O desejo de abrir o próprio negócio retornou ao posto de segundo maior sonho da população adulta brasileira em 2025, de acordo com o levantamento Global Entrepreneurship Monitor (GEM), conduzido no país pelo Sebrae em parceria com a Anegepe. A pesquisa indica que 40 % dos entrevistados entre 18 e 64 anos citam o empreendedorismo como prioridade imediata, índice que supera em seis pontos percentuais o resultado apurado no ano anterior.
Evolução do interesse em empreender
A trajetória da intenção de empreender apresentou oscilações nos últimos ciclos do GEM, mas volta a registrar alta expressiva. Em 2024, o percentual de pessoas que pretendiam abrir uma empresa atingia 34 %. O avanço para 40 % em 2025 representa o maior salto anual já observado na série recente, superando inclusive o ritmo de crescimento de anos como 2020 e 2022, quando a marca do segundo lugar também havia sido alcançada.
A variação positiva sugere uma combinação de fatores: ambiente macroeconômico mais estável, ampliação do acesso a crédito direcionado a micro e pequenos negócios e disseminação de programas de capacitação empreendedora. Para Rodrigo Soares, presidente do Sebrae, os dados “comprovam o espírito empreendedor do brasileiro” e demonstram que a população “enxerga no negócio próprio uma alternativa de renda e autonomia em um mercado de trabalho em transformação”.
Reorganização das prioridades nacionais
O avanço do empreendedorismo redirecionou o ranking de aspirações do público adulto. O sonho da casa própria permanece na liderança, mas novas posições foram redefinidas:
- Viajar pelo Brasil passou para o terceiro lugar, com 37 % das menções.
- Viajar para o exterior figura na quarta posição, somando 36 %.
- Comprar um automóvel atinge o quinto posto, anotando 32 %.
- Concluir o ensino superior completa o grupo principal, com 25 %.
A reclassificação evidencia que, mesmo diante de metas tradicionais ligadas a consumo ou educação formal, a busca por independência financeira via empreendedorismo ganhou relevância substancial em 2025.
Metodologia e alcance da pesquisa GEM
Reconhecido como um dos principais termômetros globais de empreendedorismo, o Global Entrepreneurship Monitor monitora mais de 110 economias. No Brasil, a edição 2025 envolveu 2 350 entrevistas presenciais com adultos distribuídos em todas as regiões, assegurando representatividade estatística.
O estudo abrange diferentes estágios de maturidade dos negócios: empreendedores nascentes, empresas em fase inicial e empreendimentos consolidados com mais de três anos e meio de operação. Essa segmentação permite mapear tanto a intenção de empreender quanto a sustentabilidade dos projetos ao longo do tempo.
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Contexto econômico e fatores de incentivo
Análises de mercado indicam que a redução gradual da taxa básica de juros ao longo de 2025 contribuiu para ampliar o apetite ao risco dos potenciais empreendedores. Parcerias público-privadas reforçaram instrumentos de microcrédito, enquanto aceleradoras e fundos de investimento seed ampliaram a oferta de capital para projetos escaláveis.
Programas de formação, como o Empretec e o Brasil Mais, também influenciaram positivamente a confiança dos entrevistados. Eles fornecem conteúdos sobre modelagem de negócios, gestão financeira e transformação digital, reduzindo barreiras iniciais de conhecimento e profissionalização.
No campo regulatório, a simplificação de processos de abertura de empresas via plataformas estaduais de registro único diminuiu o tempo médio de formalização, tornando o ambiente mais atrativo. Além disso, a discussão em torno da modernização do Simples Nacional tende a favorecer micro e pequenos empresários no curto prazo, reforçando o potencial de manutenção do índice elevado de interesse.
Conclusão técnica
Os resultados do GEM 2025 confirmam a retomada do empreendedorismo como eixo central dos projetos de futuro dos brasileiros. O impulso de 6 pontos percentuais no período de doze meses reposiciona o negócio próprio na vice-liderança das ambições nacionais, atrás apenas da aquisição da moradia. A tendência reflete condições macroeconômicas mais favoráveis, ampliação do crédito, iniciativas de capacitação e avanços regulatórios que reduzem entraves burocráticos. Observa-se, portanto, um cenário propício à consolidação de novos empreendimentos, panorama que deve ser monitorado nas próximas edições da pesquisa para aferir a conversão efetiva dessa intenção em negócios sustentáveis.


