Cosan anuncia plano para encerrar holding e pode alienar participação minoritária na Raízen até 2031

Cosan comunicou que deverá extinguir a estrutura de holding entre 2027 e 2031 e, paralelamente, considera vender a participação que restará na Raízen ao término da recuperação extrajudicial da produtora de açúcar e etanol, segundo o CEO Marcelo Martins, durante teleconferência de resultados em 15 de maio de 2026.

Efeito da reestruturação financeira na fatia acionária da Cosan

Na apresentação aos investidores, Martins detalhou que a recuperação extrajudicial da Raízen envolve dívidas de aproximadamente R$ 65 bilhões. O plano prevê aporte de capital pela sócia anglo-holandesa Shell e conversão de parte dos débitos em ações, diluindo substancialmente a posição da Cosan. A holding, que hoje figura como investidora relevante da joint venture, passará a ter uma participação minoritária após a operação.

Com a diluição, a administração reconhece que o investimento deixará de ser estratégico. Ainda não foram definidos percentual exato de conversão nem preço por ação, mas a indicação é de que a Cosan não acompanhará financeiramente o aumento de capital liderado pela Shell. “Não permaneceremos no acordo de acionistas após o novo aporte”, afirmou o executivo.

Negociações com credores e estrutura de governança

A Cosan relatou que as tratativas com bancos e detentores de títulos da Raízen evoluem para evitar a recuperação judicial formal. O foco é definir governança pós-recapitalização e parâmetros de precificação para a emissão de novas ações. Caso aprovadas, as condições permitirão a conversão de dívida em capital, reduzindo alavancagem operacional.

Enquanto isso, as ações CSAN3 recuaram 4,73 % às 15h30 do dia do anúncio, chegando a registrar queda superior a 9 % durante a sessão. O movimento refletiu tanto o resultado trimestral negativo quanto a perspectiva de venda da posição na Raízen.

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Desempenho financeiro e prioridades de desalavancagem

No 1T26, a Cosan reportou prejuízo líquido de R$ 1,58 bilhão, redução de 11 % ante as perdas de um ano antes. A receita líquida recuou 7 %, para R$ 9,03 bilhões, enquanto o Ebitda ajustado avançou 60 %, alcançando R$ 3,34 bilhões. A dívida líquida expandida caiu 34 %, para R$ 11,5 bilhões.

Segundo Martins, a abertura de capital da Compass Gás & Energia e outras iniciativas de monetização contribuirão para reduzir alavancagem adicional ainda em 2026. Após a desalavancagem, a companhia pretende iniciar a dissolução da holding já em 2027, distribuindo diretamente aos acionistas as participações remanescentes em negócios como Rumo e Compass.

Conclusão Técnica

O cronograma delineado pela administração da Cosan indica: (1) finalização da reestruturação da Raízen com diluição acionária; (2) redução acelerada do endividamento por meio de desinvestimentos e abertura de capital de subsidiárias; e (3) distribuição direta de ativos aos acionistas entre 2027 e 2031, culminando na dissolução da holding. A venda eventual da participação minoritária na Raízen dependerá das condições de mercado e do ritmo de conversão de dívida em ações, permanecendo sem prazo definido, porém incluída no escopo estratégico de busca de liquidez.