Petrobras definiu como novo alvo reduzir a participação do diesel importado no abastecimento brasileiro de 29% para 15%, anunciou a presidente Magda Chambriard em 18 de junho de 2026, durante aula magna da Universidade de Sorbonne no Rio de Janeiro; a iniciativa envolve expansão do parque de refino nacional, hoje capaz de processar cerca de 1,8 milhão de barris por dia, mas ainda não tem prazo público para conclusão.
Expansão do parque de refino e métricas operacionais
Segundo Chambriard, os projetos em carteira contemplam ampliações em unidades já existentes e eventuais ajustes de configuração para elevar a produção de destilados médios, categoria que engloba o diesel. A companhia pretende, com isso, aproveitar a infraestrutura instalada em Refinaria Abreu e Lima (PE), Refinaria de Paulínia (SP) e Refinaria Duque de Caxias (RJ), entre outras, mitigando gargalos logísticos e aumentando o fator de utilização das plantas.
Atualmente, o parque brasileiro opera com grau médio de utilização em torno de 85% a 90%, de acordo com dados internos da estatal divulgados em relatórios recentes. Elevar esse índice para patamares superiores a 95% poderia adicionar até 180 mil barris diários de capacidade de processamento, volume suficiente para reduzir substancialmente a necessidade de importação.
Com a implementação de unidades de hidrotratamento — processo essencial para adequar o teor de enxofre aos padrões de comercialização — a petroleira espera ainda aumentar a competitividade do diesel nacional frente ao produto estrangeiro, reduzindo custos logísticos e exposição cambial.
Subvenção econômica ao diesel e implicações fiscais
O anúncio da meta ocorreu um dia após a estatal confirmar o recebimento de R$ 752 milhões, primeira parcela do programa de subvenção econômica à comercialização de óleo diesel, referente ao período de 12 a 31 de março de 2026, conforme a Medida Provisória nº 1.340. O mecanismo, criado para conter oscilações de preços ao consumidor, prevê participação igualitária entre União, estados e Distrito Federal.
Na sequência, a MP 1.349, de 7 de abril, elevou o incentivo para R$ 0,80 por litro de diesel produzido no país e R$ 1,20 por litro importado. Posteriormente, outra medida fixou subvenção de R$ 1,12 por litro para produtores e importadores autorizados. Esses ajustes refletem a estratégia governamental de equilibrar arrecadação com estabilidade de preços, ao mesmo tempo em que busca incentivar a produção doméstica.
Para a Petrobras, o subsídio reforça a viabilidade econômica dos investimentos em refino, pois reduz a defasagem entre o preço interno e as cotações internacionais. Já para as contas públicas, a medida implica desembolsos bilionários, exigindo monitoramento constante diante da volatilidade do mercado de petróleo.
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Impacto no abastecimento e no mercado de combustíveis
Diminuir a dependência externa de diesel para 15% pode gerar ganhos de segurança energética, sobretudo em períodos de elevada demanda no agronegócio e no transporte rodoviário. A autossuficiência — etapa seguinte da estratégia — reduziria a exposição a choques geopolíticos que afetam a oferta global de destilados médios.
No cenário competitivo, a execução dos projetos de expansão pressiona refinarias privadas a otimizar operações. Operadores independentes poderão enfrentar margens menores se o diesel nacional apresentar preços mais competitivos. Por outro lado, terminais de importação podem readequar portfólio para outros derivados, como gasolina de alta octanagem ou querosene de aviação.
O mercado de fretes marítimos de combustíveis, que hoje movimenta volumes significativos entre o Golfo do México e a costa brasileira, tende a se contrair gradualmente, com potencial redirecionamento de navios para rotas asiáticas. Agentes logísticos locais deverão ajustar contratos de longo prazo para evitar ociosidade.
Conclusão técnica
A meta de reduzir a importação de diesel para 15% inaugura um novo marco na política de refino da Petrobras. A empresa delineou projetos capazes de elevar a oferta interna, apoiados por subsídios governamentais que mitigam riscos de preço. O cronograma detalhado ainda não foi divulgado, mas os próximos passos incluem licenciamento ambiental, contratação de equipamentos e mobilização de empreiteiras especializadas. Caso os investimentos avancem nos prazos esperados pelo mercado, o Brasil poderá diminuir a vulnerabilidade externa no abastecimento de diesel e criar condições para alcançar a autossuficiência na segunda metade da década.




