A holding BradSaúde, criada para concentrar todos os ativos de saúde do grupo Bradesco, registrou lucro líquido de R$ 1,3 bilhão e retorno sobre o patrimônio (ROE) anualizado de 24,8% no primeiro trimestre de 2026, consolidando-se como a principal sucessora operacional da Odontoprev.
Reorganização societária amplia alcance e consolida ativos
A reestruturação concluiu o processo de transferência de participações em Bradesco Saúde, Mediservice, Atlântica Hospitais, Orizon e da fatia no Fleury para a nova holding. Com isso, a participação do Banco Bradesco subiu para 91,35%, enquanto os minoritários passaram a deter cerca de 8,65%. O principal objetivo estratégico, conforme divulgado ao mercado, é unificar operações em um ecossistema de cerca de R$ 435 bilhões em potencial de receitas, frente aos aproximadamente R$ 8 bilhões do negócio original de planos odontológicos.
No âmbito de mercado de capitais, os papéis da antiga ODPV3 deixam de ser negociados a partir de 5 de maio, cedendo lugar ao novo ticker SAUD3. Executivos estimam valor de mercado inicial entre R$ 40 bilhões e R$ 50 bilhões, patamar que colocaria a companhia entre as maiores empresas listadas do setor de saúde na B3.
Indicadores operacionais mostram ganho de escala
A carteira consolidada de clientes atingiu 13,3 milhões, dos quais 3,9 milhões são beneficiários de planos médico-hospitalares. No trimestre, houve acréscimo líquido de 52 mil vidas em saúde e 141 mil em planos odontológicos, reflexo da expansão comercial após a fusão de bases.
A sinistralidade assistencial (MLR) consolidada ficou em 79,1%, queda de 1,4 ponto percentual em relação ao mesmo período de 2025, indicando maior eficiência no controle de custos médicos. Em paralelo, os ativos financeiros somaram R$ 28,6 bilhões, provendo robustez para cobrir provisões técnicas e sustentar futuras aquisições.
A subsidiária Odontoprev, agora reportada como unidade de planos dentais dentro da holding, apurou lucro líquido de R$ 151 milhões, retração de 9,6% em base anual. A receita operacional líquida do segmento avançou 4,9%, alcançando R$ 619,4 milhões. A sinistralidade dental recuou para 32,7%, melhora de 3,1 p.p.
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Impactos para acionistas e perspectivas de valorização
A diluição acionária dos minoritários foi compensada pela perspectiva de maior geração de resultados. Projeções internas apontam que o lucro atribuível a esse grupo pode subir 21%, passando de aproximadamente R$ 255 milhões para cerca de R$ 310 milhões, sustentado pela integração de linhas de negócios e captura de sinergias operacionais.
Analistas de mercado acompanham o desempenho do indicador ROAE, que veio acima da média histórica do setor. Caso a rentabilidade seja mantida, a BradSaúde tende a figurar entre as companhias com maior retorno entre empresas de capital intensivo em saúde no país. O foco da administração, segundo material de apoio ao balanço, permanece na expansão orgânica via incremento de base de beneficiários corporativos e na diversificação de serviços, como telemedicina e gestão de crônicos.
Quanto à estrutura de capital, o capital social foi consolidado em 2.924.199.731 ações. A liquidez ampliada em bolsa pode facilitar futuras captações para projetos hospitalares ou aquisições de clínicas especializadas, alinhadas ao desenho de plataforma integrada.
Conclusão técnica
O primeiro trimestre de 2026 confirma a eficácia da fusão que originou a BradSaúde ao revelar lucro expressivo, ROE elevado e queda de sinistralidade. A migração do ticker para SAUD3 inaugura uma fase de maior visibilidade no mercado acionário, sustentada por 13,3 milhões de clientes e carteira financeira superior a R$ 28 bilhões. Os próximos meses serão marcados pela consolidação de sinergias entre as operações recém-agregadas e pelo monitoramento do desempenho de rentabilidade, fatores determinantes para validar a estimativa de valor de mercado entre R$ 40 bilhões e R$ 50 bilhões traçada pelos executivos.


