Conflito societário mantém ações da Azzas 2154 em compasso de espera, aponta Citi

A disputa judicial entre Roberto Jatahy e Alexandre Birman paralisou alterações na gestão da Azzas 2154 (AZZA3) desde 22 de abril e, segundo relatório do Citi divulgado nesta semana, deve prolongar a lateralização dos papéis na B3 enquanto não houver definição entre os sócios controladores.

Cronologia do impasse entre os executivos

O embate ganhou novo capítulo em 12 de maio, quando a companhia informou ter tomado conhecimento de decisão liminar em ação cautelar pré-arbitral movida por Jatahy, ex-CEO do Grupo Soma e atual Chief Brand Officer da marca Reserva. A medida, que tramita em segredo de Justiça, congela qualquer mudança estrutural na unidade de moda masculina até a análise de mérito, mantendo a configuração societária vigente em 22 de abril.

O conflito remonta à fusão entre Arezzo e Grupo Soma, concluída no fim de 2025 e que originou a Azzas 2154. Visando sinergias, Birman, agora CEO da companhia combinada, anunciou a separação operacional: marcas femininas sob sua alçada e divisão masculina subordinada a Jatahy. Contudo, a integração da Reserva – que já gerava economias estimadas em R$ 200 milhões anuais – seria revertida pela nova reestruturação, motivando o recurso judicial apresentado pelo executivo fluminense.

Repercussão no mercado e avaliação do Citi

Na sessão de 13 de maio, os papéis AZZA3 registraram variação marginal, refletindo o cenário descrito pelo Citi. O banco calcula que a ação negocia a 7,0 vezes o lucro estimado para 2026 (P/L 2026E), múltiplo considerado compatível com o risco percebido de governança. Para os analistas, “possíveis novos ruídos noticiosos podem prolongar o viés neutro”, restringindo a amplitude de preços até que haja resolução definitiva entre os controladores.

Em relatório aos clientes, o Citi destaca que o mercado já embute prêmio de risco relacionado ao histórico de choques culturais entre as gestões de Arezzo e Soma. Ainda assim, o banco menciona dois gatilhos capazes de reprecificar o ativo:

  • Sentença arbitral ou acordo extrajudicial que confirme a continuidade do plano de integração e estabilize a diretoria.
  • Revisão de guidance operacional, caso a liminar inviabilize as sinergias projetadas para 2026.

Enquanto tais eventos não ocorrem, o Citi mantém recomendação neutra e não altera projeções financeiras.

Impacto operacional da liminar

A manutenção de status quo determinada pela Justiça assegura a Jatahy o comando provisório das duas unidades de vestuário masculino. Na prática, a figura executiva centraliza decisões de marketing, design e cadeia de suprimentos, reduzindo a exposição a sobreposições de custos até que o processo arbitral siga seu curso.

Entretanto, fontes próximas à companhia alertam que eventuais atrasos na integração completa podem adiar a materialização de sinergias adicionais de R$ 80 a R$ 100 milhões, previstas para serem capturadas no segundo semestre de 2026. Além disso, fornecedores e franquias relatam incerteza sobre prazos de pedidos e políticas de compras, fator que pode afetar capital de giro no curto prazo.

No front societário, o board de administração se comprometeu a não deliberar sobre novas reestruturações até a conclusão do trâmite legal, medida que atende à liminar e busca evitar questionamentos adicionais de governança.

Conclusão técnica

À luz dos acontecimentos, a Azzas 2154 opera sob um regime de estabilidade forçada, preservando a configuração de 22 de abril enquanto aguarda decisão arbitral sobre a disputa Jatahy-Birman. O Citi avalia que o preço corrente da ação já reflete as incertezas, justificando a expectativa de lateralização no curto prazo. Seguem como próximos marcos:

  • Apresentação de defesa formal de Birman no processo pré-arbitral.
  • Possível instauração de câmara arbitral vinculada ao acordo de acionistas.
  • Atualização de projeções de sinergias na divulgação do resultado do 2T26.

Até que esses eventos tragam maior visibilidade, a recomendação predominante no mercado permanece cautelosa, sustentada pela incerteza jurídica e pelo risco de atrasos na captura de ganhos de eficiência.