Novo terminal do Aeroporto de Florença unirá aviação, arquitetura e tradição vitivinícola ao instalar 7,7 hectares de vinhas no telhado do edifício, inaugurando produção própria de rótulos a partir de 2026.
Dimensões e configuração do complexo
O projeto assinado pelo escritório Rafael Viñoly Architects prevê um terminal linear que substituirá parte da estrutura atual do Aeroporto Amerigo Vespucci, ampliando a capacidade de embarque e desembarque. Conforme o estudo preliminar, 7,7 hectares de vinhas serão dispostos em 38 fileiras paralelas sobre a cobertura, formando um parque agrícola suspenso visível do solo e das rotas de aproximação.
A solução estrutural congrega lajes de concreto pós-tensionado com sistema de impermeabilização específico para cultivo, drenagem pluvial dedicada e proteção radicular. Cada linha de plantio terá largura média de 1,2 m, espaçamento intercalar de 2,1 m e sustentação por treliças metálicas, permitindo a circulação técnica e a manutenção periódica.
Internamente, estão reservados módulos para vinificação, armazenamento em barricas e engarrafamento, totalizando 3 000 m². A cadeia produtiva será administrada por enólogos locais, em parceria com cooperativas da Toscana, garantindo denominação de origem controlada.
Soluções de sustentabilidade e eficiência energética
Os arquitetos indicam que o terminal aproveitará o microclima gerado pela massa vegetal para reduzir ganhos térmicos na cobertura, contribuindo para a diminuição de até 4 °C na temperatura interna durante o verão. O telhado-vinhedo funcionará como camada de insulação viva, atenuando demanda por ar-condicionado e, consequentemente, baixando o consumo anual de energia em cerca de 14 %, segundo simulações do projeto executivo.
A edificação contará ainda com:
- Claraboias longitudinais que possibilitam iluminação natural em 60 % das áreas públicas;
- Sistema fotovoltaico de 1,8 MWp instalado nas faixas livres de cultivo;
- Captação e reúso de águas pluviais para irrigação por gotejamento;
- Conexão direta com trem de alta velocidade e terminal rodoviário regional, favorecendo intermodalidade.
O conceito de landscape blending aproxima a volumetria do terminal à morfologia da Toscana ao replicar a padronagem dos vinhedos regionais. Dessa forma, o impacto visual da infraestrutura aérea é mitigado, favorecendo a aceitação comunitária e alinhando-se a diretrizes de preservação paisagística.
Impacto operacional, cronograma e expectativa de movimentação
A fase de construção será dividida em duas etapas. A primeira, com início previsto para o quarto trimestre de 2026, incluirá fundações, estruturas primárias e implantação inicial das vinhas. A segunda, entre 2027 e 2028, contemplará a conclusão dos salões de passageiros e a entrada em operação da adega.
Imagem: viagens
Com a expansão, a capacidade anual do aeroporto deverá saltar de 3,2 milhões para 5,9 milhões de viajantes, aliviando a demanda sobre o aeroporto de Pisa, localizado a 80 km. Estimativas operacionais apontam acréscimo de 45 % nas rotas internacionais de médio curso a partir do primeiro ano de funcionamento pleno.
Para o vinhedo, o planejamento agrícola indica produtividade média de 6 toneladas por hectare, resultando em até 46 000 garrafas por safra. Parte do volume será comercializada em duty free e salas VIP; o excedente abastecerá pontos turísticos parceiros, reforçando a identidade regional.
Referências culturais e posicionamento estratégico
A integração entre terminal aéreo e cultura vitivinícola segue tendência global de experiências de viagem imersivas. Ao incorporar produção agrícola in loco, o Aeroporto de Florença fortalece o branding territorial da Toscana, conhecida por denominações como Chianti e Brunello di Montalcino. A iniciativa também posiciona o ativo aeroportuário como vitrine de enoturismo, setor que movimenta cerca de 2,5 bilhões de euros anuais na região, de acordo com dados da Associazione Nazionale Città del Vino.
Analistas de infraestrutura projetam valorização imobiliária no entorno e aumento do fluxo de visitantes corporativos ligados às indústrias alimentícia e arquitetônica, atraídos pela singularidade do empreendimento.
Conclusão técnica
O novo terminal de Florença avança como caso emblemático de convergência entre transporte aéreo, sustentabilidade e agroindústria. Com vinhedo de 7,7 hectares sobre a cobertura, produção anual estimada em 46 000 garrafas e expectativa de quase dobrar a capacidade de passageiros, o projeto deve consolidar-se até 2028 como referência mundial em design aeroportuário de baixo impacto visual. A próxima etapa envolve licitações de obras civis, seleção de variedades de uva adaptadas ao ambiente suspenso e homologação operacional junto à ENAC, autoridade de aviação civil italiana.




