BTG Pactual registra lucro de R$ 5,1 bilhões no 2T26 e sustenta ROE superior ao Itaú

O BTG Pactual reportou lucro líquido ajustado de R$ 5,1 bilhões no segundo trimestre de 2026, avanço de 22,6 % em relação ao mesmo período de 2025 e 6,9 % frente ao 1T26. A rentabilidade (ROAE) permaneceu elevada em 26,7 %, superando tanto o consenso de mercado (25,6 %) quanto o principal concorrente privado, o Itaú Unibanco, que encerrou o trimestre com 24,2 %. O desempenho foi impulsionado pela estratégia de diversificação de receitas, expansão da carteira de crédito e crescimento expressivo em plataformas de gestão de ativos e fortunas.

Resultados financeiros consolidados confirmam tendência de alta

A receita total atingiu R$ 10,37 bilhões, incremento de 16 % na comparação anual e 4 % em relação ao trimestre imediatamente anterior. O avanço se distribuiu de forma equilibrada entre as principais linhas de negócios, reforçando a tese de que o banco não depende de uma unidade isolada para sustentar a lucratividade.

Mesmo com a leve queda de 0,5 p.p. no ROAE em base anual, a margem ainda se manteve acima do patamar histórico de grandes bancos privados. Segundo o CEO Roberto Sallouti, o resultado recorde traduz “a capacidade de capturar oportunidades em diferentes ambientes de mercado”.

Do lado das despesas, a gestão de risco continuou disciplinada. A provisão para perdas de crédito acompanhou o crescimento da carteira, mas não houve pressão relevante sobre o índice de eficiência operacional, preservado abaixo de 40 %.

Diversificação de receitas ganha tração em pessoas físicas e crédito corporativo

No segmento Corporate Lending & Business Banking, a receita alcançou R$ 2,5 bilhões, alta de 19 % em 12 meses, refletindo maior demanda por capital de giro e financiamento a projetos. A carteira de grandes empresas avançou 25,1 % no trimestre, somando R$ 261,8 bilhões.

Já a frente Consumer Finance & Banking registrou salto de 74 % em um ano, para R$ 1,54 bilhão em receitas, impulsionada por crédito consignado privado e financiamento de veículos. A carteira de pessoa física totalizou R$ 78,2 bilhões, 35,2 % acima do 2T25.

Nem todas as engrenagens avançaram no mesmo ritmo. O Investment Banking reportou queda de 46 % na receita, totalizando R$ 421 milhões, afetado pela menor atividade no mercado de capitais, especialmente em dívidas (DCM). Apesar disso, o banco destacou a participação como único player latino-americano na coordenação do IPO da SpaceX, a maior abertura de capital já registrada.

A área de Sales & Trading mostrou resiliência, com recuo modesto de 3 % nas receitas, ficando em R$ 1,85 bilhão; a alocação de risco mais eficiente compensou a menor movimentação de clientes.

Gestão de ativos e fortunas atinge R$ 2,7 trilhões sob administração

O BTG captou R$ 59 bilhões líquidos em suas plataformas de Asset & Wealth Management no trimestre, elevando o total de ativos administrados para R$ 2,7 trilhões, avanço de 24,6 % em doze meses.

No Wealth Management & Personal Banking, as receitas alcançaram R$ 1,44 bilhão, apoiadas por crescimento orgânico e pela ampliação da base de clientes de alta renda. Já a divisão de Asset Management registrou faturamento de R$ 793,5 milhões, com AuM de R$ 1,36 trilhão.

Esse volume robusto reforça a relevância das plataformas de investimentos como motor de receitas recorrentes, mitigando a volatilidade típica das áreas de mercado de capitais.

Crédito total avança 24 % em três meses, com gestão seletiva de risco

A carteira consolidada atingiu R$ 366,6 bilhões, crescimento de 24 % ante o 1T26. O banco manteve disciplina na alocação, reduzindo exposição a PMEs — a carteira encolheu 7 % em 12 meses, para R$ 26,6 bilhões — em contrapartida ao avanço em segmentos de menor risco relativo, como grandes empresas e consignado privado.

Segundo a administração, a mudança reflete “uma alocação de capital ajustada ao risco em todos os segmentos de empréstimos corporativos”, política que explica a manutenção do custo de crédito em níveis controlados.

Conclusão técnica e próximos passos

O desempenho do BTG Pactual no 2T26 confirma a eficácia do modelo de negócio diversificado, capaz de gerar crescimento de dois dígitos em lucro e receita mesmo em cenário macroeconômico desafiador. A combinação de expansão no crédito a grandes empresas, aceleração no varejo financeiro e captações recordes em gestão de ativos sustenta a rentabilidade acima dos pares.

Para o segundo semestre, a administração sinaliza continuidade da estratégia de diversificação, ajuste seletivo de risco na carteira de crédito e captura de oportunidades em mercados de capitais internacionais. O principal desafio permanece na retomada das atividades de Investment Banking, dependente da normalização das emissões de dívida e ações. Caso o ambiente de mercado melhore, a tendência é de preservação do ROE em patamares superiores a 25 %, consolidando a posição do BTG como líder em rentabilidade entre os bancos brasileiros.