O Ibovespa acumulou alta de 1,25% entre 8 e 12 de junho, encerrando a sexta-feira aos 171.132,66 pontos, enquanto o alívio nas tensões no Oriente Médio e a revisão de recomendações corporativas definiram as maiores oscilações: Cury (CURY3) avançou 11,88% e Natura (NATU3) cedeu 11,93%.
Desempenho do índice e influência externa
A recuperação semanal que interrompeu a sequência de quedas foi sustentada pela sinalização de cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã. O presidente norte-americano Donald Trump confirmou em 11 de junho o progresso das tratativas e cancelou ataques planejados, medida que reduziu o prêmio de risco e provocou a queda de 6,19% no Brent, encerrando a US$ 87,33 o barril.
No câmbio, o dólar à vista recuou 1,86% no período, fechando a R$ 5,0615. Em Nova York, a ferramenta FedWatch do CME Group apontava 98,6% de probabilidade de manutenção dos juros norte-americanos na faixa de 3,50%-3,75% na decisão de 17 de junho, reforçando o movimento favorável a ativos de risco em mercados emergentes.
Fatores domésticos: Copasa, IPCA e cenário eleitoral
No noticiário interno, a privatização da Copasa (CSMG3) movimentou R$ 8,3 bilhões e se tornou a segunda maior oferta do setor de saneamento na B3, atrás apenas da alienação de controle da Sabesp em 2024. As ações foram vendidas a R$ 49,303, valor 4,4% superior ao piso de R$ 47,23 fixado pelo TCE-MG, e marcaram referência para demais estatais em processo de desinvestimento.
No front macroeconômico, o IPCA de maio subiu 0,58%, desacelerando ante 0,67% em abril, mas atingindo variação de 4,72% em 12 meses, acima da meta central de 3% com tolerância de 1,5 p.p. A divulgação manteve em 68% a probabilidade precificada para estabilidade da Selic em 14,50% na reunião do Copom de 17 de junho.
Além disso, pesquisa Genial/Quaest mostrou ampliação da vantagem do presidente Lula sobre o senador Flávio Bolsonaro para um possível segundo turno em 2026 : 44% a 38%. A leitura reduziu volatilidade nos papéis estatais e nos prêmios de crédito soberano.
Maiores altas: revisões de bancos impulsionam construtoras e seguradoras
A elevação do preço-alvo do Santander para as ações da Cury, de R$ 49 para R$ 52, colocou a companhia no topo do ranking semanal com ganho de 11,88%. O banco citou:
- Aumento de lançamentos e repasses ao segmento de médio padrão;
- Reconhecimento de receitas acima das estimativas;
- Diluição de despesas SG&A pela maior escala.
O movimento irradiou para pares de setor: Direcional (DIRR3) avançou 8,83% e Cyrela (CYRE3) somou 7,72%. Entre seguradoras, BB Seguridade (BBSE3) e Caixa Seguridade (CXSE3) subiram 7,01% e 5,86%, respectivamente, beneficiadas pela expectativa de manutenção da taxa básica, que sustenta o retorno das carteiras de renda fixa.
Veja o quadro das dez maiores altas:
Imagem: Internet
• CURY3 – 11,88%
• DIRR3 – 8,83%
• CYRE3 – 7,72%
• BBSE3 – 7,01%
• CXSE3 – 5,86%
• PSSA3 – 5,61%
• ITUB4 – 4,56%
• VIVA3 – 4,46%
• EGIE3 – 4,39%
• HAPV3 – 4,20%
Maiores quedas: realização em tecnologia e consumo pesa sobre Natura
Apesar de ainda acumular ganho de 14,9% em 2026, a Natura liderou as perdas ao recuar 11,93%. Analistas atribuíram o ajuste a:
- Pressão de margens pela valorização do real, que reduz receitas no exterior;
- Rotação de portfólio de gestores para construtoras e utilities após revisão de preços-alvo;
- Aumento de short interest em papéis com forte desempenho no ano.
No segmento de tecnologia, Totvs (TOTS3) perdeu 9,97%, acompanhando a realização global em software depois que pares norte-americanos divulgaram projeções conservadoras para o segundo semestre. Entre empresas de consumo, Magazine Luiza (MGLU3) caiu 4,04% diante da expectativa de permanência da Selic em patamar restritivo, que encarece o crédito ao varejo.
Confira as dez maiores quedas:
• NATU3 – -11,93%
• TOTS3 – -9,97%
• MRVE3 – -7,50%
• CSAN3 – -6,96%
• ASAI3 – -6,03%
• RAIL3 – -4,16%
• USIM5 – -4,07%
• MGLU3 – -4,04%
• SLCE3 – -3,78%
• CEAB3 – -3,61%
Conclusão técnica
A semana foi marcada pela convergência de três vetores: distensão geopolítica, fluxo comprador decorrente de revisões positivas em segmentos específicos e agenda macroeconômica que sustentou a precificação de estabilidade monetária nos dois principais bancos centrais. A continuidade do desempenho positivo do Ibovespa dependerá, nas próximas sessões, da formalização do acordo EUA-Irã, da decisão do Copom em 17 de junho e dos números de inflação norte-americanos que serão divulgados na véspera. Até lá, construtoras e seguradoras mantêm viés favorável, enquanto companhias de tecnologia e consumo podem seguir sensíveis à trajetória dos juros domésticos.




