Espaçolaser mantém foco em rentabilidade no 1T26 e posterga expansão acelerada, afirma CFO

Lucro bruto ajustado de R$ 117,4 milhões, leve retração de 1,4%, e lucro líquido ajustado de R$ 19 milhões, queda de 17%, marcaram o primeiro trimestre de 2026 da Espaçolaser; apesar das vendas resilientes, a companhia considera o cenário ainda incerto para retomar um crescimento acelerado, segundo o CFO Fabio Itikawa.

Panorama financeiro do 1T26

A rede de estética especializada em depilação a laser encerrou o trimestre com receita bruta de R$ 375,35 milhões, avanço de 0,7% na comparação anual. Em termos de receita líquida ajustada, o montante ficou em R$ 290,2 milhões, aumento modesto de 0,2%. As vendas do sistema — indicador que inclui franquias e unidades próprias — alcançaram R$ 459,3 milhões, variação positiva de 1,6%, mesma taxa observada em same-store sales.

O Ebitda ajustado totalizou R$ 76,1 milhões, com margem de 26,2%. A geração de caixa operacional converteu 89% do Ebitda, atingindo R$ 67,8 milhões, alta de 39,5%. Esse desempenho contribuiu para reduzir a alavancagem: a relação dívida líquida/Ebitda caiu de 2,1x no 1T25 para 1,8x no período atual.

Como reflexo desses avanços, a agência de classificação de risco Fitch elevou a nota da companhia em 30 de abril, de A-(bra) para A(bra), com perspectiva estável, citando ganhos consistentes de rentabilidade e fortalecimento da geração de caixa.

Estratégias para proteger margens e reduzir endividamento

Segundo o diretor financeiro, 2026 permanece “um ano bastante desafiador”. Diante do ambiente macroeconômico ainda volátil, a empresa tem priorizado iniciativas que preservem margem e liquidez. Entre elas:

  • Redução de cancelamentos: o índice recuou de 11,1% da receita no 4T25 para 10,2% no 1T26, melhora de 0,9 ponto percentual.
  • Encurtamento do prazo de pagamento dos clientes em aproximadamente um mês, reforçando o fluxo de caixa.
  • Desalavancagem gradual: ainda que satisfeito com a trajetória, Itikawa classifica o nível atual de endividamento como acima do desejado e mantém a redução da dívida como prioridade.

Em vez de inaugurar novas lojas — a base já soma 859 unidades no Brasil e América Latina — a empresa tem distribuído R$ 13,5 milhões em dividendos desde janeiro e executado R$ 5 milhões em recompra de ações, buscando retorno mais direto ao acionista.

Perspectivas de diversificação e criação de valor

Apesar da cautela para 2026, o plano estratégico contempla novos vetores de crescimento. A intenção é aproveitar a capilaridade de mais de 800 lojas e uma base de 5 milhões de clientes para ofertar serviços adjacentes à depilação. Embora a empresa não tenha detalhado quais categorias poderão ser adicionadas, a expansão de portfólio visa alavancar a recorrência de receitas e elevar o ticket médio, sem comprometer a rentabilidade.

Historicamente, o setor de estética no Brasil apresenta barreiras de entrada moderadas, demanda pulverizada e sensibilidade a renda disponível. Nesse contexto, a busca pela diversificação permite diluir riscos associados à concentração em um único serviço e potencializa sinergias operacionais, principalmente em marketing e ocupação de lojas.

Além disso, a manutenção do foco em eficiência operacional pode sustentar margens mesmo durante um ciclo de expansão futura. Programas de fidelização baseados em dados de consumo dos atuais clientes são apontados como ferramentas para impulsionar o cross-sell quando as novas frentes forem lançadas.

Conclusão Técnica

Os resultados do 1T26 demonstram que a Espaçolaser mantém crescimento orgânico modesto, porém consistente, em meio a um ambiente ainda incerto. A estratégia de privilegiar rentabilidade, desalavancagem e recompra de ações reforça o compromisso com a disciplina financeira. A elevação de rating pela Fitch confirma a robustez da geração de caixa e respalda a visão de continuidade na trajetória de redução do endividamento. Para os próximos trimestres, a companhia tende a prosseguir com ajustes operacionais enquanto desenvolve o plano de diversificação de serviços, iniciativa que poderá ampliar as fontes de receita sem sacrificar margens.