O Festival da Cultura Coreana chega à 19ª edição nos dias 15 e 16 de agosto, das 10h às 20h, na Praça Coronel Fernando Prestes, no Bom Retiro, com expectativa de atrair 100 mil visitantes; o evento gratuito reunirá música — incluindo dois shows do cantor Gaho —, gastronomia, arte e debates que celebram o Dia da Cultura Coreana e o Dia da Libertação Nacional da Coreia.
Agenda musical destaca Gaho e performances tradicionais
Realizado pela Associação Brasileira dos Coreanos, o festival apresentará uma série de espetáculos distribuídos em cronogramas distintos para cada dia. O ponto alto é a presença de Gaho, artista que conquistou projeção global com a faixa “Start Over”, trilha sonora do drama Itaewon Class. O cantor sobe ao Palco Principal às 19h no sábado (15) e às 18h30 no domingo (16), em performances que antecedem a turnê nacional “Gaho to Mars Brazil Tour”, programada para passar por outras sete capitais.
A programação inclui ainda ensembles de gayageum e daegeum, corais, demonstrações de samulnori e espetáculos de dança que mesclam jazz, hip-hop e covers de K-pop. Entre os destaques tradicionais estão o grupo Hannuri Yeonhui, da Universidade Nacional de Artes da Coreia, e o Brasil Taekwondo Demonstration Team, que exibe rotinas de artes marciais nos dois dias. Para fãs de música lírica, o barítono Daniel Lee interpreta canções clássicas ao lado de Soeui Yang, enquanto corais da comunidade coreana demonstram gêneros como o trot, estilo popular que remonta aos anos 1950.
No total, o palco recebe mais de 30 apresentações sequenciadas, obedecendo intervalos de, em média, 15 minutos, fórmula que mantém a rotatividade do público — estratégia validada na edição de 2025, quando o fluxo contínuo permitiu alcançar 96 mil espectadores sem registros de superlotação.
Gastronomia e mercado criativo ampliam a imersão cultural
Trinta barracas comandadas por restaurantes e empreendedores da maior comunidade coreana do Brasil formam a ala gastronômica. Pratos como bibimbap, bulgogi e tteokbokki serão vendidos entre R$ 20 e R$ 50. Dados da pesquisa Serasa 2026 indicam que 47 % dos brasileiros passaram a experimentar culinária coreana no último ano, reflexo direto da disseminação da Hallyu — a “Onda Coreana”. O festival capitaliza essa tendência ao ampliar o ticket médio de consumo de alimentos em eventos de rua, projetado em R$ 65 por visitante segundo estimativas da organização.
Além da comida, o Complexo Cultural Oswald de Andrade, situado na Rua Três Rios, abriga a feira Bomre-Dong Munhwa-ro, dedicada a arte, literatura e moda. No mesmo endereço ocorre a terceira edição do K-Debate, ciclo de mesas redondas que examina streaming, webtoons e turismo na Coreia. Paralelamente, o Arquivo Histórico Municipal recebe uma exposição curada pela Korea Creative Content Agency (KOCCA), mapeando setores que impulsionaram o país a um mercado cultural avaliado em US$ 12,4 bilhões em 2025, de acordo com o Ministério da Cultura, Esportes e Turismo da Coreia.
Os interessados em intercâmbio poderão visitar a Feira Study in Korea, operante das 10h às 16h nos dois dias. Universidades como Kyungbok, Kyungdong, Silla e Sun Moon apresentarão propostas acadêmicas, enquanto o Centro de Educação Coreana em São Paulo oferecerá orientações sobre bolsas e vistos. A mesma pesquisa Serasa aponta que 41 % dos entrevistados iniciaram o estudo do idioma coreano nos últimos 24 meses, estatística que sustenta a presença das instituições no evento.
Imagem: Divulgação
Hallyu no Brasil: números, cronologia e projeções
A popularidade da cultura coreana no país se intensificou a partir de 2012, com o sucesso de “Gangnam Style”. De lá para cá, o crescimento médio anual de buscas por termos relacionados ao K-pop no Google Brasil chegou a 16 %, conforme relatório interno da empresa. Em 2026, o estudo do Serasa Experian registrou que 76 % dos brasileiros manifestam interesse por conteúdos coreanos, índice que ultrapassa o nível de penetração em mercados como México (68 %) e Espanha (61 %).
O Festival da Cultura Coreana acompanha essa curva de adoção. Lançado em 2008 com público de 5 mil pessoas, o evento multiplicou sua audiência em ritmo composto de 25 % ao ano. A escolha do bairro Bom Retiro não é casual: a região abriga 30 % dos 50 mil residentes de origem coreana no estado, segundo a Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania. A proximidade da estação Tiradentes da Linha 1-Azul do Metrô facilita o acesso, oferecendo capacidade de transporte estimada em 20 mil passageiros por hora em cada sentido.
Para 2026, a organização mantém um plano de contingência em parceria com a Guarda Civil Metropolitana e o Comando de Policiamento de Área 1, prevendo efetivo de 350 agentes e pontos de evacuação sinalizados a cada 100 metros. A Secretaria Municipal da Saúde instalará três postos médicos avançados com suporte de ambulâncias de UTI móvel, refletindo protocolos adotados em grandes eventos como a Virada Cultural.
Conclusão técnica
Com estrutura gratuita, agenda multidisciplinar e apoio logístico consolidado, a 19ª edição do Festival da Cultura Coreana reforça a estratégia de difusão da Hallyu no Brasil. A estimativa de 100 mil visitantes coloca o encontro entre os maiores festivais culturais de imigrantes na América do Sul. Após os shows em São Paulo, Gaho inicia a “Gaho to Mars Brazil Tour”, ampliando a exposição do K-pop em mercados regionais. Para 2027, a Associação Brasileira dos Coreanos já analisa expandir a programação para três dias e incluir parcerias com plataformas de streaming locais, mantendo o foco em acessibilidade e crescimento sustentável.




