O Banco de Brasília (BRB) passou a condicionar o acesso gratuito de seus correntistas às salas VIP de aeroportos a um gasto médio mensal que pode chegar a R$ 10 mil, calculado sobre as três últimas faturas, mudança que entrou em vigor nesta terça-feira, 11 de junho de 2026.
Nova política de elegibilidade já válida para todas as categorias
A atualização, comunicada oficialmente aos clientes, estabelece dois níveis de consumo mínimo:
• Visa Infinite e Mastercard Black — R$ 5.000 de média mensal
• Visa DUX — R$ 10.000 de média mensal
O valor é apurado com base nas três faturas mais recentes, método que substitui a aferição mensal aplicada anteriormente. Com isso, o BRB busca estimular recorrência de uso em vez de picos pontuais de gasto, alinhando-se à estratégia dos principais emissores de cartões premium do país.
A regra engloba tanto titulares quanto adicionais; ambos precisam atender ao patamar exigido para preservar o benefício de entrada cortesia nas salas conveniadas, localizadas em aeroportos nacionais e internacionais.
Comparativo: o que mudou em relação ao regulamento anterior
Até a revisão, bastava movimentar R$ 5.000 em cada ciclo de faturamento para o titular e R$ 3.000 para cartões adicionais a fim de usufruir do lounge sem custo. A nova métrica introduz duas alterações relevantes:
1. Ampliação do período de análise — o gasto agora é observado em três faturas consecutivas, o que dilui flutuações mensais e exige constância no volume de transações.
2. Requisito dobrado para o Visa DUX — clientes dessa categoria passam de R$ 5.000 para R$ 10.000 de média, representando aumento de 100 % no comprometimento mínimo.
Na prática, o correntista que não mantiver o consumo indicado perde a isenção e fica sujeito à tarifa integral de acesso, que pode variar conforme o lounge e a localização, ou precisará migrar para produtos financeiros com exigências mais brandas.
Imagem: Internet
Alinhamento ao movimento do mercado de alta renda
A revisão do BRB não ocorre em isolamento. Em maio, o Santander elevou suas próprias barreiras para entrada gratuita, sinalizando tendência de encarecimento dos benefícios premium nas instituições de varejo de luxo. Entre os fatores que impulsionam essa postura estão:
• Custo operacional dos lounges — serviços como alimentação, duchas e espaços privativos encarecem o tíquete médio do programa.
• Crescimento do público elegível — o aumento de cartões de alta renda pressiona a capacidade dos lounges, exigindo contrapesos para manter a exclusividade.
• Estratégia de engajamento — bancos buscam elevar o volume transacionado a fim de aumentar receita de intercâmbio e fidelizar correntistas com maior poder aquisitivo.
Para analistas de meios de pagamento, o reajuste do BRB reforça a consolidação de um modelo de relacionamento baseado em performance de consumo, no qual benefícios superiores acompanham métricas mais restritivas.
Impacto para clientes e orientações práticas
Quem não alcançar a média mínima terá duas alternativas imediatas: arcar com o preço de cada visita (que pode superar US$ 40 em aeroportos internacionais) ou buscar cartões concorrentes cuja política de lounge ainda seja mais permissiva. O aplicativo do BRB exibirá, em tempo real, a projeção de qualificação, auxiliando no monitoramento preventivo. Especialistas em planejamento financeiro recomendam:
• Concentrar despesas recorrentes — assinaturas, contas de serviços e compras do cotidiano podem ser transferidas para o cartão principal para elevar a média.
• Revisar cartões adicionais — caso o consumo familiar não atinja o novo patamar, pode ser mais econômico cancelar plásticos secundários e focar o gasto no titular.
• Comparar programas concorrentes — bancos como Itaú, Bradesco e Banco do Brasil mantêm políticas diferenciadas que podem ser mais adequadas a perfis específicos de uso.
Conclusão Técnica
A exigência de R$ 5.000 a R$ 10.000 de média mensal posiciona o BRB no mesmo patamar de competidores que segmentam o acesso às salas VIP por comprovação de alto volume transacional. A curto prazo, a instituição deve observar redução no número de correntistas habilitados, mas com incremento na receita por manutenção de clientes de maior gasto. Para os usuários, o cenário indica adaptação ou migração: quem valoriza o conforto dos lounges precisará elevar a movimentação ou optar por cartões com exigências menos agressivas. Novos ajustes não estão descartados, já que o setor continua calibrando benefícios à medida que a base de alta renda se expande e os custos de operação dos lounges seguem em trajetória ascendente.




