciou a carreira em 2005, motivado por uma recomendação familiar de apostar na gastronomia. Ao longo de pouco mais de 15 anos, acumulou passagens por cozinhas de referência em São Paulo, como Dalva e Dito, e atuou ao lado de chefs renomados, entre eles Alex Atala e Renata Vanzetto. Em seguida, ocupou o cargo de gerente de compras no grupo comandado por Rodolfo De Santis.

A vivência operacional revelou um padrão: restaurantes com alta qualidade gastronômica, mas com lacunas significativas em controle de custos, fluxo de caixa e gestão de pessoas. Para suprir o déficit, o profissional concluiu um MBA em gestão de restaurantes em 2018 e passou a prestar consultoria. O projeto ganhou volume quando foi contratado como braço operacional do Grupo Nino; ali, pôde testar métodos que viriam a embasar a futura empresa.

Modelo de negócio: escritório terceirizado para quatro frentes críticas

Constituída em 2023, a A.S. Gestão e Treinamento opera em um escritório de 100 m² na região central de São Paulo e mantém 15 colaboradores. Diferentemente de consultorias tradicionais, o serviço foi estruturado para integrar-se à rotina dos clientes, funcionando como um departamento externo permanente. O portfólio de nove casas inclui Brim, Le Freak, Matiz, Metz, Giro, ATZI e Luci Bar; o ticket médio gira em torno de R$ 12 mil por estabelecimento.

O atendimento abrange quatro células especializadas:

Nutrição – cuida da documentação sanitária e produz manuais de boas práticas.
Compras – centraliza negociações para todos os restaurantes, proporcionando ganhos de escala e redução do Custo de Mercadoria Vendida (CMV).
Financeiro – monitora fluxo de caixa, elabora relatórios e projeta margens.
Recursos Humanos – controla ponto, turnover e passivo trabalhista, além de orientar líderes sobre conflitos de equipe.

Resultados financeiros e estratégia de expansão orgânica

Com pouco mais de um ano de operação formal, a companhia atinge faturamento recorrente de R$ 100 mil por mês. O crescimento ocorreu sem investimentos robustos em publicidade; 75% da carteira atual decorre de recomendações de chefs, investidores e gestores que já interagem no mercado gastronômico paulistano.

A proximidade semanal com cada cliente foi destacada por André Silva como fator de retenção. O fundador mantém presença física nos restaurantes para acompanhar indicadores críticos em tempo real, direcionar lideranças e ajustar processos de produção, compras e atendimento.

Próximos passos: criação de um hub de desenvolvimento para a gastronomia

O planejamento estratégico prevê a transformação da empresa em um centro de capacitação empreendedora. A meta é oferecer, em um único ambiente, palestras, demonstrações de equipamentos, testes de receitas e programas de formação continuada. O modelo pretende atrair novos empresários do setor e fomentar um ecossistema de troca de conhecimento que retroalimente o próprio negócio principal.

Conclusão técnica

A.S. Gestão e Treinamento demonstra que a terceirização de backoffice pode suprir carências estruturais comuns a empreendimentos gastronômicos, notadamente em compras, finanças e recursos humanos. O resultado financeiro — R$ 100 mil de receita mensal provenientes de nove contratos — confirma a demanda por soluções especializadas em gestão. A projeção para o curto prazo inclui a consolidação de um hub de know-how que, se bem executado, tende a expandir a base de clientes e a diversificar fontes de receita, mantendo o foco na elevação da eficiência operacional dos restaurantes atendidos.