Smart Fit é incluída no portfólio ESG do BTG Pactual e acentua tese de valorização de até 65%

Smart Fit (SMFT3) passou a integrar a carteira ESG mensal do BTG Pactual nesta sexta-feira (15), elevando o número de recomendações do banco para ações com critérios ambientais, sociais e de governança. A inclusão ocorre após a rede de academias reportar lucro líquido recorrente de R$ 207 milhões no 1T26, alta de 47% sobre igual período de 2025, movimento que sustenta projeção de preço-alvo em R$ 31 e potencial de valorização de 64,8% em comparação ao fechamento de R$ 18,81 na véspera.

Racional da troca: por que Smart Fit substituiu C&A na seleção do BTG

A carteira ESG do BTG Pactual reúne 10 ativos revisados mensalmente para combinar retorno financeiro e aderência a práticas sustentáveis. Na atualização de maio, Smart Fit entrou no lugar de C&A (CEAB3), sendo a única alteração entre as listas de BTG, BB Investimentos, Itaú BBA e XP Investimentos. Segundo análise do banco, a rede de academias apresenta:

  • Escala incomparável na América Latina, com presença em mais de 15 países e alto grau de padronização operacional.
  • Mercado fragmentado, oferecendo espaço para aquisições e consolidação.
  • Evolução consistente de receita, apoiada em unidades de alta rentabilidade e modelo de assinatura que garante previsibilidade de caixa.

A decisão também considera a estratégia de sair de um segmento de varejo de moda, mais exposto a volatilidade de consumo, para fortalecer a tese em serviços recorrentes e bem-estar, alinhada a tendências de saúde preventiva.

Desempenho financeiro sustenta tese de alta de dois dígitos

No primeiro trimestre de 2026, Smart Fit registrou receita líquida de R$ 1,4 bilhão, incremento de 22% sobre o 1T25. O Ebitda ajustado alcançou R$ 465 milhões, margem de 33%. O banco projeta que, até o fim de 2026, a companhia adicione entre 250 e 300 novas unidades, mantendo payback médio inferior a 24 meses.

Com base nesses números, o BTG reiterou recomendação de compra e elevou a estimativa de preço-alvo para R$ 31. O potencial de valorização de 64,8% contrasta com a performance acumulada no ano, ainda negativa em torno de 5%, atribuída à realização de lucros após a oferta subsequente concluída em 2025.

No mercado, a reação foi imediata: os papéis saltaram 11,6% no pregão seguinte à divulgação do balanço, indicando apetite dos investidores por ativos ligados a fitness e serviços recorrentes.

Agenda ESG: eficiência energética, água e logística reversa em foco

O BTG destacou iniciativas concretas da rede de academias dentro do tripé ESG:

  • Ambiental: programas de eficiência energética com troca de equipamentos por modelos de baixo consumo, adoção de iluminação LED e expansão do uso de fontes renováveis. A meta é chegar a 75% de energia limpa até 2027.
  • Social: investimento em projetos de inclusão esportiva para comunidades de baixa renda e capacitação de profissionais de educação física, criando cadeia de valor local.
  • Governança: conselho de administração com 62% de membros independentes, política formal de remuneração variável atrelada a metas ESG e comitê dedicado à sustentabilidade.

Essas frentes contribuíram para o upgrade de pontuação em ratings especializados, tornando a companhia elegível ao portfólio ESG do banco e potencialmente de outros gestores nos próximos ciclos de revisão.

Distribuição das indicações ESG entre as casas de análise

Ainda que Smart Fit apareça apenas na carteira do BTG, outras companhias concentram múltiplas recomendações:

  • B3 (B3SA3), Lojas Renner (LREN3) e Localiza (RENT3) figuram em três listas cada.
  • Suzano (SUZB3), WEG (WEGE3), Itaú (ITUB4), Sabesp (SBSP3) e Motiva (MOTV3) aparecem em duas carteiras cada.

Entre os argumentos de compra, destacam-se a recuperação gradual do mercado de capitais para B3, políticas robustas de cadeia de suprimentos na Renner e governança corporativa avançada da Localiza. O movimento sugere que o tema sustentabilidade permanece central nas recomendações das principais instituições financeiras.

Conclusão técnica: expectativa de consolidação e novos gatilhos

A entrada de Smart Fit no portfólio ESG do BTG Pactual reforça a visão de que a empresa reúne expansão operacional sólida, espaço para consolidação em um mercado pulverizado e práticas sustentáveis quantificáveis. Com potencial de alta de até 65% segundo o banco, o papel ganha tração junto a investidores focados em crescimento e critérios de governança. A curto prazo, a performance da ação dependerá da manutenção das margens operacionais e da execução do plano de abertura de unidades. A médio prazo, eventuais aquisições regionais e a ampliação do uso de energia renovável podem funcionar como gatilhos adicionais de reprecificação.