A Agência Nacional de Vigilância Sanitária determinou o recolhimento imediato e a suspensão de venda de todos os suplementos alimentares da Sanibras Medicamentos e Nutrição, bem como de lotes específicos da IDNLABS Indústria Pharmaceutical & Food Supplements, após constatar irregularidades críticas nos processos de fabricação, rotulagem e garantia de qualidade.
Medidas regulatórias publicadas no Diário Oficial
A resolução da Anvisa foi divulgada na edição de 19 de junho de 2026 do Diário Oficial da União. Para a Sanibras Medicamentos e Nutrição, a agência determinou o recolhimento de 100 % dos lotes de suplementos fabricados até 12 de junho de 2026, além da proibição de fabricação, divulgação e uso desses produtos em todo o território nacional. No caso da IDNLABS Indústria Pharmaceutical & Food Supplements, a medida atinge:
- Creatina em pó – Lotes 0148.05.2025, 0285.05.2025 e 0147.05.2025
- BCAA 2-1-1 em comprimidos – Lotes 003.01.2025, 004.01.2025 e 044.01.2025
- Beta-alanina em pó – Lotes 0267.08.2025, 0149.05.2025 e 079.02.2025
- Multivitamínicos e multiminerais revestidos – Lotes 005.01.2026 e 0211.07.2025
A própria IDNLABS já havia iniciado recolhimento voluntário, mas a resolução federal estende a proibição à distribuição e ao consumo enquanto durarem as investigações.
Irregularidades detectadas nas inspeções sanitárias
Auditores da Anvisa realizaram inspeção presencial na unidade fabril da Sanibras e identificaram “não conformidades graves e sistêmicas” relativas às Boas Práticas de Fabricação. Entre os principais problemas constatados estão:
- Ausência de estudos de estabilidade capazes de comprovar a manutenção da identidade, segurança e eficácia dos suplementos durante todo o prazo de validade.
- Falta de controles para prevenir contaminação direta e contaminação cruzada entre linhas de produção.
- Emprego de alegações terapêuticas, funcionais e de saúde não autorizadas nos materiais publicitários e nos rótulos.
No caso da IDNLABS, análises laboratoriais revelaram três categorias de inconformidades:
- Ingredientes abaixo do quantitativo declarado nos rótulos, o que caracteriza infração à composição nutricional prometida ao consumidor.
- Recomendações de uso acima dos limites diários estipulados pela regulamentação brasileira, elevando o risco de efeitos adversos.
- Divulgação de alegações não autorizadas relacionadas a ganho de performance e benefícios terapêuticos.
Repercussão para consumidores, varejo e indústria
Suplementos alimentares movimentam, segundo dados de mercado, mais de R$ 5 bilhões por ano no Brasil. A retirada simultânea de produtos de duas companhias impacta três frentes principais:
1. Consumidores finais – Academias, lojas especializadas e farmácias deverão retirar imediatamente os itens listados das prateleiras. Quem já possui os lotes afetados é orientado a suspender o uso e entrar em contato com os serviços de atendimento das empresas para instruções de devolução ou ressarcimento.
Imagem: Internet
2. Varejo e distribuição – Estabelecimentos que mantiverem estoque em circulação estão sujeitos a autuações, multas e apreensões pela vigilância sanitária estadual ou municipal.
3. Cadeia produtiva – A decisão pressiona fabricantes a reforçar a rastreabilidade, os controles analíticos de matérias-primas e a conformidade das alegações de marketing às normas vigentes. Entidades do setor estimam que cerca de 15 % das empresas podem enfrentar revisões de processos nos próximos trimestres.
Histórico de ações similares e marcos regulatórios
Nos últimos cinco anos, a Anvisa publicou em média 40 resoluções de recolhimento por período anual, abrangendo desde medicamentos até cosméticos. Para suplementos alimentares, ganhou destaque a Resolução RDC 243/2018, que definiu parâmetros de composição, rotulagem e propaganda. O caso atual marca um dos maiores recalls simultâneos de suplementos desde a entrada em vigor dessa norma.
Especialistas em direito sanitário recordam que, após um recolhimento compulsório, as empresas devem apresentar à agência um Plano de Ação Corretiva contendo cronograma, procedimentos de descarte seguro e auditoria de terceiros. O descumprimento pode acarretar interdições parciais ou totais das linhas de produção, além de multas que variam de R$ 2 mil a R$ 1,5 milhão por infração.
Conclusão técnica e próximos passos
A Anvisa seguirá monitorando o recolhimento dos suplementos da Sanibras Medicamentos e Nutrição e dos lotes específicos da IDNLABS Indústria Pharmaceutical & Food Supplements. As companhias terão de comprovar a destruição dos produtos irregulares, revisar protocolos de qualidade e submeter novas evidências de estabilidade e segurança antes de solicitar a retomada das operações. Até que os requisitos sejam integralmente cumpridos e validados pelas autoridades sanitárias, permanece vedada a fabricação, a distribuição e o uso comercial dos itens listados.




