Bitcoin recua para US$ 74 mil e liquidações somam quase US$ 1 bilhão em 24 h

Bitcoin voltou a ser negociado abaixo de US$ 75 mil neste sábado, 23 de maio de 2026, desencadeando uma onda de liquidações que eliminou cerca de US$ 940 milhões em posições no mercado de derivativos de criptomoedas nas últimas 24 horas.

Pressão vendedora derruba principal criptomoeda e amplia perdas setoriais

Nas primeiras horas do dia, BTC registrou queda aproximada de 3 %, cotado em torno de US$ 74 mil. A ruptura do suporte psicológico acelerou ordens automatizadas de venda e provocou liquidações em cascata. Dados da plataforma CoinGlass indicam que posições long — aquelas que apostam na alta — responderam por US$ 868 milhões dos contratos encerrados, enquanto posições short somaram apenas US$ 72 milhões. Além disso, mais de US$ 1,5 bilhão em contratos futuros em aberto foi encerrado após a perda do patamar de US$ 75 mil.

No mercado à vista, o recuo de BTC contaminou as principais altcoins. Ethereum (ETH) caiu cerca de 4,5 %, sendo negociado próximo de US$ 2 028. BNB, XRP e Solana (SOL) recuaram entre 2 % e 5 %, ampliando o clima de aversão a risco no segmento de ativos digitais.

Contrastante otimismo em Wall Street reforça correlação volátil

Enquanto o universo cripto enfrentava forte correção, os principais índices de ações dos Estados Unidos encerraram o pregão da sexta-feira, 22 de maio, em terreno positivo. O Dow Jones Industrial Average renovou recorde histórico pelo segundo dia consecutivo, impulsionado pelo avanço das negociações diplomáticas entre Estados Unidos e Irã. O descolamento de curto prazo evidenciou a relação ainda instável entre ativos de risco tradicionais e criptomoedas. Analistas atribuem a discrepância a fatores como liquidez específica do mercado cripto, alta alavancagem em derivativos e sensibilidade a eventos de curto prazo.

No contraponto, a ausência de catalisadores positivos para o setor — como aprovações regulatórias, fluxo institucional ou melhorias de rede — reforçou o movimento técnico de correção. Sem novos sinais de demanda robusta, investidores optaram por reduzir exposição, sobretudo em contratos futuros de alta alavancagem.

Indicadores macroeconômicos e agenda regulatória ampliam cautela

Operadores monitoram a divulgação de indicadores de inflação nos Estados Unidos ao longo da próxima semana, além das minutas da reunião mais recente do Federal Reserve. Qualquer sinal de política monetária mais restritiva pode aumentar o custo de capital e pressionar ainda mais ativos considerados de risco elevado, como criptomoedas. Em paralelo, tramita no Congresso norte-americano o Clarity Act, projeto que busca definir diretrizes para pesquisas e supervisão de criptoativos. A incerteza regulatória acrescenta volatilidade aos preços, uma vez que regras mais rigorosas podem impactar a formação de mercado e a atividade de corretoras.

Do ponto de vista técnico, analistas observam próximas zonas de suporte em US$ 70 mil e US$ 68 mil para o bitcoin. Caso a pressão de venda persista, liquidações adicionais podem ocorrer, sobretudo em plataformas com elevada alavancagem. Por outro lado, repiques de curto prazo não estão descartados, dada a natureza historicamente volátil do ativo.

Conclusão Técnica

O retorno do bitcoin ao patamar de US$ 74 mil, aliado à eliminação de quase US$ 1 bilhão em posições derivativas, evidencia a fragilidade momentânea do mercado cripto diante da falta de estímulos positivos e do aumento de incertezas macroeconômicas. Até a divulgação de novos indicadores e definições regulatórias, a expectativa é de manutenção da volatilidade elevada, com investidores priorizando gestão de risco e menor exposição a alavancagem.