Safra recomenda compra de Eneva e destaca Equatorial e Alupar como apostas no setor elétrico

São Paulo, 4 de maio de 2026 — O Banco Safra elevou nesta segunda-feira (4) a recomendação das ações da Eneva (ENEV3) para “compra” e revisou o preço-alvo do papel de R$ 22,50 para R$ 31,70, após a companhia ampliar sua participação no mercado de geração térmica ao vencer o Leilão de Reserva de Capacidade de 2026. A instituição também reiterou preferência por Equatorial (EQTL3) e Alupar (ALUP11), apontando potenciais de valorização de 24,5% e 18,3%, respectivamente.

Por que a Eneva subiu ao topo da lista do Safra?

Quem é a empresa: a Eneva opera um portfólio integrado de geração, exploração e produção de gás natural e carvão, com usinas no Norte, Nordeste e Sudeste.

O que aconteceu: no LRCAP realizado em março, a elétrica renovou 1,7 GW em contratos existentes e conquistou 3,65 GW adicionais, assegurando contratos de 10 a 15 anos.

Impacto financeiro: o Safra calcula que os novos compromissos exigirão capex de R$ 18,2 bilhões e podem acrescentar cerca de R$ 9,6 bilhões em receita anual quando todos os projetos entrarem em operação, a partir de 2029.

Revisão de métricas: o banco ajustou seu modelo para incluir os resultados do leilão, a venda da usina de Pecém (CE) e premissas atualizadas de preços e custos, elevando a projeção de Ebitda para 2026-2030 em aproximadamente 22%.

Desempenho em bolsa: ENEV3 acumula alta de 106% em 12 meses e já sobe 36,3% em 2026, mais que o dobro do Ibovespa no mesmo período.

Equatorial: crescimento além da distribuição de energia

A Equatorial permanece na carteira recomendada do Safra graças a uma taxa interna de retorno estimada em 11,6% e à possibilidade de expansão para além do seu núcleo de distribuição.

Participação estratégica: a companhia detém 15% da paulista Sabesp, privatizada em 2025, e analistas veem chance de ganhos com eficiência operacional nessa participação minoritária.

Novas frentes de negócio: o Safra destaca o interesse declarado da empresa em futuros leilões de saneamento previstos para 2026, o que poderia diversificar receitas e reduzir riscos regulatórios concentrados no setor elétrico.

Valuation: o preço-alvo de R$ 52,70 implica potencial de valorização de 24,53% sobre o fechamento mais recente, com distribuição de dividendos considerada estável.

Alupar: exposição regional a receitas em dólar

No segmento de transmissão, a escolhida do Safra é a Alupar, cuja estratégia de diversificação geográfica inclui projetos no Peru, Chile e Colômbia.

Receita dolarizada: contratos fora do Brasil geram fluxo de caixa atrelado à moeda norte-americana, funcionando como proteção natural para o investidor.

Cronograma de entregas: a companhia tem empreendimentos em andamento que atingirão plena operação até 2029, impulsionando o Ebitda e garantindo TIR próxima de 10%.

Potencial de preço: o banco fixou meta de R$ 40,80 por unit, 18,3% acima da cotação atual.

Cenário competitivo: por que Cemig e Axia ficaram de fora?

O relatório do Safra menciona que, embora Cemig (CMIG4) e Axia Energia (AXIA3) apresentem fundamentos sólidos, seus potenciais de retorno ficaram aquém dos observados em Eneva, Equatorial e Alupar. No caso da Cemig, a recente reestruturação societária reduziu o espaço para ganhos extraordinários. Já a Axia, recém-chegada à B3, ainda precisa demonstrar execução consistente antes de obter recomendação mais enfática.

Setor elétrico continua atrativo para dividendos

Dados da B3 mostram que companhias de energia distribuíram, em média, 5,2% de dividend yield em 2025. Com contratos de longo prazo indexados à inflação, o segmento segue como alternativa defensiva em ciclos de juros mais altos. A visão do Safra reforça essa leitura ao priorizar empresas com fluxo de caixa previsível e novos projetos contratados.

Próximos gatilhos para o investidor acompanhar

1. Atualização regulatória: a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) deve divulgar em junho o resultado da revisão tarifária periódica de diversas distribuidoras, o que pode alterar projeções de receita.

2. Leilões de saneamento: editais previstos para o segundo semestre criarão oportunidades de sinergia para grupos elétricos interessados em expandir portfólio.

3. Resultado do 2T26: balanços a partir de julho trarão as primeiras indicações sobre o repasse de inflação a contratos e eventuais impactos de custos de combustível.

Conclusão — A atualização de recomendação do Safra coloca a Eneva no centro das atenções após a vitória no Leilão de Reserva de Capacidade, enquanto Equatorial e Alupar mantêm posições de destaque por apresentarem combinações de crescimento, diversificação e retorno. O movimento evidencia que, mesmo em cenário de juros relativamente elevados, o setor elétrico permanece entre as opções preferidas de casas de análise para geração de fluxo de caixa estável e potenciais ganhos de capital.