Donald Trump rejeitou a proposta iraniana de cessar-fogo e manteve o impasse que já dura onze semanas, elevando o Brent para US$ 100 por barril e reacendendo o temor de fechamento prolongado do Estreito de Ormuz, fator que dificulta a desaceleração da inflação global e adia quaisquer cortes de juros pelo Federal Reserve.
Reação imediata dos mercados ao novo veto de Washington
A resposta negativa da Casa Branca ocorreu em 12 de maio de 2026, após Teerã propor um acordo focado apenas no cessar-fogo, deixando a discussão nuclear para um estágio posterior. O governo norte-americano classificou a oferta como “totalmente inaceitável” e reiterou a necessidade de avanços substanciais sobre o programa atômico iraniano. O veto provocou:
- Alta de 4,7 % no preço do petróleo tipo Brent, que voltou a ultrapassar US$ 100 o barril;
- Ampliação dos prêmios de risco em Treasuries de dez anos, cujo rendimento atingiu 4,25 % no intradia;
- Aumento de 1,3 ponto no índice de volatilidade VIX, sinalizando maior aversão a risco.
Grandes bancos internacionais passaram a atualizar cenários de inflação, prevendo impacto adicional de 0,3 ponto percentual no índice de preços ao consumidor dos Estados Unidos caso o bloqueio de Ormuz persista por um trimestre completo.
Estreito de Ormuz: gargalo estratégico para 20 % do petróleo mundial
Responsável pela passagem diária de cerca de 17 milhões de barris, o Estreito de Ormuz é o principal corredor marítimo para exportações de energia do Golfo Pérsico. Qualquer interrupção prolongada tende a:
- Reduzir a oferta global de petróleo em até 6 %, segundo dados da Agência Internacional de Energia;
- Elevar custos de frete e seguros marítimos em mais de 25 % para rotas alternativas pelo Cabo da Boa Esperança;
- Gerar pressão imediata sobre preços de derivados, sobretudo diesel e querosene de aviação.
Os riscos de escassez já levaram refinarias asiáticas a acionar estoques estratégicos. Relatórios de consultorias especializadas apontam que, se o bloqueio parcial se transformar em paralisação total, o barril poderia superar US$ 120 ainda no segundo semestre.
Fed entre inflação persistente e juro terminal mais alto
O choque de oferta amplia a dificuldade do Federal Reserve em cumprir a meta de 2 % de inflação. Antes da escalada, as projeções de mercado apontavam início do ciclo de afrouxamento monetário em dezembro de 2026. Agora, casas de análise empurram a primeira redução para março de 2027, sob as seguintes premissas:
Imagem: Internet
- Inflação de energia adiciona até 0,5 p.p. à variação anual do PCE;
- Crescimento do PIB desacelera de 1,8 % para 1,4 % em 2027, reflexo de custos mais altos de combustíveis e transporte;
- Taxa de desemprego sobe marginalmente para 4,4 %, porém permanece abaixo do gatilho histórico para estímulos fiscais mais agressivos.
Com juros elevados por mais tempo, aumentam as despesas de financiamento da dívida federal norte-americana, hoje em US$ 34,9 trilhões. Cada 0,25 p.p. adicional no juro médio da dívida representa acréscimo anual aproximado de US$ 70 bilhões nos encargos do Tesouro.
Visita a Pequim e o tabuleiro geoeconômico mais amplo
Trump desembarca em Pequim em 14 e 15 de maio para o primeiro encontro presidencial com Xi Jinping desde 2017. A pauta oficial inclui:
- Conflito Irã-EUA: Washington busca apoio chinês para pressionar Teerã a negociar ponto nuclear e reabrir Ormuz;
- Comércio bilateral: avaliação da trégua firmada em Busan e discussão sobre subsídios a semicondutores e cadeias críticas de minerais;
- Tecnologia e segurança: debate sobre exportações de equipamentos avançados, regras para inteligência artificial e estabilidade no estreito de Taiwan.
Diplomatas ressaltam que Pequim exerce influência financeira sobre Teerã por meio de acordos de investimento avaliados em US$ 400 bilhões. Esse fator pode transformar a capital chinesa em peça-chave para qualquer descompressão regional.
Conclusão técnica
A rejeição norte-americana à proposta iraniana prolonga a tensão, mantém o petróleo acima de US$ 100 e reduz a probabilidade de cortes de juros pelo Fed em 2026. Sem alívio na rota de Ormuz, inflação de energia tende a permanecer resiliente, comprimindo margens de crescimento global e elevando o custo de financiamento da maior economia do mundo. A reunião de alto nível em Pequim surge como oportunidade diplomática para destravar negociações, mas, na ausência de progresso concreto, o cenário base continua a contemplar volatilidade nos mercados de commodities, pressões inflacionárias adicionais e política monetária restritiva por período mais longo.




