Uma falha no sistema de comunicação do Controle de Aproximação de São Paulo (APP-SP) suspendeu pousos e decolagens nos aeroportos de Guarulhos (GRU), Congonhas (CGH) e Viracopos (VCP) na manhã desta terça-feira, 2 de junho de 2026, afetando a principal malha aérea do país até a restauração total das operações.
Interrupção e retomada das operações
A paralisação teve início por volta das 07h20, quando controladores identificaram a perda de comunicação crítica com aeronaves em aproximação e saída na região metropolitana paulista. Em consequência, a concessionária GRU Airport determinou a interrupção imediata dos procedimentos de pouso e decolagem, medida rapidamente replicada pelos terminais de Congonhas e Viracopos em coordenação com o Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA).
Dados preliminares indicam que mais de 40 voos sofreram atrasos superiores a uma hora e pelo menos 12 rotações foram redirecionadas para aeroportos de alternativa, incluindo Galeão (GIG) e Aeroporto Internacional de Brasília (BSB). Às 09h05, o DECEA autorizou o reestabelecimento gradual dos serviços após testes de redundância confirmarem a estabilidade do canal primário de comunicação.
Apesar da normalização anunciada, as administrações recomendam aos passageiros que verifiquem o status dos voos junto às companhias aéreas, pois o efeito cascata de atrasos pode se estender pelo restante do dia.
Origem técnica do problema
De acordo com nota oficial emitida pela Força Aérea Brasileira, a falha ocorreu em um subsistema externo responsável pelo enlace entre o APP-SP e as torres de controle locais. Esse componente, fundamental para a troca de instruções entre controladores e pilotos, apresentou perda momentânea de redundância, disparando protocolos de segurança que exigem a suspensão de aproximações por instrumentos.
Especialistas do Centro de Gerenciamento da Navegação Aérea (CGNA) explicam que o episódio se enquadra na categoria de “Indisponibilidade Operacional Grau 2”, que prevê interrupção de fluxo aéreo por até 120 minutos sem comprometer a segurança. As aeronaves já em rota foram mantidas em órbitas de espera ou vetoradas para destinos alternativos, respeitando as separações mínimas internacionais.
Os primeiros relatórios técnicos apontam para uma falha de hardware no módulo de enlace VHF, mas um comitê interno de investigação — composto por representantes do DECEA, da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) e das concessionárias afetadas — deve apresentar laudo conclusivo em até 30 dias.
Impacto para companhias aéreas e passageiros
Com cerca de 1 300 movimentos diários, o complexo aeroportuário paulista concentra 28 % da demanda aérea nacional. A interrupção coincidiu com o pico matinal de voos corporativos e internacionais, provocando realocações de frota e necessidade de reacomodação de passageiros.
Imagem: Internet
Companhias como LATAM, Gol e Azul ativaram planos de contingência, oferecendo isenção de taxas para remarcação em voos até 48 horas após o incidente. Já operadores de carga relataram atrasos na transferência de aproximadamente 180 toneladas de mercadorias perecíveis e itens eletrônicos destinados a centros logísticos próximos ao Rodoanel.
O Sindicato Nacional dos Aeronautas comunicou que tripulações respeitaram os limites máximos de jornada, exigindo escalas adicionais para cumprir regulamentações de fadiga. Na avaliação do setor, o reflexo financeiro imediato pode ultrapassar R$ 12 milhões em custos operacionais e compensações.
Precedentes e medidas de mitigação
Incidentes semelhantes já foram registrados em abril de 2026 e setembro de 2025, ambos relacionados a falhas no backbone de comunicação entre o APP-SP e o Centro de Controle de Área Curitiba (CWZ). Após o episódio de abril, foram instalados enlaces de fibra óptica adicionais e geradores dedicados, mas o relatório final sugeriu a modernização de rádios VHF de primeira geração ainda em operação.
O Programa de Integração de Sistemas de Gerenciamento de Tráfego Aéreo (Sirius-Brasil), previsto para ser concluído em 2028, contemplará a substituição completa desses equipamentos por terminais baseados em IP, além de integrar sistemas de vigilância ADS-B em tempo real. Até lá, o DECEA mantém planos de contingência que incluem a redistribuição de rotas via Centro de Controle de Área Brasília (BSB) em casos de indisponibilidade prolongada.
Conclusão técnica
As operações nos principais aeroportos paulistas encontram-se regularizadas, embora sujeitas a atrasos residuais enquanto companhias ajustam malha e conexões. O comitê de investigação trabalha na identificação exata da causa raiz para implementar correções permanentes e evitar recorrências. Novos boletins técnicos deverão ser divulgados pelo DECEA e pela ANAC, e futuras atualizações serão necessárias conforme o laudo conclusivo e eventuais recomendações de segurança forem publicados.




