Axia Energia brilha em meio à turbulência do setor elétrico e deve crescer mais de 30% no 1T26, projeta Itaú BBA

São Paulo — A Axia Energia (AXIA3), antiga Eletrobras, deve liderar os resultados do primeiro trimestre de 2026 no setor elétrico brasileiro, segundo relatório divulgado pelo Itaú BBA nesta segunda-feira (3). A casa de análise aponta que, mesmo diante de queda na demanda, condições hidrológicas desfavoráveis e disparada nos preços de energia, a companhia apresenta combinação de portfólio flexível e exposição vantajosa ao mercado de curto prazo, sustentando expectativa de avanço de 30,7% na receita anual.

Trimestre começa com demanda menor e preços mais altos

De janeiro a março, o consumo médio no Sistema Interligado Nacional (SIN) ficou em 84,9 GW médios, recuo de 1,4% na comparação com igual período de 2025. Esse arrefecimento limita o potencial de crescimento das distribuidoras, que dependem diretamente da expansão do mercado atendido.

O cenário adverso foi agravado pelo Índice de Geração de Energia (GSF), que caiu de 1,07 para 0,92 — movimento que penaliza usinas hidrelétricas mais expostas. Em contrapartida, o Preço de Liquidação das Diferenças (PLD) médio quase dobrou, alcançando R$ 308/MWh no submercado Sudeste/Centro-Oeste e R$ 358/MWh no Sul. Durante o trimestre, o valor oscilou do piso regulatório ao teto de R$ 1.622/MWh.

Essa combinação — menor volume, porém preço mais elevado — abriu espaço para ganhos pontuais de geradoras com menor contratação ou com possibilidade de redirecionar energia, perfil no qual a Axia Energia se encaixa com vantagem.

Por que a Axia Energia deve superar os pares

Com atuação robusta na geração e portfólio de contratos mais flexível que a média do setor, a Axia foi menos impactada pela redução do GSF e, ao mesmo tempo, conseguiu capturar valor no mercado de curto prazo. Os analistas do Itaú BBA estimam salto de 30,7% na receita do 1T26, respaldado principalmente:

  • pela alta dos preços spot, alavancando a energia descontratada;
  • pela diversificação entre fontes hídrica, eólica e nuclear, que mitiga riscos de sazonalidade;
  • pelas sinergias obtidas após processos recentes de reorganização societária.

O banco mantém recomendação de compra para AXIA3, destacando que a empresa apresenta “exposição positiva ao atual momento de volatilidade” e deve reportar margens acima da média histórica.

Alupar avança de forma equilibrada

A Alupar (ALUP11) também figura entre os nomes menos afetados. Na transmissão, o crescimento segue ancorado na Receita Anual Permitida (RAP), mecanismo de remuneração considerado previsível. Já na geração, mesmo com curtailment em torno de 23% na produção renovável, os preços elevados compensam parcialmente a perda de volume. O resultado, segundo o Itaú BBA, tende a ser um trimestre estável, sem surpresas negativas expressivas.

Distribuidoras exibem desempenho heterogêneo

Entre as empresas de distribuição, o banco traça cenários díspares:

  • Energisa (ENGI11): espera-se crescimento moderado de volumes e leve melhora nas perdas operacionais.
  • Equatorial (EQTL3): deve manter expansão mais forte nas regiões Norte e Nordeste, embora a divisão de renováveis permaneça pressionada.
  • CPFL Energia (CPFE3): tende a sentir com mais intensidade a retração da carga, além de enfrentar condições de vento menos favoráveis e curtailment superior a 20% em parques eólicos.

Essa disparidade reflete diferenças regionais de demanda e características particulares de cada portfólio de compra e venda de energia.

Saneamento: Sabesp mantém crescimento, mas recomendação fica neutra

Fora do núcleo de geração e distribuição elétrica, a Sabesp (SBSP3) deve registrar aumento de receita devido ao reajuste tarifário anual e à elevação do volume faturado. Entretanto, mesmo com custos controlados, os analistas preferem postura de cautela e reiteram recomendação neutra, citando discussões regulatórias e cenário político como riscos adicionais no médio prazo.

Indicadores-chave monitorados pelos analistas

O relatório do Itaú BBA lista fatores que merecem atenção na temporada de balanços:

  1. Volume distribuído — Termômetro direto da atividade econômica nas concessões.
  2. GSF e hidrologia — Determinam a necessidade de compra de energia para honrar contratos.
  3. PLD médio e volatilidade — Influenciam receitas de comercialização e custos de exposição ao mercado de curto prazo.
  4. Nível de curtailment — Impacta parques eólicos e solares, reduzindo produção efetiva.
  5. Variação da RAP — Principal driver das transmissoras, repassado anualmente pelo regulador.

Esses pontos, segundo o banco, ajudarão a explicar por que algumas companhias devem apresentar avanço de margem e outras, retração significativa.

Calendário de divulgação e projeções resumidas

A temporada de resultados começa na próxima semana, com Axia Energia abrindo o calendário do subsetor de geração. Confira as principais datas e estimativas do Itaú BBA:

  • Axia Energia (AXIA3): 8 de maio — Receita +30,7% ano a ano.
  • Alupar (ALUP11): 10 de maio — Receita estável, margem Ebitda levemente maior.
  • Energisa (ENGI11): 13 de maio — Expansão de volume na faixa de 2%.
  • Equatorial (EQTL3): 15 de maio — Crescimento de duplo dígito em energia distribuída no Norte/Nordeste.
  • CPFL Energia (CPFE3): 17 de maio — Queda de volume e pressão em geração renovável.
  • Sabesp (SBSP3): 22 de maio — Incremento de receita atrelado a reajuste tarifário.

Os números finais confirmarão ou não as projeções, mas o banco reforça que, à exceção de Axia, as companhias devem apresentar resultados mais fracos do que aqueles vistos nos trimestres anteriores.

Conclusão

O primeiro trimestre de 2026 será um teste de resiliência para as empresas de energia elétrica. Queda de demanda, hidrologia menos favorável e volatilidade recorde nos preços impõem desafios significativos às margens operacionais. Mesmo nesse ambiente, a análise do Itaú BBA aponta a Axia Energia como destaque positivo, sustentada por portfólio ajustável e exposição estratégica ao mercado spot. Já Alupar, Energisa, Equatorial, CPFL Energia e Sabesp devem registrar performances variáveis, refletindo dinâmicas regionais e operacionais distintas. O mercado agora aguarda a divulgação oficial dos balanços para mensurar, em números concretos, o impacto desses fatores sobre cada companhia.