São Paulo (SP), 27 de maio de 2024 – Famílias em todo o Brasil intensificam, desde o início do ano, o uso de práticas simples para reduzir despesas, equilibrar o orçamento doméstico e ganhar fôlego financeiro diante da elevação do custo de vida registrada pelo IBGE nos últimos 12 meses. O movimento, observado em capitais e cidades do interior, envolve revisão de gastos fixos, compras mais planejadas e o apoio a ferramentas digitais de controle, segundo especialistas em finanças pessoais.
Planejamento começa pelo diagnóstico dos gastos
Levantamento da Confederação Nacional do Comércio (CNC) mostra que 78,3% das famílias brasileiras terminaram abril com algum grau de endividamento. Para a consultora de finanças pessoais Paula Almeida, o primeiro passo para economizar é listar todas as despesas recorrentes, identificar serviços subutilizados e renegociar contratos, quando possível. “Sem visibilidade, a pessoa não sabe onde cortar. O diagnóstico revela, por exemplo, assinaturas de streaming duplicadas ou tarifas bancárias que podem ser trocadas por pacotes isentos”, afirma.
Especialistas recomendam a divisão do orçamento em três blocos: despesas essenciais (moradia, alimentação, saúde e transporte), compromissos financeiros (parcelamentos e dívidas) e estilo de vida (lazer, assinaturas, presentes). A meta é direcionar, no máximo, 50% da renda líquida para o primeiro grupo, 30% para o segundo e 20% para o terceiro, modelo conhecido como 50-30-20.
Pequenas mudanças de hábito reduzem despesas essenciais
Estudo da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) indica que lâmpadas LED consomem até 80% menos eletricidade em comparação às fluorescentes. Trocar equipamentos antigos por versões mais eficientes gera economia média de R$ 20 a R$ 40 na conta de luz, dependendo do tamanho da residência.
No supermercado, a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) aponta variação de até 45% nos preços de itens idênticos em redes diferentes da Grande São Paulo. Comparar folhetos semanais e utilizar aplicativos de pesquisa de preços podem reduzir a despesa mensal com alimentação em até R$ 200, segundo o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec).
Outras táticas diárias incluem:
- Levar garrafa de água reutilizável ao trabalho, evitando gasto médio de R$ 4 por unidade de água mineral;
- Preparar marmitas duas vezes por semana, prática que pode economizar R$ 160 mensais em relação ao almoço em restaurantes por quilo;
- Conferir o trajeto no transporte por aplicativo antes do horário de pico; variação tarifária pode chegar a 60% entre 8h e 18h, de acordo com o Procon-SP.
Ferramentas digitais sustentam o controle em tempo real
Aplicativos de gestão financeira, como Mobills, Organizze e Minhas Economias, registram crescimento de 25% no número de usuários ativos desde janeiro, segundo dados das próprias plataformas. Elas permitem sincronizar contas bancárias, classificar despesas automaticamente e emitir alertas quando o limite de determinada categoria é ultrapassado.
Imagem: Redação
O Banco Central reforça que o Pix também se tornou aliado do controle, pois o extrato em tempo real facilita a conferência diária de gastos. Já programas de “arredondamento” – que enviam automaticamente a diferença de cada compra para uma reserva de emergência – ganharam espaço em carteiras digitais das principais fintechs.
Quando aproveitar oportunidades de crédito e investimento
Após reduzir despesas e estabilizar o fluxo de caixa, especialistas recomendam formar uma reserva de emergência equivalente a três a seis meses das despesas essenciais. Só então vale considerar oportunidades de crédito mais baratas ou investimentos de baixo risco.
Dados da Associação Brasileira de Entidades dos Mercados Financeiro (Anbima) mostram que títulos do Tesouro Selic apresentaram retorno de 9,5% em 12 meses, acima da inflação de 3,7% no período. Para linhas de crédito, a portabilidade pode cortar até 40% dos juros em empréstimos consignados, segundo o Banco Central.
Plataformas de conteúdo financeiro, incluindo canais em aplicativos de mensagens, vêm se popularizando para alertar consumidores sobre redução de taxas, novos produtos e datas de vencimento. As orientações, porém, devem ser confrontadas com fontes oficiais, como Banco Central, Receita Federal e Procons estaduais.
Conclusão
O cenário inflacionário pressiona o poder de compra das famílias, mas o conjunto de ações diárias — diagnóstico do orçamento, corte de pequenos desperdícios e uso de tecnologia para acompanhar gastos — mostra-se eficaz para desafogar a renda. O planejamento disciplinado, aliado à busca criteriosa por oportunidades de crédito mais barato e investimentos seguros, confirma-se como caminho para fortalecer a saúde financeira em médio e longo prazo.




