Disputa pelo Palácio dos Leões em 2026 coloca legado de Flávio Dino sob teste no Maranhão

A eleição para governador do Maranhão em 2026 opõe a continuidade do grupo liderado por Flávio Dino a nomes que representam renovação, como Eduardo Braide e Lahesio Bonfim, constituindo um plebiscito sobre o projeto político iniciado em 2014 e atualmente conduzido por Carlos Brandão.

Dez anos de hegemonia e os caminhos até 2026

O ciclo dinista teve início em 2014, quando Flávio Dino formou uma frente com 18 partidos para derrotar Edison Lobão Filho e encerrar quatro décadas de domínio da família Sarney no Palácio dos Leões. Reelegendo-se em 2018, Dino deixou o cargo em abril de 2022 para disputar o Senado. O vice, Carlos Brandão (MDB), assumiu o governo, garantiu vitória em primeiro turno naquele mesmo ano e consolidou a máquina estatal sob seu comando.

Impedido de concorrer a um novo mandato em 2026, Brandão trabalha para transferir capital político ao sobrinho Orleans Brandão, ex-secretário estadual de Assuntos Municipalistas, apresentado em março com o apoio declarado de 11 partidos e de 182 dos 217 prefeitos maranhenses.

Duas pré-vias governistas: Orleans Brandão x Felipe Camarão

No campo situacionista, a corrida interna é marcada por um embate entre Orleans Brandão e o vice-governador Felipe Camarão (PT). Camarão foi secretário de Educação nos dois mandatos de Dino, mantém relação direta com o presidente Lula e sustenta publicamente que a gestão atual se distancia das diretrizes originais do projeto dinista. Mesmo sem o aval do MDB, o petista insiste na pré-candidatura e utiliza a estrutura da vice-governadoria para percorrer o interior.

Orleans, por sua vez, estreia em disputas majoritárias exibindo capilaridade municipal inédita na história recente do estado. A aposta do grupo é reproduzir o desempenho de 2022, quando Brandão conquistou 51,29 % dos votos válidos logo no primeiro turno, assegurando maioria em 205 dos 217 municípios.

Oposição múltipla: Eduardo Braide, Lahesio Bonfim e o avanço do agronegócio

Fora do bloco governista, o ex-prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD), desponta como principal adversário. Reeleito em 2024 com 70,12 % da votação na capital — recorde local —, Braide atraiu atenção da cúpula nacional do PSD e já articula alianças em território onde seu nome ainda é pouco conhecido.

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Imagem: Reprodução

No espectro à direita, o ex-prefeito de São Pedro dos Crentes, Lahesio Bonfim (Novo), representa o sul maranhense vinculado ao MATOPIBA, fronteira agrícola que projeta crescimento do PIB regional acima da média nacional. Médico de formação e segundo colocado em 2022, Bonfim tornou-se opção competitiva ao dialogar com produtores rurais e eleitorado evangélico, segmentos que cresceram no estado na última década.

Números das pesquisas e cenários projetados

Levantamento da AtlasIntel, protocolado no TSE sob nº MA-09846/2026, indica Eduardo Braide com 50,1 % das intenções de voto no cenário estimulado. Orleans Brandão aparece com 23,1 %, seguido de Felipe Camarão (14 %) e Lahesio Bonfim (8,4 %). A margem de erro é de ± 3 pontos percentuais. Embora confortável, a vantagem de Braide depende da expansão no interior, onde o grupo governista mantém estruturas administrativas e redes de prestadores de serviço público.

No campo situacionista, analistas apontam que eventual unificação entre Orleans e Camarão poderia elevar o patamar governista para cerca de 37 % a 40 %, tornando plausível um segundo turno. A direita investe na rejeição à administração federal para ampliar espaço, sobretudo após a migração de recursos do Plano Safra para o Nordeste.

Conclusão técnica

Com o legado de Flávio Dino em evidência, a sucessão maranhense se delineia em três eixos: a tentativa de continuidade com Orleans Brandão, a dissidência petista de Felipe Camarão e a alternativa oposicionista capitaneada por Eduardo Braide e Lahesio Bonfim. As próximas etapas decisivas incluem a definição do candidato governista em convenções partidárias de 2026 e a consolidação de alianças regionais nos primeiros três trimestres do ano eleitoral. Pesquisas subsequentes demonstrarão se a máquina estadual consegue recuperar terreno ou se o eleitorado optará por reorganizar o tabuleiro político maranhense após uma década de domínio dinista.