Cosan reafirma continuidade sob controle familiar e traça plano para zerar dívida até o fim de 2026

Rubens Ometto, fundador e presidente do conselho da Cosan (CSAN3), declarou em 19 de maio de 2026 que a holding “não vai acabar, absolutamente”, respondendo a uma fala do CEO Marcelo Martins que sugeriu a dissolução da companhia em até cinco anos; o executivo detalhou que a empresa manterá o controle acionário de suas subsidiárias e pretende zerar a dívida de R$ 11,5 bilhões até o final do ano para superar a crise de alavancagem.

Origem da incerteza: falas na teleconferência e impacto no mercado

Durante a apresentação de resultados do 1T26, Marcelo Martins afirmou ser “razoável” supor que a Cosan deixaria de existir entre três e cinco anos, provocando questionamentos de analistas e investidores. A interpretação de encerramento das atividades ganhou repercussão imediata em relatórios de corretoras e no noticiário econômico. Ometto esclareceu que a colocação referia-se à reformulação da estrutura societária, não ao fim das operações. O fundador reforçou que a holding seguirá como controladora de Compass (gás natural), Rumo (logística), Moove (lubrificantes) e Radar (gestão de terras), além de manter participação ativa na Raízen, mesmo após a diluição causada pelo aporte de capital da Shell.

Pressão financeira: juros altos e aquisições robustas

A elevação da taxa Selic entre 2021 e 2025 e a sequência de aquisições avaliadas em US$ 4,5 bilhõesShell Argentina, Biosev e investimentos em etanol de 2ª geração — elevaram o índice de alavancagem da holding. Ometto reconheceu “erro de mão” no volume investido durante o ciclo de crédito caro. Para reduzir o endividamento líquido, a empresa firmou em abril um acordo de capitalização de R$ 10 bilhões com BTG Pactual, Perfin Investimentos e a família Ometto. Os recursos foram direcionados ao alongamento de passivos e à recompra de dívidas de curto prazo, diminuindo o custo médio financeiro.

Estratégia de turnaround: simplificação e venda de ativos não estratégicos

Ometto detalhou um plano de turnaround com três frentes principais:

  • Desinvestimento em trading de energia elétrica: processo de saída desse segmento para concentrar capital em negócios de geração de caixa recorrente.
  • Estrutura societária enxuta: transformação da holding em veículo de administração de participações sem dívidas, focado em distribuição de dividendos.
  • Disciplina de alocação de capital: suspensão de grandes aquisições até a normalização do perfil de endividamento.

Segundo o cronograma divulgado, a alienação dos ativos de trading deve ser concluída até o 3T26, contribuindo com aproximadamente R$ 2 bilhões para a redução da alavancagem. Paralelamente, a abertura de capital da Compass em 2025 injetou liquidez e valorizou a participação da holding, possibilitando amortizações adicionais.

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Portfólio resiliente: desempenho operacional das controladas

Apesar da pressão financeira no nível consolidado, as empresas do grupo registraram crescimento operacional em 2025:

  • Rumo apresentou Ebitda ajustado de R$ 9,2 bilhões (+11% a/a), impulsionado pelo aumento no volume transportado de grãos.
  • Compass encerrou o ano com margem Ebitda de 25,4% e expansão de 8% na base de clientes industriais de gás natural.
  • Moove ampliou em 14% o market share de lubrificantes premium na América Latina.
  • Radar registrou valorização média de 6,7% em sua carteira de 367 mil hectares.

O desempenho contribuiu com R$ 4,8 bilhões em dividendos recebidos pela holding no exercício passado, reforçando a capacidade de autofinanciamento do plano de desalavancagem.

Conclusão técnica

As declarações de Rubens Ometto consolidam a diretriz de manutenção do controle familiar e de continuidade operacional da Cosan. O plano prevê eliminação integral da dívida de R$ 11,5 bilhões até dezembro de 2026 mediante aporte de capital, alienação de ativos não essenciais e retenção de dividendos das controladas. Caso execute o cronograma dentro do prazo, a holding passará a operar com perfil de caixa líquido positivo, estrutura mais simples e foco em governança dos negócios de infraestrutura, energia e agroindústria, mitigando os riscos que motivaram especulações sobre sua dissolução.