Relatório divulgado em 20 de maio de 2026 pela Empiricus Research recomenda o aumento de exposição em Petrobras (PETR4), Vale (VALE3) e Vivo (VIVT3) como estratégia defensiva para atravessar a combinação de Ibovespa aos 177 mil pontos, Selic projetada em 13,25% ao ano e maiores riscos geopolíticos e eleitorais.
Cenário macro: correção do Ibovespa e pressões externas ampliam a aversão a risco
A B3 passou de um pico de quase 200 mil pontos no mês anterior para o patamar atual de 177 mil pontos, refletindo realização de lucros após ralis concentrados em setores cíclicos. Paralelamente, o Relatório Focus revisou a expectativa para a taxa Selic, indicando término de 2026 em 13,25% a.a., acima do nível considerado neutro pela maioria dos economistas.
No plano internacional, a persistência da guerra no Oriente Médio tem pressionado cadeias de suprimentos, elevando o preço do petróleo e reforçando as perspectivas de inflação global. Investidores estrangeiros, por sua vez, redirecionaram fluxo para empresas de tecnologia e inteligência artificial listadas nos Estados Unidos, reduzindo a liquidez na bolsa brasileira.
Internamente, as eleições presidenciais de outubro adicionam volatilidade, especialmente com a candidatura de Flávio Bolsonaro. Esse tripé — juros altos, tensões externas e incertezas políticas — sustenta uma procura maior por companhias geradoras de caixa e pagadoras de dividendos.
Petrobras: valuation comprimido e dividendos robustos
A Petrobras (PETR4) negocia a menos de 3x EV/EBITDA estimado, nível historicamente descontado frente a pares internacionais. Mesmo após um primeiro trimestre aquém das projeções do mercado, a companhia permanece alavancada em um petróleo Brent estruturalmente acima de US$ 80 o barril, resultado de oferta mais restrita e riscos geopolíticos.
Segundo o relatório, o dividend yield próximo de 10% para 2026 oferece colchão de renda em cenários de correção prolongada do índice. A manutenção da política de distribuição trimestral — atrelada a geração operacional de caixa — sustenta o caráter defensivo do papel, mesmo sob incertezas sobre governança ou eventuais mudanças regulatórias.
Vale: geração de caixa consistente em meio a oscilações do minério
Os analistas classificam a Vale (VALE3) como segundo pilar da carteira defensiva. Apesar de números de 1T26 ligeiramente abaixo do consenso, a mineradora reportou EBITDA recorrente forte, refletindo disciplina de custo em operações de minério de ferro e metais básicos.
Com exposição relevante à demanda chinesa, a empresa se beneficia da estratégia de estímulos anunciada por Pequim para infraestrutura e transição energética. O fluxo de caixa livre esperado, mesmo em um intervalo de preço do minério entre US$ 90 e US$ 110 por tonelada, viabiliza pagamentos sistemáticos de dividendos. Para 2026, a consultoria projeta dividend yield entre 8% e 9%, reforçando a atratividade contra alternativas de renda fixa indexadas à Selic.
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Vivo: previsibilidade de receitas e resiliência setorial
A Telefônica Brasil (VIVT3), operadora que utiliza a marca Vivo, combina crescimento modesto a margens estáveis. A receita de serviços móveis avançou acima da inflação nos últimos trimestres, ancorada no pós-pago e em planos corporativos de alta penetração.
Com dívida líquida/EBITDA inferior a 1,0x e capex decrescente após o pico de investimentos em 5G, a geração de caixa tende a acelerar. A projeção de dividend yield de 7% a 8% para 2026 sustenta o caráter defensivo e complementa a diversificação setorial da carteira, menos correlacionada a preços de commodities.
Realocação na carteira: saída de SLC Agrícola diante de margens comprimidas
Para abrir espaço ao trio defensivo, o relatório aconselha a venda de SLC Agrícola (SLCE3). A companhia enfrenta custos pressionados por fertilizantes e defensivos, ao mesmo tempo em que os preços internacionais de soja e milho recuam com oferta global elevada. O resultado é um cenário de margens menores e menor visibilidade sobre distribuição de proventos ao acionista no curto prazo.
Ainda que o agronegócio siga fundamental para o saldo comercial brasileiro, a dinâmica específica dos grãos reduz o apelo da SLC em comparação com empresas de setores menos cíclicos ou mais vinculados a commodities energéticas/metálicas, onde o repasse de preços é mais imediato.
Conclusão técnica
O relatório da Empiricus Research indica que a volatilidade recente do Ibovespa e o horizonte de Selic elevada até 2027 justificam ajustes táticos voltados à geração de caixa. Petrobras, Vale e Vivo foram selecionadas por conjugarem valuation descontado, robustez operacional e política consistente de dividendos. A estratégia busca neutralizar riscos oriundos de fluxos externos, tensões geopolíticas e ciclo eleitoral, fornecendo renda periódica ao investidor enquanto se aguarda maior clareza sobre inflação, crescimento e política monetária global.




