Axia Energia, Itaú e Petrobras concentram preferências de 12 casas para atravessar a volatilidade de maio

Axia Energia, Itaú e Petrobras receberam quatro indicações cada entre os 12 bancos e corretoras consultados, tornando-se as escolhas prioritárias dos analistas para enfrentar o mês de maio, marcado por Selic a 14,50 %, escalada dos preços do petróleo acima de US$ 100 e tensões geopolíticas que elevam o risco nos mercados globais.

Pressões macroeconômicas ampliam busca por ativos defensivos

O bloqueio duplo no Estreito de Ormuz mantém o impasse entre EUA e Irã, restringindo oferta de petróleo e sustentando o Brent acima de US$ 100 desde o fim de abril. A consequência direta é o aumento da pressão inflacionária nas principais economias, o que levou bancos centrais a sinalizar aperto monetário ou manutenção de juros em patamares elevados.

No Brasil, a ata mais recente do Comitê de Política Monetária confirmou preocupação com a persistência inflacionária, mesmo após o corte que levou a Selic a 14,50 % ao ano. Esse ambiente de juros altos, combinado à volatilidade global, reforça a procura por empresas com geração de caixa robusta, distribuição consistente de dividendos e histórico operacional comprovado – características presentes nas três líderes do ranking.

Axia Energia mantém desempenho de destaque após privatização

Privatizada em 2022, a Axia Energia concluiu ampla reestruturação de capital, com redução de endividamento, revisão contratual e alienação de ativos não essenciais. Analistas da Empiricus Research observam que a companhia negocia a múltiplos atrativos, equivalentes a 7,6 x valor da firma/Ebitda, e consolida-se como pagadora recorrente de dividendos.

Relatório do Santander aponta distribuição projetada de R$ 38 bilhões em proventos até 2030, o que implica dividend yield estimado de 19 %, assumindo preço conservador de R$ 130/MWh a partir de 2027. Além dos fundamentos, gargalos de transmissão e o aumento de fontes intermitentes elevam o preço spot de energia, favorecendo a receita da empresa.

Itaú reforça posição de porto seguro no setor financeiro

Recomendado por Andbank, Nova Futura, Terra Investimentos e RB Investimentos, o Itaú é apontado como ativo defensivo em períodos de incerteza. Segundo relatório interno do próprio banco, o conglomerado possui liderança em múltiplos segmentos e diversificação que reduz a volatilidade dos lucros.

Analistas elevaram recentemente o preço-alvo das ações preferenciais de R$ 49,00 para R$ 50,00, mantendo recomendação de compra. A instituição é destacada pela gestão de crédito cautelosa, avanço na transformação digital e capacidade de geração de caixa, fatores que sustentam pagamentos mensais de Juros sobre Capital Próprio e complementos trimestrais, atraindo investidores ávidos por renda.

Petrobras capitaliza a alta do petróleo e vislumbra dividendos expressivos

O ambiente de petróleo caro coloca a Petrobras em posição privilegiada. Estimativas da Empiricus Research apontam dividend yield próximo de 10 %, impulsionado pelo maior preço de venda e pela trajetória de crescimento de produção prevista para os próximos trimestres.

Embora o conflito no Oriente Médio represente risco para a economia doméstica via inflação, o repasse positivo aos resultados da estatal compensa parte da pressão. Analistas ainda notam a existência de potenciais catalisadores políticos que podem ampliar o interesse do mercado pelas ações no curto prazo.

Conclusão Técnica

A predominância de Axia Energia, Itaú e Petrobras no levantamento reflete a preferência dos analistas por modelos de negócios resilientes, fluxo de caixa estável e política de dividendos clara em meio a um cenário de Selic elevada, inflação pressionada e tensões geopolíticas. Se as projeções de preços de energia e petróleo se mantiverem, e a disciplina de capital dessas empresas for preservada, a expectativa é de continuidade do interesse dos investidores, com revisões de preço-alvo e eventuais ajustes táticos conforme o ambiente macroeconômico evoluir ao longo de 2026.