Hiedy de Assis Correa, conhecido como Hassis, terá sua produção revisitada em uma programação que se estende de 20 de março de 2024 a 23 de janeiro de 2027, ocupando sucessivamente sete espaços culturais de Florianópolis e celebrando o centenário de nascimento do artista.
Calendário de mostras revela amplitude da obra
A agenda comemorativa foi anunciada em 8 de março de 2024, no Teatro Álvaro de Carvalho, e distribui as exposições da seguinte forma:
- 20 de março a 1.º de junho de 2024 – Hassis em Revista, hall da Reitoria da Udesc, com curadoria de Luciana Paulo Correa e Monique Fonseca; a mostra reúne a série Revistas (1966), vista apenas uma vez em vida do artista.
- Julho de 2024 – Entre o Instante e a Eternidade, Museu Histórico de Santa Catarina, sob a mesma curadoria.
- Julho de 2024 – Diários Afetivos, Instituto Collaço Paulo, com curadoria de Alice Bononi.
- Julho de 2024 – Hassis Brincante, Fundação Hassis, novamente com curadoria de Monique Fonseca.
- Agosto de 2024 – reapresentação de Diários Afetivos no Instituto Collaço Paulo e abertura de Hassis 100 Anos – Sala Expositiva na Helena Fretta Galeria de Arte.
- Outubro de 2024 – Antes que Amanheça, Fundação Cultural BADESC, com curadoria de Denilson Antonio, Marcello Carpes e Victoria Beatriz.
- 26 de novembro de 2024 a 23 de janeiro de 2027 – Hassis: Do Circo à Celebração Centenária, Museu Victor Meirelles, coordenada por Meg Tomio Roussenq e Anna Moraes.
Além das exposições, o cronograma inclui intervenções urbanas, espetáculos de dança e sambas-enredo—já iniciados em 2023 com o mural Arquibancada, assinado por Rodrigo Rizo no Hotel Valerim, e com o enredo Ontemanhã – O Tempo nos Traços de Hassis, da Escola de Samba Embaixada Copa Lord.
Obras públicas e referências populares consolidam o legado
Nos mosaicos do pavimento da praça XV de Novembro, nos murais instalados em instituições bancárias e em painéis como o da Igrejinha da Trindade, a assinatura de Hassis tornou-se parte integrante do cenário urbano catarinense. A colaboração do artista com o carnaval florianopolitano, sobretudo nos clubes 12 de Agosto e Lira, evidencia a intersecção entre arte erudita e manifestações populares.
Hassis iniciou a carreira em contato com o escritor Aníbal Nunes Pires, para quem ilustrou contos. Nos anos seguintes, conciliou a produção artística com funções administrativas na então Faculdade de Ciências Econômicas — prédio que hoje abriga o BADESC — e, posteriormente, no Departamento de Extensão Cultural da Universidade Federal de Santa Catarina. Esse vínculo de quatro décadas reforçou a penetração de sua obra em ambientes acadêmicos, carnavais e espaços religiosos.
Fundação preserva 2,8 mil obras e 15 mil documentos
Transformada em Fundação Hassis após o falecimento do artista, em 2001, a residência localizada na rua Luiz da Costa Freyslebem, bairro Itaguaçu, reúne um acervo considerado inigualável em Santa Catarina:
Imagem: Divulgação
- 2 800 peças entre pinturas e desenhos;
- 8 000 registros fotográficos;
- 15 000 documentos arquivísticos;
- 12 publicações específicas sobre a obra, devidamente catalogadas.
A família — Nazle Paulo Corrêa (esposa) e as filhas Leilah e Luciana Paulo Correa — organizou o material com apoio de papel japonês para proteção e contou, na etapa inicial, com incentivo cultural da Unicred. Essa estrutura fornece base para pesquisas acadêmicas, exposições itinerantes e programas educativos direcionados a escolas públicas.
Bibliografia especializada documenta a trajetória
Entre os títulos disponíveis na sede da Fundação, destacam-se:
- Ontemanhã (2001), de Carlos Moura;
- Hassis: Arte e História da Guerra do Contestado (2014);
- Desenhos (Tempo Editorial), de Tarcísio Matos e Marli Aures;
- Respeitável Público Hassis (1982);
- Hassis em Prosa (2011), de Carlos Moura;
- Florianópolis no Olhar de Hassis (2015);
- Coleção Hassis para Crianças (3 vols.), de Monique Fonseca.
Essas publicações sustentam o caráter multidisciplinar da obra, abrangendo pintura, desenho, fotografia e cenografia.
Conclusão técnica
Com início oficial em 20 de março de 2024 e encerramento previsto apenas em 23 de janeiro de 2027, a agenda do centenário de Hassis estrutura-se como plataforma para difundir um acervo de 2,8 mil obras e para reafirmar a presença do artista no patrimônio cultural catarinense. A sequência de exposições, distribuída entre universidades, museus e galerias privadas, garante fluxo contínuo de público e cria oportunidades de pesquisa sobre processos criativos, técnicas de mosaico e produção muralista. A partir de 2025, parte desse material deverá migrar para programas educativos já mapeados pela Fundação Hassis, assegurando a transferência de conhecimento artístico às novas gerações e reforçando a relevância histórica do autor.




