Diagnosticado com adenocarcinoma gástrico metastático, o advogado Tiago Martins Pitthan, 49 anos, celebrou no sábado, 30 de março, o próprio velório em vida em Campo Grande (MS), transformando o rito fúnebre em uma confraternização com samba, chope e cerca de 200 convidados.
Do diagnóstico à decisão: cronologia de uma escolha incomum
• 2023 – Pitthan recebeu o diagnóstico de adenocarcinoma gástrico com metástase no peritônio e nos pulmões.
• Janeiro de 2024 – início do tratamento paliativo, voltado à melhoria da qualidade de vida.
• Fevereiro de 2024 – planejamento do evento batizado pelo próprio advogado de “velório em vida”.
• 30 de março de 2024 – realização da celebração no bairro Jardim dos Estados, em Campo Grande, com duração de seis horas.
Ao rotular a reunião como velório, o advogado afirmou que “quando a gente dá nome às coisas, consegue enfrentá-las”, posicionando o ato como ferramenta de enfrentamento psicológico do prognóstico terminal.
Estrutura do evento: logística, participantes e simbolismos
A confraternização ocorreu em um salão coberto de 300 m², cedido por amigos da família. A organização incluiu:
• 800 copos de chope artesanal disponibilizados em sistema open bar.
• Roda de samba formada por 12 músicos locais, com repertório de clássicos de Cartola, Nelson Cavaquinho e Paulinho da Viola.
• Telão de 120 polegadas exibindo fotos da trajetória pessoal e profissional do homenageado.
• Presença de aproximadamente 200 pessoas, entre familiares, colegas de profissão, vizinhos e seguidores que conheceram a história pela internet.
• Discursos programados de cinco minutos cada, respeitando ordem definida pela família e intermediados por uma cerimonialista.
O advogado encerrou a solenidade declarando: “Eu sou muito mais que o diagnóstico. Todos os outros dias estou vivendo”. A fala foi seguida por gritos de “Viva Tiago!” e aplausos contínuos por quase dois minutos.
Repercussão digital e impacto social
O vídeo oficial, publicado no perfil de Instagram do homenageado, alcançou 1,7 milhão de visualizações e 18 mil comentários em 48 horas. Entre as mensagens, destacam-se manifestações de:
• Profissionais de saúde paliativa elogiando a atitude como exemplo de autonomia do paciente.
• Usuários que se autodeclararam portadores de câncer em fase avançada e relataram inspiração para novas perspectivas de enfrentamento.
• Críticos que questionaram a exposição pública do ritual, representando menos de 2 % das interações mensuradas, segundo análise de sentimento realizada por ferramenta de social listening citada pela família.
Imagem: Instagram
O termo “velório em vida” entrou nos assuntos mais comentados do X (ex-Twitter) no Brasil às 21h15 do dia do evento, registrado pelo painel Trends24.
Dimensão médica e ética dos cuidados paliativos
Segundo protocolos da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, a autonomia do paciente é princípio central nos cuidados paliativos, respeitando-se desejos expressos enquanto a capacidade cognitiva se mantém preservada. O oncologista Dr. André Gonçalves, que acompanha casos semelhantes, explica que encontros de despedida podem:
• Reduzir indicadores de depressão e ansiedade no paciente, medidos pelas escalas HADS (Hospital Anxiety and Depression Scale).
• Favorecer o luto antecipatório entre familiares, atenuando quadros de luto complicado no pós-óbito.
• Exigir planejamento para evitar sobrecarga física, delimitando tempo de exposição e garantindo suporte clínico próximo.
Não há impedimento legal para a realização de velórios em vida no Brasil, desde que não envolvam práticas que contrariem normas sanitárias ou gerem riscos coletivos, conforme a Resolução 1.995/2012 do Conselho Federal de Medicina sobre diretivas antecipadas de vontade.
Conclusão técnica
Tiago Martins Pitthan segue em tratamento paliativo domiciliar, monitorado por equipe multidisciplinar formada por oncologista, enfermeiro, psicóloga e nutricionista. A expectativa clínica é de controle sintomático, sem perspectiva de reversão da enfermidade. A família planeja manter atualizações periódicas sobre o estado de saúde nas redes sociais, ao passo que organizações de apoio a pacientes oncológicos avaliam incorporar a experiência do “velório em vida” em materiais educativos sobre autonomia e humanização do fim de vida.




