Falhas de Supervisão Facilitam Fraudes do Banco Master, Aponta André Esteves em Fórum Executivo

André Esteves, chairman do BTG Pactual, afirmou neste sábado, 23 de maio de 2026, que insuficiências dos órgãos de controle permitiram o esquema de fraudes que levou o Banco Master à intervenção do Banco Central; o executivo listou prejuízos superiores a R$ 66 bilhões e classificou o episódio como demonstração de vulnerabilidades regulatórias que impactam todo o sistema financeiro.

Contexto do Escândalo e Avaliação das Falhas Reguladoras

No painel organizado pela Esfera Brasil, realizado no Guarujá (SP), Esteves foi questionado sobre a atuação dos órgãos de supervisão diante das operações fraudulentas conduzidas por Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. O banqueiro respondeu de forma categórica: “Claro que houve falha”. A declaração ecoa a percepção de que o Banco Central, apesar de seu arcabouço tecnológico e jurídico, pode errar em processos de autorização, acompanhamento e intervenção.

Presentes no mesmo evento, autoridades reforçaram a crítica. O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, atribuiu responsabilidade direta à antiga diretoria do BC, liderada por Roberto Campos Neto, ao permitir a ascensão de Vorcaro a uma posição considerada “relevante” na estrutura bancária nacional. Mercadante destacou que a nova gestão da autoridade monetária conduziu a intervenção apenas após o colapso se tornar incontornável.

Dimensão Financeira dos Prejuízos e Exposição do Sistema

Durante sua intervenção, Esteves enumerou os danos causados pelo banco considerado “inexpressivo” em termos de ativos totais. As perdas imediatas concentram-se em:

  • R$ 50 bilhões ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC)
  • R$ 12 bilhões ao Banco de Brasília (BRB), que adquiriu carteiras deterioradas
  • R$ 4 bilhões a fundos de previdência

O BTG Pactual figurou como segundo maior distribuidor de CDBs emitidos pelo Master, atrás apenas da XP Investimentos. Em maio de 2025, o banco negociou a compra de R$ 1,5 bilhão em ativos secundários de Vorcaro, mas recuou após auditoria identificar que cerca de 80 % do caixa do Master estava sustentado por precatórios considerados “podres”.

Esse diagnóstico evidencia a extensão das práticas de triangulação de ativos e uso de garantias de baixa qualidade na contabilidade do Master, além de sinalizar fragilidades em processos de validação de lastros e monitoramento contínuo nas instituições financeiras de menor porte.

Repercussões Institucionais e Propostas de Fortalecimento

Mercadante classificou as fraudes como “o maior crime financeiro da história do País” e defendeu o fortalecimento não apenas do BC, mas também da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), responsável pela supervisão da indústria de fundos. O dirigente alertou para a possibilidade de novas irregularidades surgirem, citando a liquidação extrajudicial da Reag como “a ponta do iceberg”.

Segundo Mercadante, a insuficiência de quadros técnicos e o déficit remuneratório em carreiras de fiscalização limitam a capacidade de resposta rápida. Ele propôs:

  • Reestruturação organizacional do BC e da CVM
  • Valorização salarial e avanço em carreiras especializadas de auditoria
  • Integração de dados entre supervisores bancários e do mercado de capitais

Na mesma linha, Esteves observou que eventuais falhas de bancos médios acabam onerando todo o sistema por meio da cobertura do FGC, reforçando a necessidade de instrumentos preventivos compartilhados entre agentes de mercado e reguladores.

Conclusão Técnica

O episódio Banco Master expôs lacunas na supervisão financeira brasileira, resultando em perdas bilionárias e revelando riscos sistêmicos provenientes de instituições de menor porte que escapam de controles robustos. As declarações de André Esteves e Aloizio Mercadante convergem para a urgência de reforço institucional no Banco Central e na CVM, com melhoria de processos, recursos humanos e integração de informações. A intervenção já realizada pelo BC sinaliza reconhecimento das falhas e serve de precedente para ajustes regulatórios. Nos próximos meses, o debate deve avançar sobre reformas estruturais, revisão de critérios de autorização de bancos e aperfeiçoamento dos mecanismos de proteção ao investidor, a fim de mitigar a recorrência de fraudes de grande escala no mercado financeiro brasileiro.