Chanel manteve a primeira colocação no The Lyst Index pelo segundo trimestre consecutivo, desempenho impulsionado por lançamentos estratégicos, crescimento de receita de dois dígitos e maior visibilidade digital de seus produtos-chave, sobretudo após o debut criativo de Matthieu Blazy na maison.
Indicadores do ranking e variações entre as grifes
Divulgado em 5 de agosto de 2026, o levantamento trimestral da plataforma de busca e análise de moda avaliou o comportamento de aproximadamente 160 milhões de usuários, ponderando três pilares: desejo, demanda e descoberta. No resultado mais recente, a Chanel permaneceu no topo, enquanto Miu Miu avançou duas posições para o segundo lugar e Dior segurou a terceira posição.
No bloco intermediário, Saint Laurent recuou duas colocações, Gucci estabilizou-se na quinta posição e Prada subiu um degrau para o sexto posto. Marcas como Massimo Dutti (+8) e Celine (+5) registraram as maiores escaladas, enquanto Moncler caiu três posições. As estreias de Phoebe Philo e o retorno de Jacquemus destacam a dinâmica de renovação do índice.
O resultado confere relevância competitiva ao posicionar a maison francesa não apenas como a mais buscada, mas como referência de consistência, considerando que a permanência no ápice por ciclos consecutivos é incomum entre marcas de luxo tradicional.
Vetores de crescimento: coleções, canais digitais e desempenho financeiro
Entre abril e junho, a visibilidade de peças da linha Coco Beach 2026 e a coleção Métiers d’Art 2026 ampliou o tráfego orgânico para as categorias de moda‐praia, prêt-à-porter e acessórios. De acordo com o estudo, as buscas por óculos de sol da grife saltaram 70% frente ao trimestre anterior, sinalizando correlação direta entre lançamento de produto e intenção de compra.
No âmbito financeiro, estimativas compiladas pela Bloomberg e repercutidas pela Reuters indicam avanço de aproximadamente 16% na receita comparável da Chanel no primeiro semestre. A divisão de moda, responsável por cerca de 60% do faturamento, progrediu em ritmo semelhante, enquanto os segmentos de relógios e joias cresceram em torno de 35%.
Regionalmente, as vendas nos Estados Unidos aumentaram mais de 25%, acompanhadas por expansão na China e no Oriente Médio. Essa capilaridade comercial reforça a tese de que o impulso da maison não se limita a um único mercado, mas reflete estratégia multicanal e diversificação geográfica.
Comparativo setorial: performance de concorrentes estratégicos
No mesmo intervalo, a divisão de moda e artigos de couro da LVMH — que controla Louis Vuitton e Dior — registrou retração orgânica de 1% no primeiro semestre, revertida para expansão de 1% no segundo trimestre. Já a Richemont, dona de Cartier e Van Cleef & Arpels, obteve crescimento de 20% em vendas a câmbio constante entre abril e junho, puxado principalmente pelas joalherias (+24%).
Imagem: Divulgação
A diferença notável é que, enquanto o progresso da Richemont concentra-se em joias, a Chanel acelerou justamente na categoria de moda, setor que experimenta recuperação irregular após flutuações macroeconômicas e ajustes de inventário no varejo de luxo. A capacidade de sustentar expansão simultaneamente em moda, relógios e joias evidencia portfólio equilibrado e maior resiliência frente a volatilidades.
Direção criativa: o papel de Matthieu Blazy na reinterpretação dos códigos da maison
Após a saída de Virginie Viard em 2024, a nomeação de Matthieu Blazy como diretor artístico de moda reposicionou expectativas. Com passagem por Maison Margiela, Céline e, mais recentemente, Bottega Veneta, o estilista é reconhecido por equilibrar inovação e respeito à herança das marcas.
A estreia de Blazy para a Chanel, em 6 de outubro de 2025, apresentou releitura do clássico tweed, combinando construções mais soltas, proporções ampliadas e cenografia futurista no Grand Palais. A coleção outono-inverno 2026 consolidou a linguagem com saias de cintura baixa, blazers de ombros marcados e utilização de lurex, silicone e gaze, materiais que adicionaram fluidez aos tradicionais conjuntos de saia e casaco.
Essa abordagem preserva símbolos icônicos — pérolas, camélias, duplo C — enquanto injeta contemporaneidade suficiente para atrair públicos mais jovens, fator essencial para sustentar longo ciclo de crescimento em um mercado que valoriza novidade mas pune descaracterizações abruptas.
Conclusão técnica e perspectivas
O segundo trimestre de 2026 consolida a Chanel como líder de desejo global graças à combinação de métricas digitais favoráveis, execução de coleções alinhadas à demanda e expansão financeira robusta em múltiplas regiões. A permanência no topo do The Lyst Index sinaliza vantagem competitiva direta em notoriedade, enquanto o avanço nas vendas físicas confirma conversão efetiva desse interesse.
Para os próximos trimestres, o calendário de moda prevê novas apresentações sob a direção de Matthieu Blazy, além da continuidade de linhas sazonais como Coco Beach. Caso o ritmo de crescimento acima da média setorial seja mantido, a maison tende a fortalecer margens e consolidar presença entre consumidores que buscam produtos com alto componente de herança e inovação. O acompanhamento dos resultados semestrais e a reação de concorrentes como LVMH e Richemont definirão a configuração competitiva na segunda metade do ano.




