Ambev surpreende com lucro ajustado de R$ 3,8 bi no 1T26 e ações disparam 15% às vésperas da Copa

A Ambev registrou lucro líquido ajustado de R$ 3,8 bilhões no primeiro trimestre de 2026, informou ao mercado nesta terça-feira; o resultado, acompanhado de alta de 8,1% na receita líquida e de 10,1% no Ebitda ajustado, impulsionou as ações da companhia a uma valorização de 15% no Ibovespa durante a manhã, reforçando a percepção de retomada de volumes no Brasil e consolidando a fabricante de bebidas como um dos destaques operacionais do ano.

Desempenho financeiro do 1T26

O trimestre encerrou‐se com R$ 22,5 bilhões de receita líquida, praticamente estável em base anual (−0,1%), refletindo equilíbrio entre aumento de preços e oscilações cambiais. O Ebitda ajustado somou R$ 7,5 bilhões, crescimento de 1,5% frente ao mesmo período de 2025, sustentado por expansão de 50 pontos‐base na margem, para 33,6%.

Apesar do avanço operacional, o resultado financeiro líquido negativo de R$ 1 bilhão — impactado por maiores despesas com derivativos e variação cambial — limitou a evolução do lucro, que ainda apresentou leve aumento de 0,3%.

O fluxo de caixa operacional atingiu R$ 3,1 bilhões, alta de 162,5% sobre igual intervalo do ano anterior, influenciado pela melhora no capital de giro e pela disciplina de custos. No encerramento de março, a posição de caixa líquido era favorável em aproximadamente R$ 16,5 bilhões, sinalizando robustez na estrutura de capital e baixa alavancagem.

Fatores operacionais que sustentaram o avanço

O volume total vendido foi de 44,9 milhões de hectolitros, recuo de 0,8% causado por desempenho mais fraco em algumas subsidiárias internacionais. No Brasil, entretanto, as vendas de cerveja cresceram 1,2% e superaram estimativas de analistas, amparadas por ações de gestão de portfólio e ganho de participação em segmentos premium.

Os custos por hectolitro avançaram 8,5%, pressionados por câmbio e preços de commodities. A companhia compensou parcialmente esse impacto por meio de iniciativas de gestão de receita e maior eficiência logística, garantindo proteção de margem em um cenário de insumos voláteis.

Relatórios de instituições como JP Morgan e BTG Pactual destacaram que o período marcou a transição de uma estratégia focada apenas em contenção de despesas — predominante em 2025 — para um “pacote completo”, no qual crescimento de volumes e controle de custos caminham juntos. Já o Citi observou aceleração na qualidade da execução comercial, fator determinante para a reação positiva do mercado.

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Ecossistema digital e preparação para a Copa do Mundo

Com a proximidade da Copa do Mundo de 2026, a Ambev aposta em seus canais digitais para capturar demanda adicional. A companhia informou que os aplicativos BEES (relacionado aos pontos de venda) e Zé Delivery (direto ao consumidor) continuarão a “fortalecer a execução, melhorar a alocação de recursos e apoiar a escalabilidade da estratégia de crescimento”.

O Zé Delivery conta com cerca de 80% da base formada por consumidores da Geração Z e Millennials, perfil considerado estratégico para campanhas promocionais ligadas ao torneio. Ao mesmo tempo, o canal business-to-business BEES reforça a capilaridade em bares e restaurantes, ambiente que tende a registrar picos de consumo durante eventos esportivos de grande porte.

A companhia também enfatizou o desempenho das marcas premium, que lideraram a expansão de volume, contrastando com retração das linhas Core e Value, mais sensíveis a clima e consumo fora do lar. Os dados sugerem mudança no mix em direção a rótulos de maior margem, elemento que pode ampliar a lucratividade caso o padrão de consumo persista ao longo do ano.

Conclusão Técnica

Os resultados do primeiro trimestre evidenciam resiliência operacional da Ambev, combinando crescimento moderado de volume no mercado doméstico a ganhos de eficiência que sustentaram margens, mesmo com custos de insumos ainda pressionados. A posição de caixa líquido e o avanço expressivo no fluxo de caixa operacional conferem flexibilidade financeira para iniciativas de marketing e expansão de portfólio ligadas à Copa do Mundo.

Para os próximos trimestres, a atenção do mercado se volta ao desempenho das unidades internacionais, à evolução dos custos de commodities e à capacidade de a empresa capitalizar o engajamento de seus canais digitais. A continuidade de volumes ascendentes no Brasil, aliada a estabilidade cambial e controle de custos, desponta como variável crítica para manutenção do atual momento positivo nas ações.