Passeio subterrâneo na Mina de Visitação de Criciúma revela 300 m de galerias históricas de carvão

A Mina de Visitação Octávio Fontana, única mina de carvão aberta ao público na América Latina, oferece ao visitante um percurso de 300 metros de galerias a 24 metros de profundidade, combinando turismo, memória industrial e educação patrimonial em Criciúma, Sul de Santa Catarina.

Da exploração comercial (1960-1995) à abertura turística em 2011

Instalada no bairro Archimedes Naspolini, a estrutura integra o antigo complexo da Mina São Simão, responsável por parte significativa da produção carbonífera catarinense entre 1960 e 1995. No auge da operação, centenas de trabalhadores desciam diariamente ao subsolo para sustentar a cadeia energética regional, cenário que marcou a identidade econômica do município.

Com o esgotamento comercial do filão, as galerias foram desativadas até a requalificação iniciada pela Fundação Educacional de Criciúma (Satc). O processo culminou na inauguração, em 28 de maio de 2011, da atual Mina de Visitação, transformando 15 000 m² de área em equipamento cultural voltado à preservação da memória carbonífera.

Segundo o coordenador Roberto Bortolotto, o objetivo foi “proporcionar uma experiência completa”, conectando informações técnicas sobre mineração, relatos de ex-mineiros e acervo museológico ao ar livre.

Percurso subterrâneo: 24 m abaixo da superfície em réplica de locomotiva de 1922

A jornada inicia em um pavilhão museográfico com maquetes, fotografias históricas e vídeos que contextualizam a extração artesanal do “ouro preto”. Em seguida, o visitante desce 24 m por um túnel de acesso que conduz às passagens originais.

Dentro da mina, são 300 m de galerias liberadas ao público, parte de um labirinto que ultrapassa 6 000 m. O deslocamento pode ocorrer de duas formas:

  • a pé, para contato direto com os veios de carvão e a temperatura constante do subsolo;
  • ou a bordo de uma réplica de locomotiva alemã de 1922, ativada conforme o tamanho do grupo.

Ao longo do trajeto, ferramentas originais — pás, picaretas e vagonetas metálicas — ajudam a ilustrar a rotina exaustiva dos mineiros. Painéis iluminados explicam métodos de sustentação, sistemas de ventilação e protocolos de segurança implementados ao longo das décadas.

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Imagem: Divulgação

Operação turística, valores de ingresso e preservação da memória regional

A Mina de Visitação opera de terça a domingo, com saídas em horários fixos. O ingresso custa R$ 26 (inteira) e R$ 13 (meia) para estudantes, professores e pessoas acima de 60 anos. A receita é reinvestida na manutenção das galerias, no aprimoramento dos circuitos interpretativos e em ações educativas em parceria com escolas da região carbonífera.

Por receber grupos escolares, universitários e visitantes estrangeiros, o agendamento prévio é recomendado para formações superiores a 20 pessoas, garantindo controle de fluxo e condições adequadas de segurança.

Além do apelo turístico, o equipamento cumpre função social ao registrar histórias de fé, camaradagem e risco vividas pelos trabalhadores que, durante décadas, sustentaram o desenvolvimento energético de Santa Catarina. O coordenador destaca que muitas famílias locais se reconhecem no acervo, reforçando laços comunitários e estimulando novas pesquisas acadêmicas sobre mineração.

Conclusão Técnica

A Mina de Visitação Octávio Fontana consolida-se como referência continental em turismo de mineração ao disponibilizar infraestrutura segura para acesso a galerias originais de carvão. A combinação de acervo museológico, trilha subterrânea e curadoria histórica garante alto grau de autenticidade, fator determinante para a permanência da atração nos roteiros oficiais de Criciúma. Mantidos os atuais índices de visitação e o programa de reinvestimento na estrutura, a tendência é de expansão de horários e de novos módulos expositivos nos próximos anos, reforçando a preservação do patrimônio carbonífero e o potencial educativo do espaço.