A projeção do Citibank indica que a Petrobras poderá anunciar cerca de US$ 2,3 bilhões em dividendos ordinários referentes ao primeiro trimestre de 2026, apoiada por maior produção de óleo e gás e pela valorização internacional do petróleo.
Estimativas financeiras para o 1T26
Com base nos dados operacionais divulgados pela própria estatal, o Citi calcula um Ebitda ajustado de aproximadamente US$ 13 bilhões, incremento de 19 % em relação ao quarto trimestre de 2025. A receita líquida projetada gira em torno de US$ 25 bilhões, enquanto o lucro líquido recorrente deve alcançar US$ 6 bilhões. No campo cambial, a variação do dólar ante o real pode adicionar ganhos contábeis adicionais ao resultado final.
No balanço previsto para 11 de maio, a produção agregada de óleo e gás aparece como principal vetor de crescimento. A companhia elevou volumes extraídos em função da entrada de novas plataformas, ao passo que a commodity Brent operou, no período, acima de US$ 110 o barril em meio às tensões no Oriente Médio. Apesar de apenas um ajuste pontual no preço do diesel, a combinação produção-preço melhorou o fluxo de caixa operacional, estimado em US$ 9,5 bilhões.
Mesmo com a geração robusta, o banco alerta para pressão no capital de giro por conta do atraso no recebimento de subsídios ao diesel e da tributação sobre exportações de petróleo. Os investimentos (capex) devem ter somado cerca de US$ 4,3 bilhões, concentrados na antecipação da plataforma P-79, recém-conectada ao campo de Búzios.
Política de remuneração e impacto ao investidor
Com a política que destina 45 % do fluxo de caixa livre aos proventos, o pagamento potencial de US$ 2,3 bilhões representa um dividend yield aproximado de 2 % para o trimestre. Ao longo de 2026, o Citi calcula que a rentabilidade ao acionista poderá ficar entre 12 % e 17 %, abrindo espaço para dividendos extraordinários no encerramento do ano, caso o Brent permaneça em patamares elevados e a companhia mantenha disciplina de capital.
O banco, no entanto, conserva recomendação neutra para as ações PETR4 e PETR3. Entre os fatores de contenção estão a limitação do repasse de preços de gasolina e diesel ao mercado doméstico e a recente redução do payout de 60 % para 45 %, decidida pelo conselho de administração. Permanece também no radar a influência do governo na estratégia corporativa e possíveis direcionamentos para investimentos em energias renováveis ou expansão de refino.
Revisões de preço-alvo e panorama setorial
O Citi ajustou o preço-alvo dos ADRs (PETR) de US$ 19,50 para US$ 20,50 e manteve o objetivo para PETR4 em R$ 49. Em paralelo, o relatório apresenta visão construtiva para outras companhias brasileiras de petróleo:
• Brava Energia (BRAV3): preço-alvo de R$ 25, sustentado pela soma das partes dos campos em produção; principais riscos concentram-se em execução operacional e governança.
• PetroReconcavo (RECV3): preço-alvo de R$ 14, baseado nas reservas atuais; dependência do mercado doméstico de gás e desafios de custo são pontos de atenção.
• Prio (PRIO3): preço-alvo de R$ 75, construído por avaliação campo a campo e inclusão de créditos fiscais; volatilidade do Brent e cronograma de perfuração figuram como variáveis-chave.
Imagem: Agência Estado
A despeito da retração diária observada em 5 de maio — quando PETR4 recuou 1,38 % no Ibovespa —, o Citi mantém cenário de preços de petróleo ainda favorável, embora reconheça que a estabilização recente dos combustíveis limite ganhos adicionais no mercado interno.
Fatores de risco e variáveis macroeconômicas
Entre os elementos com potencial de alterar o quadro traçado pelo banco destacam-se:
• Tributação sobre exportações: alíquota mais elevada pode impactar o fluxo de caixa livre e reduzir montante disponível para dividendos.
• Câmbio: apreciação do real ante o dólar enfraquece receitas em moeda estrangeira, ainda que alivie despesas financeiras.
• Custos operacionais: o avanço de novas unidades de produção tende a reduzir lifting cost, mas o ramp-up inicial — como observado na plataforma P-78 — gera pressões temporárias.
• Política de preços domésticos: manutenções prolongadas de congelamento de gasolina e diesel comprometem a captura de altas internacionais do Brent.
O banco acrescenta que uma eventual retomada mais forte da demanda global ou interrupções adicionais na oferta poderiam reacender movimento altista da commodity, cenário que ampliaria a geração de caixa da Petrobras e de suas concorrentes independentes.
Conclusão Técnica
A análise do Citi antecipa primeiro trimestre robusto para a Petrobras, ancorado em produção crescente, Brent valorizado e disciplina de investimentos. Caso as projeções se confirmem, o pagamento de até US$ 2,3 bilhões em dividendos ordinários reforçará a posição da companhia entre as principais fontes de retorno ao acionista no mercado brasileiro. A instituição, contudo, mantém postura cautelosa diante do payout reduzido, da influência governamental e da limitação para repassar preços de combustíveis. No conjunto, esses vetores sustentam recomendação neutra, ainda que perspectivas de rendimento total para 2026 permaneçam atraentes, especialmente se houver espaço para distribuição extraordinária de caixa ao fim do exercício.


