Banco do Brasil destaca avanço operacional mesmo com lucro 50% menor no 1T26

Banco do Brasil apresentou queda superior a 50% no lucro do primeiro trimestre de 2026, mas a diretoria defende que indicadores como margem financeira e capitalização já sinalizam uma fase de retomada sustentada.

Lucro encolhe, mas gestão aponta mudança estrutural

O vice-presidente de Gestão Financeira e Relações com Investidores, Geovanne Tobias, reconheceu o impacto da retração no resultado líquido, porém afirmou que observar apenas o lucro “deixa de capturar movimentos relevantes” na estratégia do banco. Em videocast divulgado em 13 de maio de 2026, o executivo reforçou que a instituição atravessa “fase de recuperação” após revisões profundas nos critérios de concessão de crédito.

No 1T26, o lucro líquido atingiu patamar 50,2% inferior ao registrado um ano antes, reflexo sobretudo do aumento das provisões para perdas, concentradas na carteira rural. Apesar do declínio da rentabilidade, a gestão avalia que a evolução operacional prepara terreno para resultados mais consistentes a partir dos próximos trimestres.

Margem financeira bruta avança 14,8% e revela expansão de negócios

Entre os indicadores destacados, a margem financeira bruta cresceu 14,8% em doze meses, alcançando R$ 27,4 bilhões. O número mede a diferença entre as receitas de crédito e o custo de captação e, segundo Tobias, “demonstra aumento da atividade com clientes e maior eficiência do posicionamento de tesouraria”.

A administração associa o avanço à priorização de operações com garantias de maior qualidade e retorno ajustado ao risco. Nesse desenho, o portfólio de pessoas físicas passou a ter peso crescente, contribuindo para a ampliação de spreads mesmo em um ambiente de crédito mais seletivo.

O fortalecimento da margem permitiu o anúncio adicional de R$ 465 milhões em Juros sobre Capital Próprio (JCP), distribuídos mesmo após o balanço pressionado. O pagamento reforça o compromisso da instituição com a remuneração recorrente aos acionistas, ainda que em montante inferior aos períodos de maior lucratividade.

Carteira rural em transição e capital reforçado

O principal foco de risco permanece no agronegócio, segmento que puxou a elevação da inadimplência. Para mitigar novas perdas, o banco revisou a matriz de garantia, substituindo hipoteca e penhor de safra pela alienação fiduciária, mecanismo considerado mais robusto. A mudança foi viabilizada depois de ajustes regulatórios introduzidos pela Medida Provisória 1314.

Segundo Tobias, “dar um salto qualitativo nas garantias” foi essencial para calibrar a alocação de capital. A instituição passou a destinar recursos preferencialmente a clientes que apresentam melhor retorno ajustado ao risco, estratégia que deverá reduzir a volatilidade de resultados futuros.

O índice de Capital Nível I encerrou o trimestre em 11,59%. De acordo com a diretoria, o patamar fornece margem de segurança suficiente para sustentar o crescimento da carteira sem comprometer a capacidade de geração de resultados no médio prazo. A preservação do capital é vista como etapa necessária antes de retomar níveis de rentabilidade semelhantes aos históricos.

Conclusão técnica

A administração do Banco do Brasil reafirma a intenção de recuperar gradualmente a lucratividade, apoiada no fortalecimento da margem financeira, na reconfiguração da carteira rural e na posição de capital confortável. A expectativa oficial é que os primeiros efeitos dessas iniciativas se reflitam nas próximas divulgações, ainda que de forma incremental. Enquanto isso, a instituição mantém foco na qualidade das garantias, na expansão seletiva do crédito e na disciplina de capital como pilares para converter avanços operacionais em resultados financeiros consistentes.