Allos reestrutura portfólio: vende Shopping Curitiba por R$ 193,7 milhões e reforça participação em ativos de alto desempenho

A Allos comunicou um pacote de operações que inclui a alienação total de 49 % no Shopping Curitiba, por R$ 193,7 milhões, e o aumento de participação em empreendimentos com vendas anuais superiores a R$ 1 bilhão, movimento que realinha capital a centros comerciais de produtividade acima da média.

Desinvestimento estratégico: saída integral do Shopping Curitiba

A companhia firmou memorando para alienar a totalidade de sua fatia de 49 % no Shopping Curitiba. O preço acordado refere-se a um cap rate de 9,5 %, parâmetro que reflete a relação entre o potencial de geração de caixa do ativo e o valor de venda. O pagamento combina parcela à vista e montante a ser quitado em caixa ou por meio de subscrição de cotas de fundos imobiliários, conforme opção do comprador.

Com a operação, a Allos reduz sua exposição a um empreendimento classificado como maduro, cujo espaço de expansão é considerado limitado. Segundo comunicados anteriores, a companhia prioriza imóveis que apresentem performance comercial crescente e potencial de inovação no mix de lojas. A alienação libera recursos para investimentos direcionados a ativos com indicadores de venda por metro quadrado superiores à média do portfólio.

No contexto de mercado, a desmobilização segue a tendência observada entre gestores de shoppings no Brasil que buscam reciclar capital para alavancar retornos. Dados da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce) mostram que, em 2025, o setor registrou R$ 201 bilhões em faturamento, avanço de 1,2 % ano a ano, com destaque para a manutenção de 95,4 % de taxa de ocupação.

Reforço em ativos bilionários: expansão no Amazonas Shopping

Paralelamente à venda no Paraná, a Allos protocolou intenção de aquisição adicional de participação no Amazonas Shopping, em Manaus, classificado pela empresa como um dos ativos mais relevantes de seu portfólio. O desembolso global pode alcançar R$ 178,2 milhões, a depender das condições de exercício das opções de compra.

A companhia estima ampliar a fatia de aproximadamente 24,7 % para cerca de 32 %, por meio da compra de 7,3 % das cotas atualmente detidas por sócios minoritários. O shopping integra o grupo de empreendimentos com volume anual de vendas superior a R$ 1 bilhão, categoria priorizada pela administração devido à sua resiliência de fluxo, ticket médio elevado e relevância regional.

Esse movimento sinaliza a preferência corporativa por ativos localizados em capitais com alta densidade populacional e menor nível de competição direta. De acordo com a Abrasce, a região Norte responde por 3 % da Área Bruta Locável (ABL) nacional, mas apresenta crescimento acima da média em termos de faturamento percentual, impulsionado por ganhos de renda e menor canibalização de mercado.

Permuta de participações e métricas operacionais do setor

O redesenho do portfólio contempla ainda um acordo de permuta que envolve quatro shoppings:

  • Entrada: participações adicionais no Shopping Campo Grande (MS) e no Shopping Villagio Caxias do Sul (RS);
  • Saída: redução da posição no Shopping Taboão (SP);
  • Compensação financeira: desembolso suplementar de R$ 20 milhões.

A lógica declarada pela administração sustenta que os ativos recebedores apresentam vendas por metro quadrado 20 % superiores à média dos empreendimentos nos quais a empresa diminui participação. A estratégia visa elevar a rentabilidade do capital investido, ajustando o portfólio ao eixo de maior same-store sales.

Em escala setorial, o Brasil contabiliza 658 shoppings distribuídos por 253 cidades. A projeção da Abrasce indica a inauguração de 11 novos centros até o fim de 2026, dos quais seis se concentram no Sudeste — região responsável por 57 % do faturamento geral. O Nordeste, por sua vez, lidera em produtividade, com R$ 350,4 milhões de receita média por shopping, contra R$ 305,3 milhões da média nacional.

A ABL total do setor soma 18,3 milhões de m², e o número de lojas ultrapassa 124,7 mil, refletindo crescimento médio quinquenal de 31,2 %. Esses indicadores reforçam o potencial de captura de sinergias escalares por operadores com presença nacional, caso da Allos.

Conclusão técnica

Com a alienação da participação no Shopping Curitiba, a ampliação no Amazonas Shopping e a permuta que aumenta exposição a Campo Grande e Caxias do Sul, a Allos avança na estratégia de reciclagem de capital voltada a ativos de maior giro e robustez de vendas. A expectativa de conclusão das transações está condicionada a etapas de diligência e aprovações regulatórias usuais. Mantida a dinâmica atual, a companhia deve seguir avaliando oportunidades de aquisição seletiva e desinvestimento em empreendimentos considerados maduros, de modo a otimizar retorno sobre o capital e reforçar a posição em shoppings com performance acima da curva setorial.