China Eastern dobra voos para Argentina e mira mais presença na América do Sul
A China Eastern Airlines confirmou que ampliará de duas para quatro as frequências semanais da rota Xangai–Auckland–Buenos Aires a partir de dezembro de 2026, respondendo ao aumento de 84 % de ocupação registrado no trajeto e ao crescimento de 42 % no fluxo de turistas chineses para a Argentina nos primeiros quatro meses do ano, segundo dados do Instituto Nacional de Promoção Turística (INPROTUR).
Detalhes operacionais da nova malha Xangai–Auckland–Buenos Aires
A companhia asiática passará a ofertar quatro voos semanais conectando os aeroportos de Pudong (PVG), Auckland (AKL) e Ezeiza (EZE). O serviço permanecerá a cargo do Boeing 777-300ER, configurado em três classes e capaz de percorrer o trecho — de aproximadamente 19 105 quilômetros — em 29 horas, incluindo a parada técnica na Nova Zelândia. Ainda que o segmento figure entre os mais longos do mundo com escala, a taxa de ocupação média ultrapassou 84 %, validando a expansão.
No quadro de slots, a ampliação representará mais 1 120 assentos semanais de e para Buenos Aires, elevando a oferta anual para quase 110 mil lugares. A estatal argentina Aeropuertos Argentina 2000 estima acréscimo de US$ 38 milhões em receita turística direta apenas no primeiro ano de operação plena.
Crescimento do turismo chinês e motivadores da decisão comercial
Dados consolidados pelo INPROTUR indicam que, entre janeiro e abril de 2026, a Argentina recebeu 42 % mais visitantes provenientes da China em comparação com o mesmo período de 2025. Este avanço consolidou um total de 57 800 entradas, número considerado recorde histórico para o mercado bilateral.
A tendência é atribuída a três fatores principais:
- Ampliação de vistos eletrônicos para cidadãos chineses, com tempo médio de concessão reduzido para 72 horas;
- Campanhas promocionais conjuntas entre China Eastern e o Ministério do Turismo e Esportes da Argentina, focalizadas em gastronomia, vinhos de Mendoza e turismo de neve na Patagônia;
- Reativação de viagens corporativas em setores de mineração de lítio e agrotecnologia, impulsionadas por acordos bilaterais assinados em 2025.
Com a demanda reprimida durante o período pandêmico já superada, a companhia considera que o fluxo atual sustenta não apenas a duplicação da frequência, mas também análises sobre eventual serviço diário a médio prazo.
Imagem: Internet
Expansão regional e negociações com o Brasil
Além da Argentina, a China Eastern conduziu mesas técnicas com autoridades brasileiras para avaliar uma rota direta Shanghai–São Paulo. O Ministério de Portos e Aeroportos confirmou que os estudos de viabilidade contemplam tanto o Aeroporto Internacional de Guarulhos (GRU) quanto o futuro hub de cargas de Campinas (VCP).
Especialistas do Centro para Aviação da Ásia-Pacífico (CAPA) avaliam que voos sem escala entre Brasil e China podem adicionar US$ 960 milhões ao comércio bilateral, encurtando prazos logísticos em até 48 horas para cargas de alto valor agregado.
Em paralelo, a própria rota via Buenos Aires deve reforçar sinergias triangulares entre Ásia, Oceania e Cone Sul. Empresas de turismo receptivo estimam pacotes multi-destinos envolvendo Argentina, Chile e Brasil, aproveitando a conectividade adicional pela Nova Zelândia.
Conclusão técnica e próximos passos
A duplicação de frequências da China Eastern Airlines para a Argentina, efetiva em dezembro de 2026, alinha-se à curva ascendente da demanda chinesa na região e consolida Buenos Aires como porta de entrada estratégica para o Cone Sul. O aumento de assentos, aliado ao desempenho superior de ocupação, cria escala operacional sustentável e pavimenta o terreno para futuras expansões, incluindo a prospectada ligação direta com o Brasil. Nos próximos trimestres, métricas de taxa de ocupação, receita por passageiro-quilômetro (RPK) e gastos médios per capita de turistas chineses servirão de base para avaliar a introdução de frequências adicionais ou novas rotas de longa distância na América do Sul.




