Explosão de botijão fere bebê de um ano em Santa Catarina e mobiliza transporte aéreo de urgência

Bebê de 1 ano sofreu queimaduras em 28% do corpo na tarde de quarta-feira (6), após a explosão de um botijão de gás em uma residência de Nova Erechim, no Oeste de Santa Catarina; a vítima foi estabilizada no hospital local e transferida de helicóptero para o Hospital Regional do Oeste, em Chapecó, devido à gravidade dos ferimentos e à suspeita de comprometimento das vias aéreas.

Dinâmica do acidente e primeiros relatos

Segundo o Serviço Aeropolicial de Fronteira (SAER), a explosão ocorreu dentro de um imóvel residencial por volta do meio-dia. Ainda não há confirmação oficial sobre a causa exata do rompimento do botijão, mas equipes de segurança trabalham com hipóteses que variam desde falha no regulador de pressão até vazamento não detectado no ambiente.

Moradores vizinhos relataram ter ouvido um estrondo seguido de fumaça densa. Familiares socorreram a criança imediatamente e acionaram o Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina, que chegou ao local em menos de dez minutos, controlou o princípio de incêndio e isolou a área para perícia técnica.

Autoridades municipais informaram que não houve outros feridos e que a casa apresentava danos estruturais moderados, exigindo vistoria posterior da Defesa Civil. A perícia deverá examinar o botijão, as conexões e possíveis fontes de ignição para determinar responsabilidade e prevenir novos incidentes.

Atendimento médico e logística de transferência

No Hospital Municipal de Nova Erechim, a equipe plantonista classificou as queimaduras da criança como de segundo grau, abrangendo face, tronco e membros superiores. A avaliação inicial indicou risco de edema em vias aéreas superiores, fator que pode evoluir para insuficiência respiratória súbita.

Diante desse quadro, médicos solicitaram a remoção aeromédica. O helicóptero do SAER decolou às 14h23, pousou em Chapecó após um voo de aproximadamente 10 minutos e entregou o paciente diretamente no setor de queimados do Hospital Regional do Oeste. Durante o trajeto, a criança recebeu oxigenoterapia e analgesia intravenosa, sem intercorrências hemodinâmicas.

O protocolo adotado segue as diretrizes nacionais de suporte avançado em queimaduras pediátricas, que recomendam transferência imediata para centros especializados quando a superfície corporal queimada excede 20% ou quando há suspeita de lesão inalatória, mesmo em pacientes estáveis.

Riscos de botijões de gás e medidas de prevenção

No Brasil, estima-se que mais de 90 % dos lares utilizem gás liquefeito de petróleo (GLP) para cocção. Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) indicam a ocorrência média anual de 1 500 acidentes domésticos relacionados a GLP, com cerca de 30 mortes registradas.

As principais causas identificadas são instalação inadequada, uso de mangueiras fora do prazo de validade e ausência de ventilação suficiente no ambiente. Especialistas recomendam a fiscalização periódica de reguladores e válvulas, substituição de conexões a cada cinco anos e posicionamento do botijão em área externa ou bem ventilada.

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Imagem: Freepik

Em caso de suspeita de vazamento, orienta-se fechar o registro imediatamente, evitar acionamento de interruptores elétricos e contatar os bombeiros pelo número 193. Educação preventiva em escolas e campanhas de conscientização comunitária têm se mostrado eficazes na redução de incidentes, segundo levantamento do Instituto de Segurança Contra Incêndio (ISCI).

Efeitos clínicos das queimaduras em crianças

Queimaduras em crianças pequenas apresentam desafios específicos devido à maior proporção de superfície corporal em relação ao peso, o que amplia a perda de líquidos e eleva o risco de choque hipovolêmico. A literatura médica aponta que queimaduras superiores a 15 % da superfície corporal demandam ressuscitação volêmica rigorosa nas primeiras 24 horas, seguindo a fórmula de Parkland adaptada para idade.

Complicações frequentes incluem infecções secundárias, contracturas cicatriciais e impactos psicológicos de longo prazo. Por esse motivo, centros de referência como o Hospital Regional do Oeste dispõem de equipes multidisciplinares formadas por cirurgiões plásticos, intensivistas pediátricos, fisioterapeutas, nutricionistas e psicólogos.

No caso específico de lesão inalatória, a monitorização contínua com broncoscopia, gasometria arterial e suporte ventilatório pode ser necessária. Estudos da Sociedade Brasileira de Queimaduras comprovam que a intervenção precoce reduz a mortalidade em até 50 % nessa faixa etária.

Conclusão técnica e próximos passos

A criança permanece internada em estado considerado grave, porém estável, sob vigilância intensiva e com expectativa de avaliações sequenciais para definir necessidade de enxertos cutâneos. A investigação de causas, conduzida pelo Corpo de Bombeiros e pela Polícia Científica de Santa Catarina, deverá emitir laudo em até 30 dias, fornecendo subsídios para eventuais responsabilizações civis ou criminais.

Enquanto isso, órgãos de defesa do consumidor reforçam a recomendação de adquirir botijões somente de revendedores autorizados e de realizar inspeções periódicas nos equipamentos de GLP residenciais. A disseminação de protocolos de segurança e a ampliação de treinamentos comunitários figuram entre as ações mais promissoras para mitigar ocorrências semelhantes.