São Paulo, 4 de maio de 2026 – A Petrobras (PETR3; PETR4) deve reportar um primeiro trimestre robusto e pagar nova rodada de dividendos, segundo relatório do BTG Pactual divulgado após a estatal publicar seus dados operacionais. O banco projeta Ebitda de US$ 13 bilhões entre janeiro e março, impulsionado por produção recorde no pré-sal e pela valorização de aproximadamente 23% do Brent, e estima dividendos de US$ 2,1 bilhões já no 1T26.
Revisão de estimativas e novo preço-alvo para o ADR
Com os números preliminares em mãos, o BTG recalibrou suas projeções e elevou de US$ 22,03 para US$ 25 o preço-alvo dos American Depositary Receipts (ADRs) da petroleira negociados na Bolsa de Nova York. A recomendação de compra foi mantida.
Às 15h40 (horário de Brasília) desta segunda-feira, o ADR PBR subia 0,30%, a US$ 21,97, enquanto as ações preferenciais PETR4 avançavam 0,63% na B3, cotadas a R$ 49,38. Já os papéis ordinários PETR3 recuavam 0,2%, para R$ 54,61.
O relatório destaca que a Petrobras “combina valor de escassez com forte momentum operacional”, posicionando-se de forma singular entre as grandes companhias globais de energia.
Produção e custos: recordes no pré-sal melhoram margens
No primeiro trimestre, a produção doméstica de petróleo atingiu 2,58 milhões de barris por dia (bpd), superando o guidance anual. O avanço reflete o ramp-up de unidades no pré-sal, principalmente nos campos de Búzios e Mero.
Graças ao aumento de escala, o BTG prevê queda do lifting cost (custo de extração) para US$ 8,9 por barril, reforçando a competitividade da companhia mesmo em cenário de preço elevado do petróleo.
No refino, o banco reconhece que os spreads encolheram em março, mas aponta que parte relevante dos derivados acompanha as cotações internacionais, ainda que com defasagem. A subvenção ao diesel e preços mais favoráveis nas exportações de óleo cru ajudam a mitigar a pressão sobre as margens das refinarias.
Geração de caixa e potencial de proventos em 2026
Para o primeiro trimestre, o BTG projeta capex de US$ 4,9 bilhões e impacto negativo de capital de giro, fatores que ainda assim não impedem a expectativa de fluxo de caixa livre de US$ 4,8 bilhões.
Imagem: Agência Estado
Com esse nível de caixa, o banco calcula dividend yield trimestral de 1,5%. No acumulado do ano, a estimativa é de yield próximo a 9% e retorno de fluxo de caixa ao acionista (FCFE) em torno de 11%, abrindo espaço até para distribuições extraordinárias em 2027 se a geração de caixa permanecer no atual patamar.
Valuation, cenário político e sensibilidade ao custo de capital
O BTG reforça o caráter “raro” do ativo dentro do universo de mercados emergentes, combinando crescimento de produção, baixo custo de extração e forte geração de caixa. O banco simulou o efeito de uma redução de 200 pontos-base no custo de capital da companhia: tal movimento acrescentaria aproximadamente US$ 5 por ADR ao preço-alvo.
A revisão de premissas considerou também o Brent médio em US$ 82 por barril em 2026, além de ajustes na curva de produção e na política de subvenção ao diesel. Mesmo com compressão temporária de margens no refino, o valuation é visto como atrativo frente aos pares internacionais.
Cronograma: quando saem os números oficiais
A Petrobras divulga seus resultados financeiros do 1T26 em 11 de maio, após o fechamento do mercado. Na sequência, está prevista teleconferência com analistas para detalhamento das métricas operacionais e estratégia de capital.
Conclusão
O BTG Pactual reforçou a Petrobras na lista de principais recomendações. Com produção recorde no pré-sal, Ebitda projetado de US$ 13 bilhões e expectativa de dividendos robustos, a estatal segue destacada por seu fluxo de caixa consistente e perspectiva de remuneração ao acionista acima da média do setor.




