O futebol brasileiro perdeu nesta quinta-feira, 11 de janeiro de 2024, o ex-zagueiro Benedicto de Assis da Silva, o Brito, campeão mundial pela Seleção na Copa de 1970, que faleceu aos 86 anos após internação motivada por um quadro de pneumonia confirmado pela família.
Trajetória na Seleção Brasileira
Brito vestiu a camisa canarinho em 45 partidas oficiais entre 1964 e 1972. A primeira convocação ocorreu para a Copa do Mundo de 1966, na Inglaterra, quando atuou como volante. Quatro anos mais tarde, no México, consolidou-se como zagueiro titular ao lado de Piazza, compondo uma defesa que sofreu apenas sete gols em seis jogos. O atleta destacou-se por resistência física: relatórios da comissão técnica apontaram frequência cardíaca de recuperação inferior a 60 bpm, índice considerado de elite na época. Além do título mundial, levantou a Copa Roca de 1971 e a Taça Independência de 1972, somando três taças oficiais pelo selecionado nacional.
Carreira por clubes e conquistas
Revelado pelo Vasco da Gama em 1955, Brito acumulou 10 títulos pelo time carioca, incluindo o Torneio Rio-São Paulo de 1966. Permaneceu em São Januário por dez anos até ser transferido ao Flamengo em 1970. A trajetória profissional inclui passagens por:
- Cruzeiro – campeão da Supercopa Antártica de 1970;
- Botafogo – vencedor de 4 campeonatos estaduais entre 1972 e 1974;
- Corinthians – 48 partidas disputadas na temporada de 1974;
- Atlético Paranaense – semifinalista do Brasileirão de 1975;
- Montreal Castors (Canadá) – primeiro contrato internacional em 1976;
- Deportivo Galicia (Venezuela) – campeão do Apertura local em 1977;
- Democrata-GV e River-PI – clubes pelos quais encerrou a carreira em 1979.
Em reconhecimento ao desempenho no Campeonato Brasileiro de 1970, o jogador recebeu a Bola de Prata da revista Placar, premiação atribuída aos melhores de cada posição.
Repercussão e homenagens
A Confederação Brasileira de Futebol publicou nota oficial assinada pelo presidente Samir Xaud, enaltecendo a “raça e liderança” do ex-defensor e lembrando que sua história “segue como inspiração para as futuras gerações”. Clubes por onde passou, como Vasco, Botafogo e Flamengo, também manifestaram pesar nas redes sociais, decretando luto de três dias e exibindo faixas pretas nos emblemas digitais. Ex-companheiros, a exemplo de Clodoaldo e Jairzinho, divulgaram mensagens destacando o profissionalismo do atleta dentro e fora de campo.
Imagem: Reprodução
Além do ambiente esportivo, autoridades públicas, entre elas o Ministério do Esporte, emitiram condolências, ressaltando o papel do zagueiro na consolidação da imagem vencedora do Brasil nos palcos internacionais da década de 1970.
Perfil físico e estilo de jogo
Medindo 1,79 m e pesando 76 kg em seu auge, Brito era conhecido pelo vigor nos desarmes e pela capacidade de antecipação. Estatísticas coligidas pelo Centro de Pesquisa da CBF registram média de 5,2 cortes e 3,8 interceptações por partida na Copa de 1970. O preparador físico Carlos Alberto Parreira, integrante da comissão técnica naquela edição, relatou que o atleta possuía “níveis de VO₂ máximo acima de 60 ml/kg/min”, marca expressiva para o período.
Conclusão Técnica
A morte de Brito encerra o ciclo de um dos pilares defensivos do tricampeonato mundial de 1970. O ex-zagueiro deixa legado de disciplina tática, versatilidade posicional e conquistas relevantes tanto em clubes quanto na Seleção. A CBF deverá formalizar, nos próximos dias, um minuto de silêncio nas rodadas das séries A, B e C do Campeonato Brasileiro de 2024. Paralelamente, o Vasco da Gama prepara cerimônia de homenagem em São Januário, com a previsão de inauguração de busto comemorativo ainda neste semestre. As comemorações do centenário da Copa de 1970, programadas para 2070, terão agora mais um capítulo de memória a ser celebrado em reconhecimento à contribuição de Brito para a história do futebol.




